Perguntas de um Operário Que Lê – Bertolt Brecht

Written by Alessandro Moura on agosto 4th, 2015

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros constam o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada afundou, Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantos relatos
Quantas perguntas

Bertolt Brecht

 

Documentário: Improprietário – O Mundo do Software Livre

Written by Alessandro Moura on junho 25th, 2015

“Inproprietário O mundo do software livre” é um projeto experimental, trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo dos ex-alunos Jota Rodrigo (Johnata Rodrigo de Souza) e Daniel Pereira Bianchi do Centro Universitário FIEO UNIFIEO.

 

O Possível e o Necessário

Written by Alessandro Moura on junho 25th, 2015

Segundo Saul Kripke (1963), que construiu uma semântica de mundos possíveis  para os enunciados modais, retomando uma antiga concepção de Leibniz, a idéia central é que  as proposições têm valores de verdade não só no mundo atual, no qual vivemos, mas também em diferentes mundos possíveis. Logo, dizer que uma proposição é necessária é dizer que ela é verdadeira em todos os mundos possíveis; dizer que ela é possível é dizer que é verdadeira em algum mundo possível.

O Software Livre é um conceito. Talvez um dos mais generosos conceitos já inventados, capaz de se replicar infinitamente, desde que aceito e fomentado. Seu benefício fundamental é a produção e reprodução de conhecimento, de forma livre, para todas as pessoas e todos os fins. Ele serve exclusivamente a dois propósitos, o de garantir o software (e portanto, o “saber”) a qualquer um; e o de referendar a genialidade da síntese de Richard Stallmann.

A natureza replicativa e distributiva do Software Livre, com sua construção possível com base em compartilhamento e colaboração, o faz melhor do que qualquer outra alternativa existente, porque o torna capaz de crescer de modo indefinido, ou de retomar o crescimento sempre que fomentado, com seus resultados sempre colocados à disposição de todos, portanto em favor da humanidade em geral, e não apenas de projetos ou propósitos particulares, por melhores que eles sejam.

Um curioso detalhe: ao fazer isso, ele opera em favor de si mesmo, já que quanto mais inteligência for colocada nele, maior e melhor serão suas respostas!

Mas ele faz mais do que isso. Ao crescer indefinidamente, crescem também as possibilidades de quem precisa de soluções tecnológicas para fazer nascer, crescer e desenvolver negócios, serviços e funções humanas de toda ordem. O mundo que vem pela frente, o da internet das coisas, precisará de milhões de linhas de código escritas todos os dias, para dar conta de cada novidade, de cada superação.

E precisará incluir quase três bilhões de pessoas, habitantes deste planeta, e de nossas vidas. Sim, porque elas estão nas sinaleiras, nas marquises, em toda parte. Refiro-me aos que sequer comem, sequer dormem, sequer estudam, sequer sonham. Se um outro mundo é possível, uma outra economia é necessária, e ela precisará de ferramentas livres para ser construída em toda a sua extensão. É por este motivo que precisamos lutar pelo Conceito, porque ele é absolutamente Necessário.

Hoje, ainda estamos muito longe deste cenário. Um dia, talvez em uma década ou duas, o mundo estará compartilhando todo o seu conhecimento e colaborando para aperfeiçoá-lo e distribuí-lo. Enquanto isso, há muito código aberto que nos ajuda a perceber essa generosa possibilidade. E continua havendo muita gente interessada em fechá-los!

Nossa estratégia deve continuar a mesma: precisamos ver códigos abertos como primo-irmãos dos softwares livres. Eles representam milhões de linhas de código em aplicações proprietárias, apesar de terem sido construídos de forma igualmente generosa. Precisamos continuar convencendo-os a migrar suas licenças OSI para licenças FSF…

Apenas isto, não é suficiente.  Também precisamos voltar a nos debruçar – com todo o espírito hacker – sobre todos os códigos essenciais que nos fazem falta, e construir as versões livres que sempre fizemos, pois creio que “relaxamos” em relação a isso… Isto é Possível, foi assim que chegamos até aqui e será somente desta forma que criaremos uma condição para não sermos “parcialmente” generosos, se podemos ser generosos por inteiro!

http://www.fflch.usp.br/df/opessoa/TCFC3-06b-Loux-5.pdf

Sady Jacques
Coordenador Geral
Associação Software Livre (ASL.org)

Fonte: http://softwarelivre.org/fisl16/noticias/o-possivel-e-o-necessario

 

Primeiro Curso Vipassana em João Pessoa – PB

Written by Alessandro Moura on abril 7th, 2015

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Vipassana é um método simples, prático de meditação que permite enfrentar as tensões e os problemas da vida diária de forma calma e equilibrada.

Vipassana é ensinada em retiros de dez dias, onde os alunos guardam silêncio enquanto aprendem a técnica de meditação. Instruções e palestras são oferecidos regularmente durante o curso.

“Não existe misticismo em Vipassana. É uma ciência da mente que vai além da psicologia por não apenas oferecer uma compreensão do processo mental mas por, de fato, purificar o processo mental. – S.N. Goenka, Professor de Vipassana

Os cursos são financiados somente por doações, que podem ser aceitas apenas daqueles que completaram ao menos um curso de 10 dias com S. N. Goenka ou um de seus professores assistentes. Tendo experimentado os benefícios de Vipassana, os alunos que fazem o curso pela primeira vez podem fazer uma doação no último dia de curso.

Vipassana tem a capacidade de transformar a mente e o caráter humano. A oportunidade aguarda quem desejar sinceramente fazer o esforço.

Sobre o Curso:
Primeiro Curso Vipassana Em João Pessoa – PB
No período de 5 a 16 de agosto de 2015 será realizado o CURSO DE 10 DIAS.
As inscrições iniciarão em 01 de maio de 2015 as 00Hr.
Site para inscrição:
http://dhamma.org/pt-BR/schedules/noncenter/nordeste.br

Meditação Vipassana – Paz Interior através da Sabedoria Interior.

Vídeos sobre Vipassana:

Tempo de Espera, Tempo de Vipassana from Colhendo luz on Vimeo.

Dhamma Brothers – Vipassana

Vipassana en prisión – Mendoza, Argentina 2004 – Esp from Upasaka on Vimeo.

 

Eventos de Sofwtare Livre 2015

Written by Alessandro Moura on abril 1st, 2015
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Calendário

Eventos de Sofwtare Livre

A comunidade brasileira conhecida por seu ativismo, organiza diversos eventos de Software Livre durante o ano. São desde eventos locais para um pequeno público até eventos regionais com centenas ou nacionais com milhares de participantes. Não importa o tamanho, o essencial é que esses eventos continuem acontecendo para incentivar o uso e desenvolvimento de Software Livre e a liberdade do conhecimento. Enquanto o FISL16 não chega, veja alguns destes eventos que vão acontecer pelo país.

IX Solisc – Congresso Catarinense de Software Livre

SOLISCA Associação Software Livre de Santa Catarina realizará nos dias 17 e 18 de abril a 9ª edição do Congresso Catarinense de Software Livre – IX Solisc, na cidade de Florianópolis – SC

O objetivo do evento é promover o uso do software livre, divulgando experiências de utilização dos sistemas livres, realizando oficinas e promovendo debates e palestras com lideranças das comunidades de usuários, de desenvolvedores e empresas que atuam no setor, além de proporcionar um espaço para troca de experiências.

O Solisc é um evento bastante tradicional de Santa Catarina e já foi realizado em outras cidades do estado como Joinville e São José. Este ano o IX Solisc acontecerá na Faculdade CESUSC em Florianópolis, e já tem as presenças confirmadas de André Noel (site Vida de programador), Cícero Moraes (Blender) e Jon Maddog Hall.

Mais informações: http://www.solisc.org.br

FLISOL 2015 – Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre

FLISOLO FLISOL – Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre é um evento cujo propósito é promover o uso de software livre e a integração de comunidades de usuários de software livre em todos os países da América Latina. O evento acontece desde 2005 e seu e principal objetivo é promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, seu alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral. Em 2015 o FLISOL acontecerá no dia 25 de abril.

Para executá-lo, serão realizados, simultaneamente, eventos em cidades diferentes em que especialistas irão instalar, de maneira gratuita e totalmente legal, software livre nos computadores das pessoas interessadas que comparecerem.

O evento, também conhecido como Install Fest, consiste em um grande encontro de pessoas com conhecimento em software livre e outras que querem conhecer mais sobre o assunto. Os visitantes deverão levar seus computadores ou notebooks para que voluntários ajudem a instalar o sistema operacional GNU/Linux e os softwares livres. Durante o período das instalações, são promovidas outras atividades como palestras, oficinas/minicursos, painéis/mesas-redondas, encontros, etc.

Procure mais informações sobre o FLISOL na sua cidade em: http://www.flisol.info/FLISOL2015/Brasil

PentahoDay 2015

Pentaho DayNos dias 15 e 16 de maio de 2015 acontece a edição 2015 do PENTAHO DAY Brasil, evento dedicado a divulgação e promoção da Plataforma Pentaho. Promovido anualmente em diversas cidades do Brasil, neste ano será realizado em Curitiba/PR no Campus da Universidade Positivo.

As inscrições para participação são gratuitas. A edição 2015 é realizada e coordenada pelo Grupo de Usuários Pentaho Brasil, pela Ambiente Livre e membros da Pentaho. O evento contará com a participação de grandes nomes do Pentaho em nível nacional e internacional, apresentação de cases de sucesso e realização de mini cursos gratuitos. O principal objetivo é a divulgação e principalmente a troca de idéias entre os desenvolvedores da plataforma Open Source. A comissão organizadora estima a participação de um público de mais de 500 pessoas durante os dois dias do evento, público este formado por desenvolvedores, empresários, público acadêmico e demais segmentos interessados no assunto.

O Pentaho é uma suíte de aplicativos voltada ao mercado de Business Intelligence e possui duas versões, sendo uma Comercial e uma CE (Community Edition), seu uso vem sendo disseminado por todo o mundo graças a participaçã direta da comunidade Open Source que contribui constantemente na sua melhoria e evolução.

Maiores informações, programação completa e inscrições tanto para participar das palestras e mini cursos podem ser encontradas no site oficial do evento: http://www.pentahobrasil.com.br/eventos/pentahoday2015

 

Alexandre Oliva: Por um FLISOL Exemplar

Written by Alessandro Moura on março 24th, 2015

A premissa fundamental do Movimento Software Livre é a de que software privativo de liberdade é um poder injusto que subjuga seus usuários. Nossa estratégia para resolver esse problema social é informar, conscientizar e inspirar usuários para resistir a esse subjugo, rejeitando software privativo de liberdade, para que essas linhas de negócios deixem de ser atraentes e deixem de fazer vítimas.

Para formar resistência suficiente, precisamos difundir os valores, princípios, objetivos e estratégias do Movimento Software Livre. Objetivos e estratégias podem até ser ensinados e aprendidos com palavras: manifestos, artigos, palestras e debates. Mas para ensinar e aprender valores e princípios, exemplos falam muitíssimo mais alto que palavras. Com que exemplos o FLISOL da sua cidade vai ensinar os valores e princípios do Software Livre?

Um visitante que tenha levado seu computador a uma sede do Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre, para experimentar Software Livre, pode assistir ou não às palestras, mas seguramente espera sair do evento com Software Livre instalado no computador. Não necessariamente GNU/Linux-libre, pois há outros sistemas operacionais Livres, nem mesmo um sistema operacional, pois o que normalmente importa aos usuários são os aplicativos. Cumpre a nós, do Movimento Software Livre, utilizar essa oportunidade para, além de instalar Software Livre na máquina, preparar o usuário para nos ajudar na resistência ao software privativo de liberdade, compartilhando as ideias do movimento. Essencial para que isso funcione é se comportar de modo compatível, pois palavras ensinam valores menos que o exemplo.

As mais populares distribuições de GNU/Linux não estão alinhadas com o Movimento Software Livre, pois oferecem e instalam software privativo de liberdade. O problema mais comum são controladores privativos (drivers ou firmware) para componentes de hardware com especificações secretas. Os fabricantes desses componentes pretendem mantê-los incompatíveis com a liberdade do usuário, dificultando o desenvolvimento de Software Livre que cumpra função equivalente.

Informar usuários sobre essa incompatibilidade é essencial, para que melhor compreendam a raiz e origem do problema e possam levar isso em conta quando forem comprar seu próximo computador. Certamente instalar uma distribuição que busca esconder esses problemas dos usuários não ajuda a informá-los, por isso mesmo parabenizo a iniciativa da petição para que o FLISOL deixe de instalar Ubuntu, bem como a adoção de recomendação nesse sentido pela coordenação nacional brasileira e por várias sedes. Começar por reduzir a maior transgressão é um ótimo primeiro passo! Mas não chega a resolver o problema de coerência do FLISOL com o Movimento Software Livre.

Para um novo usuário, a instalação de uma distribuição 100% Livre pode muito bem funcionar 100%, mas do contrário abrirá caminho para explicar o problema do hardware incompatível com a liberdade. É óbvio que a notícia da incompatibilidade será desapontadora para muitos visitantes, e muitos instaladores podem ficar de coração apertado se não “ajudarem” o visitante a instalar blobs e drivers privativos de liberdade exigidos pelo hardware, ou plugins “necessários” para que distribuidores de obras autorais de entretenimento tomem o controle do computador do visitante. São dilemas sem solução favorável: é preciso decidir entre comunicar que algum software privativo de liberdade é aceitável e até desejável, ou arriscar afastar um usuário ao mostrar a importância da resistência firme ao software privativo de liberdade.

Se uma oferta para instalar aplicativos Livres no sistema operacional privativo já instalado não empolgar, orientação sobre as possibilidades de substituir os componentes incompatíveis pode ajudar um pouco e dar um bom exemplo da importância da resistência. Por outro lado, oferecer software privativo de liberdade para fazer o componente funcionar pode até parecer ajudar mais, mas transmite exatamente a mensagem contrária à necessária para formar a resistência ao software privativo de liberdade. Mesmo uma visível hesitação pode parecer descaso ou hipocrisia se a ação contrariar os princípios.

Afinal, se instalar software privativo em quantidades cada vez maiores fosse a solução do problema de componentes de hardware incompatíveis com a liberdade, por que parar no firmware, ou nos drivers? Num computador com Boot Restrito, daqueles que impedem a iniciação de sistemas operacionais alternativos, o software privativo necessário para fazer um GNU/Linux funcionar é o Windows, inteiramente privativo, e um ambiente de execução de máquinas virtuais, igualmente privativo.

Mas ninguém (além da própria Microsoft, suponho) pensaria em instalar Windows num festival de instalação de Software Livre. Por que, então, instalam-se tantos outros programas privativos no FLISOL? Não são eticamente melhores que o Windows! O receio de que, sem eles, o usuário volte ao software privativo é medo “da volta dos que não foram”: usando GNU/Linux com blobs, o usuário jamais terá deixado a escravidão do software privativo de liberdade, no máximo terá mudado de feitor. Na liberdade, como na segurança, é o elo mais fraco da corrente que se rompe e põe tudo a perder.

Uma conversa franca e honesta com o usuário fará muito mais pelo Movimento Software Livre que instalar uma distribuição com componentes privativos, ou mesmo que instalar uma distribuição 100% Livre que não funcione bem no computador incompatível. Afinal, o visitante seguramente poderá encontrar na Internet receitas para instalar o software privativo de liberdade que fará o componente funcionar. Porém, graças às ideias da conversa e ao bom exemplo observado, entenderá que sua decisão é pessoal, que ninguém deve tomá-la em seu lugar, e que trata-se apenas de um sacrifício temporário de sua própria liberdade, até que uma solução esteja ao seu alcance. Bons exemplos, conselhos e ideias ajudarão a manter o usuário no caminho para a liberdade, mesmo que seja longo e árduo.

Mas se, ao invés de receber um exemplo firme e fundamentado de resistência ao software privativo de liberdade, o visitante observar seu mentor e seus pares oferecendo e preferindo instalar software privativo de liberdade, tenderá a se tornar mais um multiplicador da contracultura do Software Livre. Tampouco hesitará em instalar distribuições com software privativo de liberdade, em decidir por outros quais liberdades sacrificar e em se opor às sugestões e aos pedidos de que futuros FLISOLis se comportem de forma compatível com o Movimento Software Livre. Com seu exemplo e atitude, propagará sua resistência às nossas ideias, dificultando ainda mais a formação da resistência ao software privativo de liberdade.

Muito menos importante que o software instalado é a mensagem transmitida pelo FLISOL. Porém, o software ofertado e instalado, enquanto exemplos, são parte importantíssima da mensagem, pois quando palavras e exemplos são contraditórios no ensino de valores, com maior frequência prevalecem os exemplos. Então, com que exemplos você vai ensinar, no FLISOL da sua cidade, os valores e princípios do Movimento Software Livre? Com que exemplos vai reforçar a necessária e urgente resistência ao software privativo de liberdade? Como vai motivar o FLISOL a adotar, como mais uma de suas regras internacionais, os bons exemplos de resistência ao software privativo de liberdade, para que deixe de minar nosso movimento e nossa resistência e se torne um Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre Mesmo, um FLISOL exemplar?

Copyright 2015 Alexandre Oliva

Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo são permitidas em qualquer meio, em todo o mundo, desde que sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão.

http://www.fsfla.org/blogs/lxo/pub/flisol-exemplar

 

O Manifesto GNU completa 30 anos

Written by Alessandro Moura on março 4th, 2015

Neste mês de Março de 2015 o Manifesto GNU completa 30 anos, O Manifesto GNU foi escrito e publicado em março de 1985 no Dr. Dobb’s Journal of Software Tools como uma explicação e definição do objetivo do Projeto GNU. É considerado por muitos como a principal fonte filosófica do software livre. O texto completo está disponível na internet, assim como em software GNU, como o Emacs

O Manifesto GNU (que segue abaixo) foi escrito por Richard Stallman no início do Projeto GNU, para pedir por participação e ajuda. Durante os primeiros anos ele sofreu pequenas atualizações para registrar desenvolvimentos, mas agora achamos melhor mante-lo inalterado, já que a maiora das pessoas já viu o manifesto antes.

Desde aquele tempo, nós aprendemos sobre certos mal-entendidos frequentes que uma escolha diferente de palavras poderia ter ajudado a evitar. Notas de rodapé adicionadas desde 1993 ajudam a clarear esses pontos.

Para informações atualizadas sobre o software GNU disponível, por favor veja a informação disponível no nosso servidor web, em especial nossa lista de software.

O Que é o GNU? Gnu Não é Unix!

GNU, que significa Gnu Não é Unix, é o nome para um sistema de software completo e compatível com o Unix, que eu estou escrevendo para que possa fornece-lo gratuitamente para todos os que possam utilizá-lo.(1) Vários outros voluntários estão me ajudando. Contribuições de tempo, dinheiro, programas e equipamentos são bastante necessárias.

Até o momento nós temos um editor de textos Emacs com Lisp para a escrita de comandos do editor, um depurador de código-fonte, um gerador de compiladores compatível com o yacc, um linkeditor e em torno de 35 utilitários. Um shell (interpretador de comandos) está quase completo. Um novo compilador C otimizador portável já compilou a si mesmo e deverá ser liberado este ano. Um kernel inicial existe mas muitos recursos ainda são necessários para emular o Unix. Quando o kernel e o compilador estiverem finalizados, será possível distribuir um sistema GNU adequado para o desenvolvimento de novos programas. Nós usaremos o TeX como nosso formatador de textos, mas estamos trabalhando em um nroff. Nós também usaremos o X Window System, que é livre e portável. Depois disso nós adicionaremos um Common Lisp portável, um jogo do Império, uma planilha eletrônica, e centenas de outras coisas, além de documentação on-line. Nós esperamos fornecer, eventualmente, tudo de útil que normalmente vem com um sistema Unix, e ainda mais.

GNU será capaz de rodar programas do Unix, mas não será idêntico ao Unix. Nós faremos todos os aperfeiçoamentos que forem convenientes, baseados em nossa experiência com outros sistemas operacionais. Em particular, nós planejamos adicionar nomes de arquivos longos, números de versão de arquivos, um sistema de arquivos à prova de falhas, auto-geração de nomes de arquivos, talvez, suporte de vídeo independente do terminal, e talvez um sistema de janelas baseado no Lisp atravéz do qual vários programas Lisp e programas Unix comuns possam compartilhar uma tela. Tanto C quanto Lisp estarão disponíveis como linguagens de programação de sistemas. Nós tentaremos suportar UUCP, MIT Chaosnet, e protocolos da Internet para comunicação.

GNU é inicialmente orientado para máquinas do classe 68000/16000 com memória virtual, porque essas são as máquinas mais fáceis de suportar. O esforço extra par faze-lo rodar em máquinas menores será deixado para alguém que deseje utilizá-lo nelas.

Para evitar uma confusão horrível, por favor pronuncie a letra g na palavra “GNU” quando ela for o nome deste projeto.

Por que eu Tenho que Escrever o GNU

Eu acredito que a regra de ouro exige que, se eu gosto de um programa, eu devo compartilha-lo com outras pessoas que gostam dele. Vendedores de Software querem dividir os usuários e conquistá-los, fazendo com que cada usuário concorde em não compartilhar com os outros. Eu me recuso a quebrar a solidariedade com os outros usuários deste modo. Eu não posso, com a consciência limpa, assinar um termo de compromisso de não-divulgação de informações ou um contrato de licença de software. Por anos eu trabalhei no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT para resistir a estas tendências e outras inanimosidades, mas eventualmente elas foram longe demais: eu não podia permanecer em uma instituição onde tais coisas eram feitas a mim contra a minha vontade.

Portanto, de modo que eu possa continuar a usar computadores sem desonra, eu dedicir juntar uma quantidade de software suficiente para que eu possa continuar sem nenhum software que não seja livre. Eu me demiti do Laboratório de IA para impedir que o MIT tenha qualquer desculpa legal para me impedir de fornecer o GNU livremente.

Por que o GNU será Compatível com o Unix

Unix não é o meu sistema ideal, mas ele não é tão ruim. Os recursos essenciais do Unix parecem ser bons recursos, e eu penso que eu posso fornecer o que falta no Unix sem comprometê-lo. E um sistema compatível com o Unix seria conveniente para muitas pessoas adotarem.

Como o GNU Estará Disponível

GNU não está no domínio público. Qualquer um terá permissão para modificar e redistribuir o GNU, mas nenhum distribuidor terá permissão para restringir a sua nova redistribuição. Ou seja, não será permitida nenhuma modificação proprietária. Eu quero ter certeza de que todas as versões do GNU permanecerão livres.

Por que Muitos Outros Programadores Desejam Ajudar

Eu encontrei muitos outros programadores que estão excitados quanto ao GNU e querem ajudar.

Muitos programadores estão descontentes quanto à comercialização de software de sistema. Ela pode trazê-los dinheiro, mas ela requer que eles se considerem em conflito com outros programadores de maneira geral em vez de considerá-los como camaradas. O ato fundamental da amizade entre programadores é o compartilhamento de programas; acordos comerciais usados hoje em dia tipicamente proíbem programadores de se tratarem uns aos outros como amigos. O comprador de software tem que escolher entre a amizade ou obeder à lei. Naturalmente, muitos decidem que a amizade é mais importante. Mas aqueles que acreditam na lei frequentemente não se sentem à vontade com nenhuma das escolhas. Eles se tornam cínicos e passam a considerar que a programação é apenas uma maneira de ganhar dinheiro.

Trabalhando com e usando o GNU em vez de programas proprietários, nós podemos ser hospitaleiros para todos e obedecer a lei. Além disso, GNU serve como um exemplo para inspirar e um chamariz para trazer outros para se juntarem a nós e compartilhar programas. Isto pode nos dar um sentimento de harmonia que é impossível se nós usarmos software que não seja livre. Para aproximadamente metade dos programadores com quem eu falo, esta é uma imporante alegria que dinheiro não pode substituir.

Como Você Pode Contribuir

Eu estou pedindo aos fabricantes de computadores por doações de máquinas e dinheiro. Eu estou pedindo às pessoas por doações de programas e de trabalho.

Uma consequência que você pode esperar se você doar máquinas é que o GNU irá rodar nelas mais cedo. As máquinas devem ser sistemas completos, prontos para uso, e aprovadas para utilização em áreas residenciais, e não devem necessitar de sistemas sofisticados de refrigeração ou energia.

Eu encontrei muitos programadores dispostos a contribuir em tempo parcial com o GNU. Para a maioria dos projetos, este trabalho distribuído em tempo parcial seria bem difícil de coordenar; as partes escritas independentes uma das outras não funcionariam juntas. Mas para a tarefa em particular de substituir o Unix, este problema não existe. Um sistema Unix completo contém centenas de programas utilitários, cada um documentado separadamente. A maiora das especificações de interface são garantidas pela compatibilidade com o Unix. Se cada contribuidor puder escrever um substituto compatível para um único utilitário do Unix, e conseguir que ele trabalhe corretamente no lugar do original em um sistema Unix, então estes utilitários irão funcionar corretamente quando colocados juntos. Mesmo contanto que a Lei de Murphy crie alguns problemas inesperados, juntar estes componentes será um trabalho viável. (O kernel irá necessitar comunicação mais próxima e será trabalhado por um grupo pequeno e coeso.)

Se eu receber doações de dinheiro, eu poderei contratar algumas pessoas em tempo integral ou parcial. O salário não será alto para os padrões da indústria, mas eu estou procurando por pessoas para as quais construir um espírito de comunidade seja tão importante quanto ganhar dinheiro. Eu vejo esta como uma maneira de habilitar pessoas dedicadas a focar as suas energias totalmente no trabalho no GNU, sem que elas necessitem de uma outra maneira de ganhar a vida.

Por que Todos os Usuários de Computadores Serão Beneficiados

Uma vez que o GNU esteja pronto, todos poderão obter um bom software de sistema gratuitamente, assim como o ar.(2)

Isto significa muito mais do que simplesmente que todos economisarão o valor de uma licença do Unix. Isto significa que muita duplicação de programação de sistemas será evitada. Este esforço poderá ser utilizado em avançar o estado-da-arte.

O código-fonte completo do sistema estará disponível para todos. Como resultado, um usuário que necessite de modificações no sistema será sempre livre para realiza-las ele mesmo, ou para contratar qualquer programador disponível ou empresa para realiza-las. Os usuários não estarão mais à mercê do programador ou empresa que é dono dos fontes e é o único que pode realizar mudanças.

Escolas poderão fornecer um ambiente educacional muito mais produtivo encorajando todos os estudantes a estudar e aperfeiçoar o código do sistema. O Laboratório de Computadores de Harvard tinha como política não instalar nenhum programa se os seus fontes não estivessem disponíveis ao público, e esta posição foi sustentada quando o laboratório se recusou a instalar certos programas. Eu fui bastante inspirado por eles.

Finalmente, o overhead de localizar o dono do software de sistema e o que se pode ou não se pode fazer com ele será aliviado.

Contratos que fazem as pessoas pagarem pelo uso de um programa, incluindo o licensiamento de cópias, sempre trazem um custo tremendo para a sociedade devido aos mecanismos obscuros necessários para se determinar quanto (ou seja, por quais programas) uma pessoa tem que pagar. E somente a polícia do estado tem poder para fazer com que todos obedeçam esses mecanismos. Imagine uma estação espacial onde o ar tem que ser fabricado a um custo muito alto: cobrar cada “respirador” por cada inspiração pode ser justo, mas usar a máscara de gás com o medidor todo dia e toda noite seria intolerável mesmo para os que pudessem pagar a taxa do ar. E presença de câmeras de TV por todo lado para verificar se alguém tirar a máscara é ultrajante. É melhor manter a fábrica de ar com uma taxa por pessoa e eliminar as máscaras.

Copiar todo ou parte de um programa é tão natural para um programador quanto respirar, e tão produtivo quanto. Isto tem que ser livre.

Algumas Objeções Facilmente Refutadas aos Objetivos do GNU

“Ninguém vai utiliza-lo se for gratuito, porque isto significa que não se pode contar com nenhum suporte.”

“Você tem que cobrar pelo programa para pagar pelo suporte.”

Se as pessoas puderem em vez disso pagar pelo GNU mais pelos serviços em vez de obter o GNU sem o serviço, uma empresa cujo objetivo seja somente fornecer serviços para as pessoas que obteram o GNU gratuitamente será rentável.(3)

Nós temos que diferenciar entre o suporte na forma de verdadeiro trabalho de programação e simples ajuda. O primeiro é algo que ninguém pode realmente contar em receber do vendedor de software. Se o seu problema não é o mesmo de muitas outras pessoas, o vendedor irá ignora-lo.

Se o seu negócio necessita contar com suporte, a única garantia é ter todos os fontes e ferramentas necessários. Então você pode contratar qualquer pessoa disponível para resolver o seu problema; você não depende de nenhum indivíduo. Com o Unix, o preço dos fontes coloca isto fora de questão para a maioria das empresas. Com GNU seria fácil. Ainda é possível que não haja uma pessoa competente em disponibilidade, mas este problema não será causado por contratos de distribuição. GNU não elimina todos os problemas do mundo, somente alguns deles.

Enquanto isso, o usuário que não sabe nada sobre computadores necessita de ajuda: fazer coisas para eles que eles poderiam facilmente fazer eles mesmos mas eles não sabem como.

Este tipo de serviço poderia ser fornecido por empresas que vendem somente serviços de ajuda e reparos. Se for verdade que os usuários preferem gastar dinheiro e obter o produto com serviço, eles também estarão dispostos à comprar o serviço tendo obtido o produto de graça. As empresas de serviços irão competir em preço e qualidade, enquanto que os usuários não estarão amarrados a nenhuma delas em particular. Enquanto isso, os usuários que não necessitam do serviço poderão usar o programa sem ter que pagar pelo serviço.

“Você não pode atingir muitas pessoas sem propaganda, e você tem que cobrar pelo programa para pagar por isso.”

“Não tem sentido anunciar um programa que as pessoas podem pegar de graça.”

Existem várias formas de publicidade gratuita ou muito baratas que podem ser usadas para informar os usuários de computadores sobre algo como o GNU. Mas pode ser verdade que nós atingiríamos mais usuários de computadores com propaganda. Se isto for verdade, uma empresa que anuncia o serviço de copiar e enviar GNU por uma taxa será bem-sucedido o suficiente para pagar pelos seus anúncios e mais. Desta forma, somente os usuários que se beneficiam dos anúncios pagam por eles.

Pelo outro lado, se muitas pessoas copiarem o GNU dos seus amigos, e tais empresas não tiverem sucesso, isto mostra que a propaganda não era realmente necessária para popularizar o GNU. Porque os advogados do mercado livre não deixam o mercado decidir quanto a isso?(4)

“Minha empresa necessita de um sistema operacional proprietário para obter uma vantagem competitiva.”

O GNU irá remover o sistema operacional do escopo da competição. Você não será capaz de obter uma vantagem nesta área, mas nenhum dos seus competidores será capaz. Você e eles terão que competir em outras áreas, e se beneficiarão mutuamente nesta área. Se o seu negócio é vender um sistema operacional, você não irá gostar do GNU, mas isto é problema seu. Se o seu negócio é outro, GNU pode poupa-lo de ser forçado para o negócio caro de vender sistemas operacionais.

Eu gostaria de ver o desenvolvimento do GNU suportado por doações de várias empresas e usuários, reduzindo o custo para todos.(5)

“Os programadores não merecem uma recompensa pela sua criatividade?”

Se alguma coisa realmente merece uma recompensa, é a sua contribuição social. Criatividade pode ser uma contribuição social, mas somente na medida em que a sociedade é livre para usufruir dos resultados. Se os programadores merecem ser recompensados por criarem programas inovadores, da mesma forma eles merecem ser punidos se eles restringem o uso destes programas.

“Um programador não deveria poder pedir por uma recompensa pela sua criatividade?”

Não há nada errado em querer pagamento pelo trabalho, ou em procurar maximizar a renda de uma pessoa, desde que não sejam utilizados meios destrutivos. Mas os meios comuns hoje no campo de software são baseados em destruição.

Extrair dinheiro dos usuários de um programa restringindo o seu uso é destrutivo porque as restrições reduzem a quantidade de vezes e de modos em que o programa pode ser utilizado. Isto reduz a quantidade de bem-estar que a humanidade deriva do programa. Quando há uma escolha deliberada em restringir, as consequências prejudiciais são destruição deliberada.

O motivo pelo qual um bom cidadão não utiliza tais meios destrutivos para se tornar mais rico é porque, se todos fizessem assim, todos nós nos tornaríamos mais pobres pela exploração mútua. Isto é ética Kantiana, ou a Regra de Ouro. Já que eu não gosto das consequências que resultam se todos restringirem a informação, eu tenho que considerar errado para alguém fazer isso. Especificamente, o desejo de ser recompensado pela minha criatividade não justifica privar o mundo em geral de tudo ou parte da minha criatividade.

“Os programadores não irão morrer de fome?”

Eu poderia responder que ninguém é forçado a ser um programador. A maioria de nós não conseguiria nenhum dinheiro pedindo na rua ou fazendo caretas. Mas nós não estamos, como resultado, condenados a passar nossas vidas pedindo na rua, fazendo caretas e passando fome. Nós fazemos outra coisa.

Mas esta é a resposta errada porque ela aceita a afirmação implícita na questão: que sem a propriedade do software, os programadores não tem como receber um centavo. Supõe-se que seja tudo ou nada.

O motivo pelo qual os programadores não irão morrer de fome é que ainda será possível para eles serem pagos para programar; somente não tão bem pagos como o são hoje.

Restringir a cópia não é a única base para negócios com software. Ela é a mais comum porque é a que traz mais dinheiro. Se ela fosse proibida, ou rejeitada pelos consumidores, as empresas de software iriam mover suas bases para outras formas de organização que hoje são utilizadas menos frequentemente. Existem várias formas de se organizar qualquer tipo de negócios.

Provavelmente a programação não será tão lucrativa nas novas bases como ela é agora. Mas este não é um argumento contra a mudança. Não é considerado uma injustiça que caixas de lojas tenham os salários que eles tem hoje. Se com os programdores acontecer o mesmo, também não será uma injustiça. (Na prática eles ainda ganhariam consideravelmente mais do que os caixas.)

“As pessoas não tem o direito de controlar como a sua criatividade é utilizada?”

“Controle sobre o uso das idéias” é na verdade controle sobre as vidas das pessoas; e isto em geral torna as vidas das pessoas mais difícil.

As pessoas que estudaram a questão da propriedade intelectual cuidadosamente (como os advogados) dizem que não existe direito intrínseco sobre a propriedade intelectual. Os tipos de suposta propriedade intelectual que o governo reconhece foram criados por atos específicos de legislação para propósitos específicos.

Por exemplo, o sistema de patentes foi criado para encorajar inventores a divulgarem os detalhes de suas invenções. Seu propósito foi de ajudar à sociedade e não os inventores. Naquela época, o tempo de vida de 17 anos de uma patente era curto comparado com a taxa de avanços no estado-da-arte. Como patentes são um problema somente entre fabricantes, para os quais o custo e o esforço de um contrato de licença são pequenos se comparados com o custo de se montar uma fábrica, a patente não causou muito prejuízo. Elas não obstruíram a maioria das pessoas que utilizavam produtos patenteados.

A idéia de copyright não existia nos tempos antigos, quando os autores frequentemente copiavam outros autores extensamente em trabalhos de não-ficção. Esta prática era útil, e era a única maneira pela qual o trabalho de muitos autores poderia ter sobrevivido pelo menos em parte. O sistema de copyright foi criado expressamente com o propósito de encorajar a autoria. No domínio para a qual ele foi inventado — livros que só podiam ser copiados economicamente apenas pela prensa de uma gráfica — ele causou poucos danos, e não obstruíu a maioria das pessoas que liam os livros.

Todos os direitos de propriedade intelectual são apenas licenças concedidas pela sociedade porque se pensava, corretamente ou não, que a sociedade como um todo se beneficiaria da concessão. Mas, em qualquer situação em particular, temos que perguntar: nós estamos realmente melhor concedendo esta licença? Que tipo de atos nós estamos autorizando uma pessoa a cometer?

A situação dos programas hoje é bastante diferente daquela dos livros um século atrás. O fato de que o modo mais fácil de copiar um programa é de um vizinho para o outro, o fato de que um programa tem tanto código fonte quanto código objeto que são distintos, e o fato de que um programa é utilizado em vez de lido e apreciado, se combinam para criar uma situação em que uma pessoa que faz valer um copyright está prejudicando a sociedade como um todo tanto material quanto espiritualmente; esta pessoa não deveria fazer isso apesar ou mesmo que a lei permita que ela faça.

“Competição faz com que as coisas sejam feitas melhor.”

O paradigma da competição é uma corrida: recompensando o vencedor, nós encorajamos todos a correr mais rápido. Quando o capitalismo realmente funciona deste modo, ele faz um bom trabalho; mas os defensores estão errados em assimir que as coisas sempre funcionam desta forma. Se os corredores se esquecem do porque a recompensa ser oferecida e buscarem vencer, não importa como, eles podem encontrar outras estratégias — como, por exemplo, atacar os outros corredores. Se os corredores se envolverem em uma luta corpo-a-corpo, todos eles chegarão mais tarde.

Software proprietário e secreto é o equivalente moral aos corredores em uma luta corpo-a-corpo. É triste dizer, mas o único juiz que nós conseguimos não parece se opor às lutas; ele somente as regula (“para cada 10 metros, você pode disparar um tiro”). Ele na verdade deveria encerrar com as lutas, e penalizar os corredores que tentarem lutar.

“Não irão todos parar de programar sem um incentivo monetário?”

Na verdade, muitas pessoas irão programar sem absolutamente nenhum incentivo monetário. A programação excerce uma fascinação incrível para algumas pessoas, geralmente as pessoas que são melhores nisso. Não há falta de músicos profissionais que se mantém na carreira mesmo quando não há esperança de se ganhar a vida desta forma.

Mas na verdade esta questão, apesar de ser feita frequentemente, não é adequada para a situação. Não se deixará de pagar para os programadores, apenas se pagará menos. Então a questão é, alguém irá programar com um incentivo monetário reduzido? Minha experiência mostra que sim.

Por mais de 10 anos, muitos dos melhores programadores do mundo trabalharam no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT por menos dinheiro que eles poderiam receber em qualquer outro lugar. Eles receberam vários tipos de recompensas não-financeiras: fama e reconhecimento, por exemplo. E criatividade também é um entretenimento, uma recompensa em si mesma.

Então a maioria deles saiu quando recebeu uma chance de fazer o mesmo trabalho interessante recebendo bastante dinheiro.

Os fatos mostram que as pessoas irão programador por outros motivos além de ficarem ricas; mas se for dada uma chance para além disso ganharem muito dinheiro, elas irão aceitar e pedir por isso. Organizações que pagam pouco se comparam fracamente com organizações que pagam bem, mas elas não tem que se realizar seu trabalho de maneira ruim se as organizações que pagam bem forem banidas.

“Nós necessitamos de programadores desesperadamente. Se eles exigem que nós paremos de ajudar nossos semelhantes, nós temos que obedecer.”

Você nunca está tão desesperado que você tenha que atender a este tipo de exigência. Lembre-se: milhões para a defesa, mas nenhum centavo como tributo!

“Os programadores tem que ganhar a vida de algum jeito.”

Avaliando superficialmente, isto é verdade. Entretanto, existem muitas maneiras pelas quais um programador pode ganhar a vida sem vender o direito de uso de um programa. Este modo é comum hoje porque ele traz aos programadores e aos homens de negócios o máximo em dinheiro, não porque é o único modo de se ganhar a vida. É fácil encontrar outros modos de ganhar a vida se você deseja encontra-los. Eis alguns exemplos.

Um fabricante lançando um novo computador irá pagar pelo porte do sistema operacional para o novo hardware.

A venda de serviços de treinamento, ajuda e manutenção também poderia empregar os programadores.

Pessoas com novas idéias poderiam distribuir programas como freeware, pedindo por doações de usuários satisfeitos, ou vendendo serviços de ajuda [no uso do software]. Eu encontrei pessoas que já trabalham desta forma com sucesso.

Usuários com necessidades parecidas podem formar grupos de usuários, e pagar anuidades. O grupo poderia contratar empresas de programação para escrever programas que os membros do grupo desejariam usar.

Todos os tipos de desenvolvimento podem ser financiados com um Imposto do Software:

Suponha que todos os que compram um computador tenham que pagar X por cento do preço como um imposto do software. O governo daria este dinheiro a uma agência como a NSF para gastar em desenvolvimento de software.

Mas, se um comprador de computadores realizar uma doação para o desenvolvimento de software por conta própria, ele pode abater esta doação do imposto. Ele pode doar para o projeto que ele escolher — frequentemente escolhido porque ele pretende utilizar os resultados no final. Ele pode ter um crédito por qualquer doação até o total do imposto que ele teria que pagar.

O percentual do imposto poderia ser decidido por voto dos pagadores do imposto, proporcionalmente à quantidade de dinheiro sobre a qual eles serão taxados.

As consequências:

  • A comunidade de usuários de computadores suportaria o desenvolvimento de software.
  • Esta comunidade decidiria qual nível de suporte é necessário.
  • Usuários preocupados com quais projetos a sua parcela é gasta poderiam escolher por eles mesmos.

À longo prazo, tornar os programas livres é um passo adiante na direção do mundo pós-escassez, onde ninguém terá que trabalhar duro somente para ganhar a vida. As pessoas serão livres para se dedicarem às atividades que são agradáveis, como programação, depois de gastar as 10 horas semanais de trabalho obrigatórias em atividades que são necessárias, como legislação, aconselhamento de famílias, reparo de robôs e prospecção de asteróides. Eles não terão necessidade de ganhar a vida programando.

Nós já reduzimos bastante a quantidade de trabalho que a sociedade como um todo tem que realizar para a sua própria produtividade, mas somente um pouco disso se transformou em lazer para os trabalhadores porque muita atividade não-produtiva é necessária para se acompanhar a atividade produtiva. As principais causas disso são burocracia e medidas bitoladas contra a competição. O software livre irá reduzir grandemente estes desperdícios na área de produção de software. Nós temos que fazer isso, para que os ganhos técnicos em produtividade sejam transformados em menos trabalho para nós.

Notas de rodapé

  1. A escolha de palavras aqui foi descuidada. A intenção era de que ninguém teria que pagar pela permissão para usar o sistema GNU. Mas as palavras não deixam isso claro, e as pessoas frequentemente interpretam que elas significam que as cópias do GNU tem sempre que serem distribuídas gratuitamente ou por um valor simbólico. Esta nunca foi a intenção; posteriormente, o manifesto menciona a possibilidade das empresas fornecerem o serviço de distribuição objetivando o lucro. Subsequentemente eu aprendi a distinguir cuidadosamente entre free no sentido de liberdade e free no sentido de preço. O Software Livre (Free Software) é o software que os usuários tem a liberdade distribuir e modificar. Alguns usuários podem obter cópias sem custo, enquanto que outros podem pagar para receber cópias — e se a receita ajuda a aperfeiçoar o software, melhor ainda. O mais importante é que qualquer um que tenha uma cópia tenha a liberdade de cooperar com outras pessoas utilizando o software.
  2. Este é outro lugar onde eu falhei em distinguir entre os dois significados de free. A afirmação como está escrita não é falsa — você pode obter cópias do GNU gratuitamente, dos seus amigos ou da Internet. Mas a afirmação sugere a idéia errada.
  3. Várias dessas empresas existem hoje.
  4. Apesar dela ser uma instituição de caridade em vez de uma empresa, a Fundação Para o Software Livre por dez anos levantou a maior parte dos seus fundos de seu serviço de distribuição. Você pode comprar itens do FSF para apoiar a sua actividade.
  5. Um grupo de fabricantes de computadores ofereceu fundos por volta de 1991 para a manutenção do Compilador C do GNU.

FONTE

 

Original em Inglês: https://www.gnu.org/gnu/manifesto.html.en

 

Síndrome de Stallman – Por Anahuac

Written by Alessandro Moura on março 3rd, 2015

O Stallman não é fácil. Ele é duro, reto, honesto, rude, impaciente e consegue estar certo quase sempre. Se você já assistiu algum episódio da série americana The Big Bang Theory e já esteve com o Stallman, fará o link inevitável entre Sheldon Cooper e Richard Stallman. Os dois são geniais, querem mudar o mundo e são quase ineptos sociais. A diferença real entre eles é que Stallman existe e vem revolucionando o mundo a mais de 30 anos, enquanto o outro é apenas um palhaço megalomaníaco.

Mas não se pode julgar um livro pela capa, certo? Ao menos assim deveria ser. Me parece absurdo ter que dizer isso, mas é fato que boa parte da militância do Movimento Software Livre se deixou levar pelas propaganda anti Stallman e vem reagindo ao conceito filosófico do Software Livre baseando-se no seu comportamento (anti) social. Em um mundo cada vez mais fútil e frívolo a imagem pesa muito. Cabelo cortado, um sorriso no rosto, uma pitada de maldade e boom! O que quer que o candidato a galã das seis, tenha a dizer, deve ser ouvido. Mesmo que não seja algo bom. Vide a forma como a mídia age de maneira condescendente com o Lunis Torvalds, mesmo sendo ele mesmo uma pessoa reconhecidamente rude.

A aversão à pessoa do Stallman é algo tão marcante que um colega do movimento, depois de uma longa conversa, em tom de brincadeira disse sofrer da “Síndrome de Stallman”. Então vamos tentar explicar isso e ver se, você, por acaso, sofre do mesmo mal?

Primeiro vamos conceituar: “Trata-se de uma reação visceral, subconsciente, instintiva de rechaço às conceituações filosóficas do Software Livre definidas pela Free Software Foundation, graças ao comportamento anti social, rude e indelicado do criador do Movimento, do projeto GNU e da sua Fundação. Sua principal característica é justificar o Software Livre usando conceituações da Open Source Initiative.”

Sintomas:

  • Repúdio visceral ao nome Stallman;
  • Incontida associação dos nomes GNU, FSF, Stallman ou GPL ao xiitismo como sinônimo de radicalismo inconsequente;
  • Convicção que Software Livre deve dar dinheiro de alguma forma, pois não há almoço grátis;
  • Sentir, que entender e praticar os preceitos filosóficos do Software Livre tem conotação religiosa;
  • Certeza de que liberdade é sim “liberdade de escolha”, inclusive a de usar Software Privativo;
  • Descrença por essa ideia de mudar o mundo, afinal de contas o mundo é capitalista e nada vai mudá-lo;
  • Calafrios sempre que alguém cita que Open Source e Software Livre são coisas diferentes;
  • Convicção que esse lance de GNU e Software Livre é coisa de comunista;
  • Discordar com veemência que Software Livre é um movimento social e político.

Se você sente três ou mais desses sintomas simultaneamente, então você sofre da Síndrome de Stallman. Provavelmente você é um militante, ativista ou simpatizante fervoroso do código aberto, que não aceita os supostos extremismos do Stallman. Durante seu tempo de uso do Software Livre, lentamente, sua percepção sobre a seriedade e comprometimento dos princípios do copyleft e suas implicações filosóficas foram se suavizando. Lentamente os apelos da simplicidade de uso das ferramentas privativas on-line, somados à simplicidade de instalação de “Linux” com partes privativas em qualquer notebook, somado ao seu fantástico smartphone, foram minando sua capacidade critica de combater o uso cotidiano de Software Privativo. Assim o discurso do Stallman e seu séquito, foi se tornando cada vez mais agressivo, surreal, inverossímil, apelativo e pouco pragmático. O que um dia era um sonho, uma utopia que te convenceu a usar Software Livre, foi convertido em certeza pragmática de que apenas o acesso ao código é o que importa.

E assim, você se convenceu de que continua sendo um defensor, ativista, fã de Software Livre e que foi o Stallman, a FSF e seus seguidores os que não evoluíram. Ficaram estacionados no tempo e na ingenuidade de fazer do mundo um lugar melhor. Ele são agora, mais que nunca, um bando de radicais intransigentes.

A Síndrome de Stallman é um acometimento que vai se tornando mais grave com o passar do tempo, culminando com o auto convencimento de que não foi você quem se transformou em outra pessoa, mas que o próprio Software Livre deveria ser aquilo que você quer que ele seja, deixando de ser o que sempre foi. Você deseja, do fundo da alma, que o Software Livre se adéque ao mercado, ao cotidiano, que seja mais maleável, compreensível e que não cause tanta controvérsia. A incapacidade de perceber que essas características nunca foram do Software Livre e sim do OSI é o ápice da síndrome.

Tem cura?

Como a maior parte das síndromes a cura é muito difícil, podendo até ser incurável. Mas as etapas são relativamente simples:

  • Assuma-se. Olhe para dentro de si e certifique-se de que realmente deseja lutar por um mundo melhor;
  • Separe a pessoa Stallman, do conteúdo de suas ideias. Não é porque ele é impaciente ou grosseiro que o que ele diz está errado;
  • Entenda de uma vez por todas que não há concessões plausíveis para o Software Livre. Quem cede, coaduna e se mistura com Software Privativo é OSI;
  • Tenha bem claro que Software Livre e Código Aberto são coisas bem diferentes. Misturá-las apenas reforça a síndrome em você e nos demais;
  • Reconhecer que foi você quem mudou é fundamental;
  • E finalmente, ter que decidir se vai voltar a defender o Software Livre, como ele sempre foi ou se vai assumir sua mudança, e passar a defender outro conceito, como o OSI, por exemplo.

Vencidas as etapas do tratamento, a sua vida será mais prazerosa e honesta, especialmente porque qualquer que seja o seu caminho, ele estará claro para você os demais ao seu redor. Assim o que o Stallman diz voltará a fazer sentido ou não terá a mínima importância.

Saudações Livres!

FONTE

 

Entrevista de Richard Stallman a Rádio Topo FM (Espanhol)

Written by Alessandro Moura on março 3rd, 2015

rms

Entrevista do nosso querido RMS em 26/02/2015 a Rádio Topo FM em Saragoça na Espanha, excelente. Áudio em espanhol.

FONTE

 

Lançada edição n.67 da Revista Espírito Livre

Written by Alessandro Moura on fevereiro 27th, 2015

Revista Espírito Livre - Ed. #067 - Outubro 2014

Revista Espírito Livre – Ed. #067 – Outubro 2014

Revista Espírito Livre - Ed. n #067

O mês de setembro já tem evento cativo em todo o mundo. Isso mesmo, o Software Freedom Day, que é o tema desta edição, acontece simultaneamente em diversas partes do mundo. Imagine só, você, no interior (ou não) de seu estado, tendo a oportunidade de organizar um evento que juntamente com outros, de todo o mundo. Porém, o mais importante não é o fato dele estar ocorrendo em diversos lugares, mas sim o propósito do mesmo: um dia dedicado ao software livre, uma celebração da liberdade dos softwares. Para quem não é da área, pode até achar engraçado, ter um dia dedicado à liberdade do software. Podem achar estranho alguns estarem lutando para prover liberdade a programas de computador, enquanto tantos humanos ainda estão presos. Mas trata-se justamente disso: o dia da liberdade de software visa prover a liberdade de software para humanos, como eu e você, que usamos computadores todos os dias. E pode até parecer que não, mas esta medida é altamente necessária, ainda mais em uma sociedade onde alguns sequer se preocupam com licenciamento de softwares ou ainda se os seus programas de computador estão bisbilhotando ou não as suas informações. Em um cenário cada vez mais comum de vazamento de dados, venda de informações por parte das grandes corporações, fazer uso de software livre não é luxo, e sim uma necessidade.

Imagine o dia em que você souber exatamente o que seus programas fazem com seus dados? Imagine só, ter a possibilidade de acessar tais dados, sendo programador ou não. Imagine poder auditar o que acontece lá nas profundezas do código-fonte. Agora deixe de imaginar e simplesmente torne realidade. O Software Freedom Day abre assim mais uma importante via de debate e discussão acerca deste relevante prática do uso e disseminação do software livre.

Acredito piamente que um evento que promova esta prática, é mais que bem vindo!