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Vídeo comemorativo aos 30 anos da Free Software Foundation

segunda-feira, fevereiro 23rd, 2015

Termina mais uma edição da Latinoware

quarta-feira, outubro 22nd, 2014

Palco para a apresentação das principais novidades em software livre do mundo, a 11ª edição da Conferência Latino-americana de Software Livre (Latinoware) terminou nesta sexta-feira, no Parque Tecnológico Itaipu. Durante os três dias do evento, que contou com 4.532 participantes, foram promovidas cerca de 250 atividades, somando mais de 350 horas de palestras, minicursos, workshops, mesas-redondas e outras ações ligadas ao universo da Tecnologia da Informação e do software livre.

A Latinoware 2014 reuniu estudantes e profissionais de todas as áreas da tecnologia da informação na discussão sobre a importância do software livre. Durante o evento, foram abordados temas como as tendências e o futuro do hardware; segurança e privacidade; novo conceito de desenvolvimento integrado com operações; modelagem 3D, fotografia panorâmica e videografismo com software livre; educação e robótica pedagógica; desenvolvimento e métodos ágeis; software público; cyberativismo, entre outros.

Considerada um dos maiores e mais importantes eventos do gênero no mundo, a Latinoware trouxe a Foz do Iguaçu participantes de quase todos os estados brasileiros. O Paraná foi o estado com o maior número de representantes – 1.768 – seguido do Rio Grande do Sul, com 450 inscritos, e Minas Gerais, com 446. Além dos brasileiros, 225 estrangeiros marcaram presença na Latinoware. O maior grupo foi o do Paraguai, com 214 participantes. Argentina, Equador, Estados Unidos, Inglaterra, México, Peru e Venezuela também contaram com representantes no evento.

Nesses onze anos, a Conferência acompanhou a verdadeira revolução do software livre no Brasil e no mundo. O constante processo de inovação permitiu que as ferramentas livres se tornassem, muitas vezes, uma alternativa superior em diferentes pontos em relação ao software proprietário. Além do espaço no mercado, outra conquista alcançada foi a inclusão do estudo de sistemas de software livre nos cursos da área.

A Latinoware é organizada pela Itaipu Binacional, Fundação Parque Tecnológico Itaipu – Brasil, Companhia de Informática do Paraná (Celepar) e Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Para esta edição, contou com o apoio do site Proteja seu Filho na Internet; Agenda-TI; Comunidade Gnu/Linux – Paraguai; Demoiselle Framework; Revista Espírito Livre; Tela Social; Coalti; Fórum Goiano de Software Livre; ThoughtWorks; e ABRAPHP.

FONTE: http://2014.latinoware.org/termina-mais-uma-edicao-da-latinoware/

Para Bárbara, Software Livre com amor

terça-feira, setembro 30th, 2014

Querida amiga, você pediu por uma resposta. Ela é longa e bem intencionada. A faço pública porque suas dúvidas e receios são também de outros.

Na Campus Party Brasil de 2014 tive o prazer de te conhecer, Bárbara Tostes. Naquele, então, estavas na equipe de curadores do eixo temático do Software Livre e te mostrastes uma pessoa muito sagaz, empreendedora, cheia de inciativa e especialmente criativa. Assumistes para si a interação com os participantes do evento pelas redes sociais. Com nítidas habilidades gráficas estava claro que esse, era também, teu trabalho, ou seja, fizestes das artes gráficas teu meio de vida e aplicavas nela todo o sentido crítico do seu curso de jornalismo.

Teu entusiasmo e personalidade me remeteram imediatamente aos primeiros ativistas de Software Livre que inundaram as primeiras edições do FISL e Latinoware. Então antes de mais nada, aqui há meu respeito e admiração pelo seu trabalho e ativismo. Em segundo, um tremendo carinho por ser, você, uma convicta e verdadeira ativista do Software Livre. E por fim, e mais importante, minha extrema preocupação pela sua absoluta inocência por não conseguir discernir Software Livre de OSI.

Como tenho dito em outros artigos, OSI e Software Livre não são a mesma coisa. Na verdade suas convergências são muito menores que suas diferenças. Enquanto um trata de filosofia, ética, moral e liberdade, o outro trata de mercados, finanças, técnicas e modelos de negócio. Então misturar as duas coisas não poderia terminar bem. Você, Bárbara é apenas mais uma vítima, dessa mistura. E a culpa é minha. Não só minha, mas de toda a comunidade de Software Livre que deliberadamente se deixou encantar pelos argumentos mercantilistas da OSI a uns 10 anos atrás.

Li seu artigo “como é difícil ser livre!”, externando sua inocência e perplexidade frente aos novos argumentos levantados pelos ativistas do movimento Software Livre, que estão tentando corrigir o erro histórico de ter misturado o mercantilismo OSI com a filosofia GNU. Eu incluído e citado.

Já no primeiro parágrafo você deixa claro que não percebeu a mistura homogênea que foi feita com o propósito de destituir o conteúdo filosófico do projeto GNU, quando fala nas Distribuições Linux. Permita-me te dizer que essa não é uma verdade. O Movimento Software Livre não usa um sistema Linux, não desenvolve um sistema Linux e não mantém um sistema Linux. O sistema é GNU. O kernel pode ser Linux ou não. Mas o sistema como um todo é GNU. Veja, no dia em que o kernel Hurd estiver usável e for feita uma distribuição usando-o, vamos chamá-la de distribuição Hurd? Pouco provável. Quer dois exemplos proprietários? Android e MacOS, usam kerneis livres. O primeiro Linux, o Segundo BSD. Não vejo ninguém chamando o MacOS de Distribuição BSD. Nem o Android de distro Linux. A lista de exemplos é imensa: Gnome ou KDE? Coloque o kernel no seu devido lugar: é apenas mais um componente do sistema GNU.

A marca Linux ganhou espaço na mídia e o consciente coletivo das massas, porque ele destitui o fator ideológico do nome do sistema operacional ao remover o GNU. Inclusive o Linus Torvalds tem um papel fundamental nesse processo por não dar a devida importância à liberdade. Como ele mesmo declara, ele “faz livre porque é divertido, o resto é bobagem”. Veja, o mesmo acontece com o termo “hacker”, que como todos nós sabemos, é algo bacana, legal, inteligente e excitante, mas que na mão da mídia marrom, se transformou em sinônimo de crime, ilícito, desajustado, terrorista…

Então se você defende a liberdade essencial, aquela que transforma a vida, não use mais “Linux” para definir o nome de nenhum sistema operacional Livre. O Linux é um excelente projeto de Software Livre, coordenado por um gênio que só olha par seu próprio umbigo. E nada mais.

E você, Bárbara tem toda a razão quando diz que ser livre é muito difícil. Guerras mundiais fora travadas em seu nome. Hoje o controle planetário pela disseminação e uso das redes sociais devassas tem tudo haver com a manutenção ou perda das mais elementares liberdades individuais. Você não precisa ter algo a esconder para ter direito a privacidade. Até porque, pense bem, se for assim, todos os que manifestarem interesse em tê-la serão alvos da curiosidade daqueles que não a querem permitir. Some à complexidade natural do tema, toda a pressão de marketing e ideologias do livre mercado, e teremos as reações mais absurdas, onde se justifica a perda da liberdade em nome de tê-la!

Confuso? Vou explicar, mas leia com calma os dois próximos parágrafos.

Por volta de 2004 a comunidade de Software Livre no Brasil estava completamente convencida de que a liberdade tecnológica era o caminho certo. O grande desafio era como fazer o GNU e sua filosofia chegar até as pessoas. A FSF, com o Stallman e Alexandre Oliva à frente, bradavam que o objetivo não era a a massificação, mas o entendimento, o convencimento. Qualidade sobre quantidade, pois de nada adiantaria criar uma massa de usuários de tecnologias livres se eles não soubessem o que estavam usando. A ignorância dos usuários seria o elo fraco que permitiria o a apropriação dos meios pelos poderosos, como sempre. E em contraponto estavam a Linux International, capitaneada pelo querido Maddog e Linus, e a OSI com seu maior expoente, Eric Raymon, que diziam exatamente o contrário: era necessário massificar o uso e a adoção a qualquer custo, em especial pelas empresas que são o motor da sociedade capitalista ocidental. Uma vez que a massa estivesse usando não seria nem necessário mais falar em liberdade, afinal, eles já estariam livres, certo? Dez anos depois, já podemos concluir quem tinha razão.

O Linux é sem dúvida um dos maiores e mais importantes projetos de Software Livre, usado em 9 de cada 10 distribuições GNU. Portanto é um programa crítico que não deveria ser “infectado” por software não livre de forma alguma! Mas o argumento de que a massificação faria a diferença foi tão contundente que, como comunidade, como grupo social organizado, permitirmos a inserção de código fechado nele, proprietário mesmo. Permitimos que nossa liberdade fosse cerceada, na busca por garanti-la e massificá-la. Faz algum sentido isso? Então agora a liberdade de escolha, aquela que você menciona, está entre escolher qual será sua distribuição GNU não livre. Que armadilha!

Deveríamos ter reagido! Deveríamos ter dito: ei! Nada disso! Os fabricantes de hardware que se ajustem, que abram seus drivers e façam maquinas compatíveis ou não compraremos seus equipamentos! Mas não fizemos isso. Porque não? Acreditávamos que se entregássemos os anéis, não perderíamos os dedos. E com a massificação do Software Livre – que agora nem é tão livre assim – estaríamos levando o melhor para as pessoas. Erramos feio. E estamos cometendo o mesmo erro com a adoção massiva das redes sociais devassas. Ativistas de Software Livre se lambuzando! Amanhã pagaremos o preço!

O Ubuntu surgiu como sendo a prova material de que era possível ter um modelo de negócio que respeita-se os conceitos filosóficos do Software Livre. Um distribuição GNU, jovem, com alto investimento financeiro, com estrutura profissional, com aquele jeito de empresa web, bom acabamento e um apelo intangível da inocência africana! Era quase como um ato de boa fé! Eu mesmo embarquei nessa em 2005 e fui usuário e disseminador do Ubuntu até novembro de 2012. Cheguei até a fazer um bordão com o significado, para provocar os amigos do Debian: “Ubuntu é uma palavra africana que significa Debian bem feito”. Provocação pura! Assim ajudei a disseminar o Ubuntu e a massificar o uso de “Linux”, como todos os demais ativistas de Software Livre! Estava militando no movimento social mais justo e revolucionário de que tenho notícia! Isso sem falar no meu uso do Gmail.

O que aconteceu em outubro de 2012 foi uma das maiores traições à comunidade de Software Livre mundial. Os detalhes e suas consequências estão descritas no artigo “Microsoftização da Canonical“, mas em resumo, eles inseriram um spyware no ambiente gráfico padrão sem avisar nada a ninguém! E como se não bastasse a violação total de confiança, quando foram confrontados com os fatos, recorreram a argumentação mercadológica de que “todos estão fazendo isso, então não é nada grave demais. Vocês, os radicais, estão fazendo uma tempestade em um copo d’água”. Desde então, minha confiança na Canonical e no Ubuntu foi reduzida a zero. Como confiar que essa é a única armadilha plantada sem conhecimento de ninguém? Afinal de contas as empresas de TI são repletas de ações anti éticas, amorais e mercadológicas que “todas fazem”. Na Canonical não podemos mais confiar. E mais uma vez, a comunidade Software Livre em vez de se indignar, reclamar e deixar claro que não admitiria tamanha traição, fez o oposto: se fez de cega, surda e louca. Deu de ombros, creditou mais uma paranoia à FSF e Stallman e continuou usando e disseminando o spyware disfarçado de Software Livre, como se estivessem no maravilhoso mundo de Alice!

Perceba que seu desejo é que as pessoas, prefeituras, bancos e demais usem Software Livre. Então nada de Ubuntu, pois ele vem com um kernel cheio de componentes não livres e com spyware. Nada mais parecido com o Windows! Tanto que o amigo Júlio Neves o batizou de “Linux 8″! Mas alguns pseudo ativistas, inebriados pelo mercantilismo conseguem a proeza de deformar tanto a lógica livre, que tem propagado que usar Ubuntu é o mesmo que usar Debian! Um absurdo completo! E se fosse um desqualificado a ter feito tal afirmação, ainda vá lá! Mas estamos falando de gente da própria comunidade Debian!

Mas nem tudo está perdido, pois parte da comunidade Software Livre percebeu o engodo: não podemos mais pautar a liberdade tecnológica pelo dueto da massificação e mercantilização. Lentamente os sistemas operacionais estão perdendo a importância, sendo trocados por serviços e aplicativos na nuvem. Inclusive os computadores, o hardware mesmo. Hoje se troca de celular, tablet ou notebook sem maiores traumas, afinal de contas os arquivos e aplicações podem ser restaurados com alguns cliques. E são esses os grandes serviços que representam a maior opressão às liberdades que tanto defendemos. Google, Instagram, Facebook, Dropbox, Skype, Netflix e mais um monte de aplicações proprietárias tem se apropriado das tecnologias livres, das falhas em nossas licenças, e especialmente da complacência da comunidade e dos movimentos, para repensar seus modelos de negócio da forma mais lucrativa para eles usando nossos meios de produção, ideias e trabalho colaborativo. Nenhuma preocupação com liberdades ou direitos, apenas massificação e lucros!

Então, Bárbara, se você queria muito que as pessoas, prefeituras, bancos, negócios e demais usassem “Linux”, pode relaxar: 90% dos smartphones do mundo usam Android. Seu maior desejo já é realidade. Sabendo disso, se pergunte como essa massificação no uso aumentou a autonomia, segurança ou liberdade das pessoas? Até onde consigo perceber, ao usar Andoid de fábrica, as pessoas estão carregando consigo sistemas de monitoramento em tempo real. Ao adicionar suas contas do Google e permitindo, automaticamente, que a mega corporação dos USA monitore cada movimento, ligação, mensagem, foto, desejo, ideia ou sonho, elas estão sendo mais livres? Mas pode ser ainda mais sinistro: estudo de caso feito pelo Facebook com 700 mil pessoas provou que eles são capazes, também, de influenciar diretamente o rumos e expectativas dos usuários! Não estão apenas monitorando, classificando, perfilando e categorizando. Estão gerando tendências artificialmente.

Sua insegurança é causada pelo choque de contrapor liberdade como algo que não pode ser conseguida sem um modelo de negócios que gere receita para pagar as contas. Essa é a grande mentira do sistema capitalista, onde o objetivo maior é ganhar dinheiro e não fazer as coisas do jeito certo. A concepção de que o objetivo maior é ganhar a vida antes de educar, ser educado, respeitar e ser respeitado é o que afoga a todos no mar de lama do consumismo. Como somos impelidos a nos classificar em sociedade, terminamos fazendo isso pelo consumo. Onde quem consome mais é melhor. Não se destaca quem respeita mais, ou quem ama mais, ou quem mais luta pelas minorias, ou quem, de fato, dedica a vida a defender a liberdade. A capacidade de acúmulo e consumo passou a definir quem se destaca. Antepor qualquer valor moral, ético ou até mesmo religioso a isso, te desqualifica em vez de te destacar.

Eu não estou me contrapondo a ganhar dinheiro. Não estou propondo viver de luz, nem nenhuma outra baboseira (me desculpem os bobos) desse tipo. Eu vivo de Software Livre! Ganho a vida da mesma forma que você e dos demais 95% dos humanos: vendendo minha força de trabalho. Viver de Software Livre é igual a viver de qualquer outro tipo de Software. É como plantar orgânico ou transgênico. Plantar é plantar oras! Mas o que se planta e como se planta, definira certamente o que se colhe. Eu planto Software Livre, sem agrotóxico, sem semente transgênica e sem atravessador. Quem me ensinou foi o Stallman.

Concordo muito contigo quando dizes “que não podemos ser livres assim, que não podemos mostrar a liberdade que temos (ou não temos), sem exemplos”. Nós, os ativistas de Software Livre devemos dar o exemplo do que é ser livre tecnologicamente, e devemos defender essa liberdade. Devemos não fazer concessões, não sermos coniventes, não sermos acomodados ou complacentes, além de não nos deixar levar pelas ondas mercadológicas. Como ativistas, devemos nos recusar a usar ferramentas proprietárias e devassas como Facebook e Gmail. Devemos refutar com veemência o Ubuntu pela sua traição. Não devemos assinar o NetFlix. Devemos retomar o curso da defesa do Software Livre e seus símbolos: FSF, GNU e Stallman. Olhar para trás, identificar o erro e corrigi-lo, como bons hackers que somos!

Um dia, muitos optaram por se libertar do Windows! E isso foi muito além de apenas não usar Software Proprietário. Fomos criticos contumazes de seu modelo de negócio, dos seus ardis mercadológicos e de se seus anseios monopolistas. O que difere as empresas que citei antes da Microsoft? Foi a promessa de que uma nova ordem estava se estabelecendo e que nós faríamos parte dela. Uma nova ordem tecnológica que levaria liberdade, segurança e autonomia ao usuário. Então, uma vez empoderado, nós, os humanos conectados, seríamos mais fortes e poderíamos usar esse poder para transformar o Mundo em um lugar melhor, mais justo, mais limpo, mais fraterno. Eu sonhei isso contigo e com muitos outros.

Mas a realidade é bem diferente. Ingênuos, fomos usados, fomos corroídos por dentro pelo movimento contra-revolucionário chamado OSI. Esse movimento infiltrou o mercantilismo e a complacência com o Software Proprietário, sob o argumento da massificação de seu uso, e promoveu o “Linux” sobre o “GNU”, os modelos negociais sobre as comunidades de usuários, o ganha-pão sobre o voluntariado, o Maddog sobre o Stallman, e como eles mesmo dizem, não veem mal algum em usar as redes sociais e serviços on-line privativos. Hora de reagir!

Então minha amiga. Concordamos que ser livre não é fácil. Será que concordaremos mais ainda?

Saudações Livres!

Por Anahuac de Paula Gil – FONTE: http://www.anahuac.eu/?p=475

Lançada edição n.62 da Revista Espírito Livre

terça-feira, julho 8th, 2014
Revista Espírito Livre - Ed. #062 - Maio 2014

Revista Espírito Livre - Ed. n #062

O calendário de eventos da comunidade de Software Livre no Brasil sofreu uma importante mudança em 2014. O Fórum Internacional de Software Livre – FISL, ocorreu em último mês de maio. Para quem está acostumado com o evento em meados de junho e julho sentiu a diferença. Mas qual o motivo da mudança da data? Simples, a Copa do Mundo da FIFA. Mas nem por isso o evento foi diferente dos anos anteriores. Aliás, houveram algumas mudanças e a principal delas a meu ver foi a nível de debates.

Em 2014, posso dizer que o nível de amadurecimento atingiu um novo patamar. Ah, e sim, sou fã de debates e discussões, mas adianto que gosto de debates proveitosos e inteligentes, aqueles que acrescentam e nos faz crescer. Debates que apresentam novidades e novas perspectivas, novas formas de pensar e analisar temas relevantes. E isso, o FISL15 proporcionou. Claro que nem todos entendem assim. Alguns acham que debates são desnecessários, que é puro blablablá, conversa pra boi dormir. Talvez por que certos debates em nada nos acrescenta. Reconheço que já presenciei alguns assim. Lamentável, mas recorrente em diversos lugares.

Quanto ao FISL15, digo que é o local perfeito para debates inteligentes e análises profundas sobre software livre, código aberto, licenciamentos, desenvolvimento, redes sociais e tantos outros temas que fazem parte de nossas vidas e que não encontramos um local interessante para levantar questionamentos. Na minha opinião, que venham novos momentos de discussão e análise profunda de conceitos, filosofias e aprofundamentos. E que haja respeito de ambas as partes, sem agressões verbais, obviamente.

Assim como nos anos anteriores, o encontro com amigos, a oportunidade de aprendizado e novos conhecimentos, as parcerias e caminhos que se abrem, são os ingredientes que tornam o FISL, um evento único. A organização novamente conseguiu em tempo recorde colocar a disposição dos mais de 4000 inscritos uma estrutura digna de nota com ótimos palestrantes e todo um ecossistema em torno deste imponente evento.

E como a própria organização do evento já disse: nos vemos em 2015!

FONTE: http://www.revista.espiritolivre.org/lancada-edicao-n-62-da-revista-espirito-livre

Pragmatismo Open Source ameaça o Software Livre – Por Anahuac da Paula Gil

quinta-feira, maio 22nd, 2014

É sério, tenho me sentido dentro de um episódio do fantástico Além da Imaginação, serie de TV dos anos 80 que colocava seus personagens em situações surreais. Num desses episódios um cara acorda e ninguém entende o que ele fala. As palavras estão trocadas, ou seja, tem significados diferentes. Na cena final, resignado, ele ouve o filhinho lhe ensinando que o ultimo dia da semana se chamava “dinossauro”. Tenho me sentido assim. Liberdade e coerência perderam completamente o significado. Entrei numa máquina do tempo ou perdi o bonde?

Em que momento Software Livre virou sinônimo de Open Source? Quando foi que GNU virou sinônimo de Linux? Quando foi que usar Facebook e Gmail passou a ser aceitável?

Como o significado mudou, o que eu escrevo não tem o efeito esperado. Os leitores reagem como se eu os estivesse ofendendo, acusando, diminuindo. Não dá para refutar a Lei da Gravidade nesta dimensão, é algo que se aplica a tudo e a todos. Não é uma ofensa pessoal lembrar as pessoas que ela existe e é imutável. Você tem todo o direito de se ofender, de berrar, de apontar minhas incoerências, me taxar de improdutivo, estrela, chato, feio e bobo. Mas adivinha? A Gravidade não vai deixar de existir por causa disso. Então vou repetir, de novo: Software Livre e Open Source Initiative não são a mesma coisa. Mas não tome a minha palavra apenas.

Na lista do PSL-BR, Bruno Souza, diretor da OSI, me deu uma explicação prolixa[1], dizendo que SL e OSI são de fato movimentos diferentes – obrigado Bruno –  mas que lutam pela mesma coisa: liberdade do código para proteger o usuário. Segundo a explicação o que diferencia o movimentos da iniciativa é a abordagem. A OSI teria um “aproach” mais pragmático, direcionado aos tomadores de decisão, empresários e pessoas que não entendem argumentos como liberdade e ética como vantagens competitivas em uma economia de mercado, então a OSI usa argumentos como qualidade de software, desempenho, custo e outros que soam mais atraentes para esse público. Segundo meu entendimento da lógica OSI a ideia é levar o código livre a maior quantidade possível de pessoas através do convencimento dos usuários e tomadores de decisão, inclusive sendo complacente com o uso de Software Proprietários e serviços privativos se isso for necessário. O objetivo é, no fim, popularizar o uso de softwares que tenham códigos disponíveis.

Enquanto isso no SL a preocupação é com os princípios éticos, ideológicos, sociais e políticos do uso de Software Livre e por conseguinte, dos malefícios do uso de Softwares Proprietários e serviços privativos. A abordagem é focada nos benefícios sociais, no combate às mazelas políticas e de controle impostas pelo código fechado. O “aproach” é mais na linha do “por um Mundo melhor”, algo meio hippie, meio ecologista, algo mais lúdico. Alguns, inclusive, definem essa abordagem de utópica. Como o próprio Stallman diz que o Software Livre é “um movimento social e político pela liberdade dos usuários de programas”[2]. Não se trata de fazer o programa ser mais vendável ou aceitável, é sobre convencimento ético e filosófico através do entendimento dos benefícios do uso de Softwares Livres. Dureza! Mas é isso.

Então temos duas formas de propagar uma ideia. Uma focada nos benefícios éticos e o outro nos benefícios comerciais. Eu não vou fazer juízo de valor. Resumindo é isso.

Compreendidas as diferenças elementares agora cabe avaliar a evolução do movimento e da iniciativa e ver como estamos hoje. Esta é a minha visão e pode não ser fidedigna e, talvez, nem mesmo realista. No decorrer da última década a abordagem da OSI foi extremamente bem sucedida, pois o convencimento pelos argumentos OSI massificaram o uso de softwares com código aberto para pessoas que nem sabem o que é isso. O Android é um excelente exemplo disso, por exemplo. Entretanto o companheiro de luta, o SL vem falhando fragorosamente. Trata-se de uma  relação inversamente proporcional: quanto mais usuários de softwares de códigos abertos, menos usuários nas fileiras do Software Livre. Porque será?

Permitam-me ir um pouco mais fundo na análise. Quando o movimento SL nasceu no Brasil, ele era eminentemente SL. Foi a convicção ética, social e política de que o Software Livre era bom para a sociedade que motivou a maioria dos ativistas. Foi baseado nessas premissas que se fundou o CIPSGA, o Projeto Software Livre Brasil , a ASL, o FISL e tantos outros exemplos. A prova disso são as infindáveis palestras sobre como ganhar dinheiro com Software Livre em quase todos os eventos. Fomos uma legião de ativistas que eram constantemente chamados de radicais pelas empresas de Software Proprietário e seus aliados. Essa foi a tônica até que o Google mudou a forma de lidar com o Software. A licença GPL define lealmente o que é Software Livre e ficava fácil distinguir. Com os serviços em nuvem a faixa cinza do que era ou não aceitável ficou muito maior. Era possível usar os serviços do Google, como Gmail, sem desrespeitar a GPL nem nenhum princípio explícito da FSF. Esse argumento foi usado massivamente por praticamente todos os ativistas.A GPL3 não emplacou.

Me lembro bem do primeiro FISL em que o Google apareceu nos crachás do evento. Minha primeira reação foi pedir uma caneta Pilot e riscar o nome dela. Lembro das caras de indignação de todos, afinal o Google era uma empresa “amiga” que estimula e contribui com o Software Livre e a prova estava ali, no patrocínio do FISL. Gastei muitas horas tentando explicar às pessoas o porque elas estavam erradas e como o Google se aproveitou das brechas da GPL2 e usando todos os argumentos comerciais tinha convencido a todos. Foi muito triste. Mas, vejam vocês: três anos depois eu mesmo me convenci de que não havia problema e criei minha conta no Gmail. E vivi feliz na “Matrix” por dois anos. Foram os argumentos de popularização, de massificação, de otimização e toda essa terminologia mercantilista associada à verdadeira funcionalidade de suas ferramentas que tinham me convencido. Porque não fui cativado pelo Windows, mas sim pelo Google? Agora éramos uma legião de ativistas de Software Livre que tínhamos sucumbido ao argumento OSI de atingir as massas através do pragmatismo mercantilista, enfurnados como felizes usuários de uma ferramenta proprietária e todos seus encantos.

O salto das ferramentas do Google para o Facebook, Skype, OS X, iPhones e outras é mais da mesma explicação acima. Trata-se da evolução lenta e gradual da complacência dos argumentos do “aproach” OSI de militância que permitiu atingir milhares de pessoas, mas usando as ferramentas e meios complacentes que o SL não aceita: uso do Facebook, catalisando as relações com a Apple que usa BSD, justificando a inserção de códigos proprietários no Kernel Linux, achando que a inserção de spyware no Ubuntu é algo irrelevante, e muito mais. E com esses resultados palpáveis para mostrar que sua forma de atingir o mesmo objetivo do Software Livre era certa, grupos de usuários inteiros, eventos inteiros e muitos radicais foram convencidos a também serem complacentes. Assim, de complacência em complacência, os ativistas que outrora se posicionavam pela forma SL de atingir o objetivo, migraram para a forma OSI de atingir o objetivo.

Essa migração natural é fruto da complacência pragmática do OSI. Fui vítima dela. Como disse num artigo anterior, é difícil trocar os confortos da Matrix pelo creme sintético à bordo da Nabucodonosor. As tentações são muitas, sejam comerciais, de alcance efetivo da militância. Quem pode desprezar o argumento de que de atingem, literalmente, milhões de pessoas usando o Facebook? Quem pode desprezar as pressões sociais de nosso modelo econômico lhe empurrando todo santo dia para o consumismo e portanto para o “ganhar dinheiro” é mais importante? Quem pode suportar todos os inconvenientes de não estar “na moda”, “na onda”, “com o melhor design”? Quem consegue suportara tudo isso mesmo vendo que seus companheiros de ativismo também estão nessa onda? Quase impossível. Sem nenhum medo de errar, só posso citar o Stallman. E é exatamente por isso que ele foi transformado em um “mal necessário”. Percebam a inversão da situação. Um dia o argumento era de que a convivência com o Software Proprietário seria “um mal necessário” para poder atingir nosso objetivo. Hoje, em quase todas as mensagens mais elaboradas vejo algo do tipo “os radicais são necessários”. O Stallman pela sua inabilidade natural de relacionamento interpessoal, tem sido agredido de todas as formas possíveis, exatamente porque ele não se deixa levar pela complacência.

Juntam-se então a fome com a vontade de comer: o pragmatismo técnico mercadológico dos argumentos OSI cai como uma luva na insaciável busca das corporações e governos de eliminar custos e aumentar produtividade sem nenhum questionamento ideológico. Empresas modernas e antenadas percebem a oportunidade e faturam, se apropriando da inteligência coletiva, do esforço de milhares para criar seus monopólios, suas redes sociais, seus dispositivos interconectados, sempre com o mesmo objetivo: ganhar para eles. Aos “bobinhos” do Software Livre organizam gincanas como o Google Summer of Code. Arregimentam os melhores do mercado do código aberto, agora para trabalhar internamente em suas super estruturas. Não é mera coincidência, no Brasil, que esses melhores eram também os líderes de diversas comunidades, grupos e eventos de Software Livre. É assim que o GNU se transforma em Linux. É o argumento OSI quem elimina o GNU.

Então, se SL e OSI são aliados para alcançar o mesmo objetivo, é chegada a hora de fortalecer os argumentos Software Livre e ver se podemos nos beneficiar dessa massa de usuários para trazer a tona os aspectos éticos e filosóficos. Esse sempre foi o papel do FISL, por exemplo, trazer todos para um centro de convivência onde se buscava a demonstração clara de que se pode transformar o mundo não apenas usando programas de código aberto, mas entendendo os princípios éticos e o alcance transformador de sua ideologia.

Quando preconizei a morte do Movimento Software Livre, me referi à busca pelo convencimento através de argumentos baseados na ética, na ideologia, no movimento transformador social e político. Se o crescimento da massa de complacentes continuar nesse ritmo, muito em breve não haverá mais efeito transformador algum, pois as ferramentas em nuvem que não desrespeitam as liberdades do usuário serão absolutas e dentro delas estará um seleto grupo de produtores de Softwares abertos que não tem a menor percepção da importância de seu código ser aberto. O movimento Software Livre e seus argumentos serão suplantados pelo pragmatismo mercadológico.

Acredito que agora ficou fácil de perceber que é exatamente esse pragmatismo e complacência que o OSI implementa o maior responsável pela redução do entendimento ético e ideológico do Software Livre. Portanto eu acredito que está na hora de fazer uma desassociação do OSI. Em minha opinião o objeto final do método OSI pode até ser o mesmo que o do Software Livre, mas estou convencido de que seus meios terminarão por extingui-lo. Nós, os defensores do Software Livre, se não sairmos das redes sociais devassas, se não deixarmos de usar Ubuntu, se não tornarmos inaceitável o uso de Gmail, Skype, iPhone, se não migrarmos para redes sociais livres e federadas, se nos não formos capazes de gerar um antagonismo a tudo isso como fizemos com o uso do Windows, seremos extintos.

Não serei hipócrita, pois nunca fui. Incongruências e incoerências todos temos. O problema é que esse pragmatismo OSI, que leva à complacência, que confunde, tem se tornado o padrão do movimento. A relação de incoerência é de 95% incoerente para 5% coerente. Temos que fazer algo para trazer essa relação para patamares mais próximos de nossos interesses como Movimento Software Livre. Há alguns anos poucos se arriscariam a fazer uma palestra usando Windows ou Mac. Hoje é quase maioria. Há alguma coisa fora da ordem.

Por isso, para que não haja nenhuma dúvida: muito menos OSI para que possa haver muito mais Software Livre.

Saudações Livres

Links

1 – http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-brasil/2014-May/002006.html
2 – https://www.youtube.com/watch?v=MKDn9quw5sc

 

FONTE: http://www.anahuac.eu/?p=398

FISL já tem data e atração confirmadas para a edição de 2015

segunda-feira, maio 12th, 2014

A 16ª edição do Fórum Internacional Software Livre (FISL16) será entre os dias 8 e 11 de julho de 2015 no Centro de Eventos da PUCRS.

A quantidade de interessados em debater e aprofundar o software livre faz com que a tecnologia se renove a cada ano. Nem mal encerrou as atividades em 2014, o Fórum Internacional Software Livre (FISL) começa a articular a próxima edição do evento. Os aficionados pelo assunto já podem reservar os dias do FISL16 na agenda à partir de hoje. Em 2015, o evento acontecerá entre 8 e 11 de julho no Centro de Eventos da PUCRS.

Os quatro dias do Fórum Internacional Software Livre (FISL) deste ano apresentou números significativos de interação e participação de público. Mais de cinco mil pessoas participaram de palestras, oficinas e estandes. O evento teve em 2014 a presença de representantes de 21 países. Além do Brasil o maior número de representantes vieram de Estados Unidos, Uruguai, Argentina, México e França.

A Revolução Energética é um dos temas que mais cresce entre os ativistas do software livre. Dentre as inovações do tema está o QEG, primeiro gerador livre de energia livre, ou seja, o primeiro gerador que transforma uma unidade de energia em dez unidades de energia. O grupo espanhol Islas Canarias, responsável por aprofundar a tecnologia de Nikola Tesla, já demonstrou vontade de participar do próximo FISL e deverá demonstrar o advento em 2015 em Porto Alegre.

O Fórum Internacional Software Livre (FISL) é organizado pela Associação Software Livre (ASL). Todas as informações do evento podem ser obtidas através do site www.softwarelivre.org.

China quer aproveitar fim do suporte ao Windows XP para fazer o Linux vingar

segunda-feira, maio 12th, 2014

Windows, OS X, Android, iOS… os sistemas operacionais mais populares do mundo têm pelo menos uma coisa em comum: nenhum é feito na China. Cansado de usar software estrangeiro em seus computadores, o país quer promover um sistema operacional próprio para desktops.

Segundo o Sina News, a TV estatal chinesa (CCTV) divulgou um novo projeto do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação: um esforço para que usuários de PCs domésticos abandonem o Windows XP em favor de um sistema nacional.

Desde 8 de abril, o Windows XP não recebe mais suporte da Microsoft: ou seja, ele não tem mais atualizações nem correções de segurança. Esta notícia atingiu forte a China, já que o XP está presente em metade dos PCs no país.

De acordo com a TV chinesa, o Ministério está apoiando um sistema operacional baseado em Linux, feito para uso doméstico. A CCTV salienta a importância de usar um produto de fabricação doméstica, e também usa o argumento de segurança nacional para tornar o OS mais atraente.

red flag linux china

Toda essa conversa sobre um novo sistema operacional é bem interessante. A China já fez esforços para criar um sistema operacional interno, mas eles fracassaram: o mais famoso, o Red Flag Linux – basicamente um clone do Windows XP – foi abandonado no início deste ano.

A ideia de fazer um OS nacional não é apenas ligado a PCs: ela também vale para dispositivos móveis. O governo chinês vem procurando maneiras de ruir o domínio do Google e Android. No ano passado, a empresa chinesa Hammer Technologies lançou o “Smartisan OS“. Um ano depois, quase todo mundo ainda usa iOS e Android por lá.

smartisan os china

Por que nem mesmo os próprios chineses estão usando um OS nacional? Simples: falta um ecossistema rico de aplicativos. No Red Flag Linux, não há uma central de apps como no Ubuntu, por exemplo – só alguns programas embutidos e pronto.

E os sistemas móveis que poderiam ser chamados de “chineses” são, basicamente, skins em cima do Android. Xiaomi OS, Color OS, ou qualquer outro feito por uma fabricante chinesa de celulares é basicamente um Android com interface personalizada, e nada muito além.

De acordo com o ministério, sistemas operacionais nacionais respondem por cerca de 1% do mercado de PCs da China, mesmo sendo realmente gratuitos. Os desenvolvedores de OS colocam a culpa nas fabricantes de hardware, alegando que seu fracasso vem da falta de suporte.

Tal como está agora, a China ainda está tentando criar seus próprios sistemas operacionais. O governo chinês roda em Windows, e a CCTV diz que, com o fim do suporte ao XP, há uma oportunidade de um sistema nacional preencher a lacuna. Pelo menos seis empresas diferentes em Pequim estão competindo para criar esse sistema operacional. Só o tempo dirá se a China vai criar algo próprio. [TechWebSina News]

FONTE: http://gizmodo.uol.com.br/china-windows-xp-linux/

Vídeos do FISL15 produzidos pela TV OVO

segunda-feira, maio 12th, 2014

Abaixo estão os vídeos produzidos pela equipe da TV OVO durante o #FISL15.

FISL encerra com um legado de conhecimento e muitos desafios pela frentes

segunda-feira, maio 12th, 2014
fisl16

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Consagrado como um dos maiores eventos de Software Livre do mundo, o Fórum Internacional Software Livre (FISL) encerrou sua 15ª edição neste sábado (10/05). Nos quatro dias de evento, que iniciou na quarta-feira (07/05), 6.017 pessoas participaram de diferentes palestras e oficinas.

O evento mostrou que a tecnologia baseada em compartilhamento de conhecimento pode estar à serviço da cidadania, seja através de software, hardwares, redes, internet, educação, energia e cultura digital.

Segundo balanço da organização do FISL foram 388 palestras que totalizaram 508 horas. O coordenador geral do FISL15, Ricardo Fritsch destacou a grande participação de público e a alta qualidade das palestras e paineis apresentados.

– O que todos queremos é a tecnologia que liberta, ou seja, meios que nos permitem compartilhar, viver e exercer a cidadania de forma colaborativa na qual todos saem ganhando – afirmou.

O evento contou com a participação de 23 patrocinadores, 58 expositores e 16 Grupos de Usuários.

A caravana com o maior número de participantes do Rio Grande do Sul foi a UFSM – CAFW (Frederico Westphalen), com 108 participantes.

A caravana com o maior número de participantes de fora do Rio Grande do Sul foi do SENAI Jaraguá do Sul (SC) com 50 presentes.

A caravana mais distante foi IFRN PDF, da cidade de Pau de Ferros, no Rio Grande do Norte com 19 participantes.

O destaque na participação internacional ficou por conta dos Estados Unidos com 21 presentes. A segunda maior representação de fora do país foi o Uruguai com 16, seguido de Argentina com 9 e México com 8. O evento teve ainda participações de França, Canada, Alemanha, Paraguai, Venezuela, Holanda , Suíça, Bélgica, Dinamarca, Equador, Índia, Itália, Peru, Portugal, Rússia e Reino Unido.

Dentro do Brasil, o maior número de visitantes foi do Rio Grande do Sul (1909) seguido de Santa Catarina (646), Paraná (185), Distrito Federal (129), Rio de Janeiro (129), São Paulo (116), Bahia (69), Espirito Santo (67), Rio Grande do Norte (45) e Minas Gerais (29). Também houve participação de representantes do Pará, Goiás, Tocantis, Ceará, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Alagoas, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco

Dados de Internet durante os 4 dias de evento

  • Pico de download alcançado: 180 Mbps (Mega bits por segundo)
  • Total de dados trafegados com a Internet: 1,75 Tera bytes sendo 20% em IPv6
  • Número de urls diferentes requisitadas: 181000
  • Número de salas com streaming: 7
  • Número de visualizações de palestras online pela TV Software Livre: 60177 hits
  • Número de hits da rádio Software Livre: 20392 hits
  • Número de horas de palestras gravadas e transmitidas: 250h
  • Quantidade de dados de streaming gravados: 18GB (Giga bytes)
  • Quantidade de dados de streaming transmitidos para a Internet: 400GB (Giga bytes)

É possível assegurar a privacidade na Internet?

A pergunta norteou muitas palestras e oficinas da 15ª edição do Fórum Internacional Software Livre e foi o destaque dos quatro dias de evento. A recente aprovação do Marco Civil da Internet rendeu muitos debates sobre o futuro do tema no país. Uma certeza rondou as conversas ao longo dos dias: o Brasil está fazendo história com a nova regulação.

– Enquanto a maioria dos países está aprovando leis que criminalizam a prática cotidiana das pessoas na Internet, leis que inclusive querem aumentar o controle e o bloqueio da Internet, o Brasil foi numa outra direção. Aprovou uma lei para garantir a liberdade de uso e a liberdade de expressão e de criação. O coração dessa lei é a defesa da neutralidade da rede – destacou o professor da Universidade Federal e ativista do Marco Civil na Internet, Sérgio Amadeu.

As vitórias e as derrotas do processo de aprovação do Marco Civil esteve em pauta durante o FISL. De acordo com a palestrante Maria Melo, ativista que defendeu a aprovação do Marco Civil da Internet, a legislação foi uma garantia da democracia e liberdade para todos os cidadãos, mas o momento não é de relaxar.

– Temos uma série de desafios pela frente. Precisamos manter a sociedade civil unida e atenta porque depois de aprovado e sancionado ainda temos questões que precisam ser regulamentadas e isso vai ser feito através de consulta pública. O fundamental é destacar sempre que não se trata de um projeto de governo e sim uma ação que é feita e direcionada para toda população – disse.

Também ativista da aprovação, Marcelo Branco participou da elaboração inicial da ideia, quando ainda não se falava em regulação da internet no Brasil. Porém, ele acredita que alguns pontos devem ser observados e alterados para evitar contradição.

– O ponto que não ficou como nós gostaríamos, e que nós queríamos que tivesse sido vetado, é o artigo 15ø. Ele obriga a guarda de conteúdo pelas corporações. Dependendo da regulamentação, que estamos lutando agora, pode ser contraditório com o discurso da presidenta Dilma Rousseff e da luta da defesa da privacidade dos usuários da rede. Possibilitaria uma vigilância em massa dos brasileiros. Estamos mobilizados para neutralizar os efeitos nocivos desse artigo – afirmou Marcelo Branco.

Em decorrência dos fatos anunciados por Edward Snowden, quando tornou público detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana, somada a recente instauração do Marco Civil da Internet no Brasil, o FISL tinha motivos de sobra para ser alvo de muito debate entre os participantes. As teses contemplaram, inclusive, os reais objetivos de Snowden ao divulgar as primeiras informações sobre a espionagem americana.

– Fica difícil entender porque Snowden ainda está vivo, depois de ter feito isso. Demorou dez dias para o Governo dos Estados Unidos reagir, e quando isso aconteceu, foi por meio de um relatório mau preenchido pedindo a deportação de Snowden de Hong Kong. Há muita coisa mal explicada na história. Para mim, se encaixa melhor a tese que se trataria da parte essencial de um projeto totalitário, que busca acostumar o povo a este problema, em busca de um cerco verdadeiro e feroz contra a liberdade de expressão na internet que pode ocorrer em breve – considera o professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Rezende.

Até mesmo o termo publicado pela grande mídia e atribuído as atividades dos Estados Unidos foi tema de discussão. O uso da palavra “espionagem” foi contestado.

– Eu distinguo bastante o termo “espionagem” de “vigilantismo”. A espionagem sempre existiu como uma atividade militar, que busca levantar informações sobre um alvo específico. O vigilantismo é a instrumentação do poder para obter o controle social. É atacar agora, para filtrar os dados conforme a necessidade futura. É muito mais sério do que espionagem – aponta Rezende.

De acordo com co-fundador do grupo de advogados defensores dos direitos fundamentais dos cidadãos e da liberdade online, La Quadrature du Net, Jérémie Zimmermann, crescemos em meio a máquinas que eram “amigas” e estavam a serviço dos homens. Atualmente, este relacionamento está invertido.

– Eu tinha um computador da Atari que descriminava cada microchip em seu Manual de Instruções. Se você tivesse a paciência e o ‘nerdismo’ para ler tudo, podia ter o conhecimento sobre todo seu funcionamento. Hoje, possuímos máquinas que são inimigas, que não podemos nem remover as baterias e contém diversos chips que não sabemos para que servem – aponta Jérémie.

Segundo um dos mais antigos funcionários da organização sem fins lucrativos que visa proteger a liberdade de expressão, Eletronic Frontier Foundation, Seth David Schoen, é importante repensar as limitações do Software Livre, pensando não apenas no seu potencial.

– Estamos no FISL falando sobre a era da espionagem. Seria interessante não somente pensar sobre a potencialidade que temos nas mãos, mas sobre o que podemos alcançar na prática atualmente. Não foi hoje que começou a era de espionagem, mas o uso dos equipamentos aumentou tanto, que podemos estar sendo escutados por alguém de fora por meio de um celular ou uma brecha na rede – revela Schoen.

Educação foi destaque no FISL

Um dos destaques do FISL15 foi um local dedicado aos apaixonados pelas técnologias da robótica. De acordo com o coordenador do Espaço Robótica, Eloir J. Rockenbach, o evento deste ano atendeu às expectativas do grande público e a perspectiva é que o estande aumente para as próximas edições.

– O Espaço da Robótica desse ano foi fantástico. Atendemos a expectativa do público e observamos que o local estava sempre com lotação máxima e me deixa muito alegre. Dá uma sensação de alívio e de missão cumprida. Para 2015, queremos que esse espaço siga trazendo novas metodologias e trabalhando a robótica livre – ressaltou Eloir J. Rockenbach.

Integrando educação e software livre, o Espaço Paulo Freire apresentou muita procura por professores que, desde o ensino fundamental até a faculdade, querem levar inovações do FISL para as salas de aula. Segundo a coordenadora do Espaço Paulo Freire, Cllarica Lima, os professores demonstraram o desejo e a necessidade de participar do movimento software livre.

– O espaço sempre foi muito bem sucedido no FISL, mas esse ano foi uma explosão muito boa. Houve momentos em que precisamos abrimos um estande extra para que mais pessoas pudessem acompanhar as palestras. Esse ano nós tivemos transmissão pela rádio pois a demanda foi muito intensa. Eu explico o sucesso pelo fato de ser um espaço elaborado por professores para outros professores – garantiu Cllarica Lima

Papa do Linux esteve entre nós

Uma das maiores autoridades mundiais em Software Livre, Jon “Maddog” Hall, que palestrou no evento destacou a importância para os jovens da implantação da política de códigos abertos na internet.

– Existem muitos estudantes aqui presentes e eles, por exemplo, adorariam estar trabalhando desenvolvendo melhorias em um software. O avanço do software livre na comparação com o software proprietário é esse, porque eles conseguem ver um código-fonte, arrumar, trabalhar e encontrar, assim como experts no assunto, oferecer novas possibilidades. Quando se tem um problema num programa de grandes empresas, por exemplo, eles jamais conseguirão fazer algo – disse.

O palestrante ilustrou uma curiosa situação bem humorada vivida em um dos grandes eventos internacionais perguntando: Quantos de vocês já tiveram algum problema com software proprietário?

– De 4 mil pessoas que estavam presentes 3.999 levantaram a mão dizendo sim. O único que não levantou a mão estava dormindo – disse.

Interatividade presente no FISL

Uma das novidades desse ano no FISL foi a plataforma Tela Social – uma solução em sinalização digital, totalmente desenvolvida em software livre As tradicionais programações impressas foram totalmente substituídas pela tecnologia, que, além de ser ambientalmente correta, ainda possibilita uma comunicação mais interativa e criativa com os participantes do evento.

A Tela Social é utilizada pelo Fisl desde 2011 e, nesta edição, está ainda mais dinâmica e interativa. São cinco TVs que exibiram a grade de palestras, sendo que três delas ainda contam com a integração das redes sociais Twitter e Instagram. Todas as fotos e mensagens postadas nas duas redes, com a hastag “fisl15”, são automaticamente exibidas nas telas, despertando o interesse em colaborar com o projeto.

Fotos! Fotos! E mais fotos!

Anti OSI – Por Anahuac de Paula Gil

quinta-feira, maio 8th, 2014

O que não consigo mais conceber é que eu seja um radical livre dentro da suporta comunidade de radicais livres do suposto movimento Software Livre.

Eu não mudei, as 4 liberdades não mudaram, o conceito filosófico do Software Livre não mudou. Quem mudou foram “vocês”, usuários de Softwares Proprietários e redes sociais devassas e serviços cloud privativos, que tem a cara de pau de se definirem como ativistas Software Livre!

São vocês, os incoerentes, que se tornaram complacentes e criaram uma nova categoria de ativistas cibernéticos que não lutam mais, não se movimentam mais, que não transgridem mais. Na verdade é o oposto, se renderam às facilidades dos serviços prontos, ao comodismo do pacote fechado, do argumento do todos estão lá.

Sinto vergonha alheia quando vejo um coordenador de evento de Software Livre usando iPhone e se justificando que ele tem a liberdade de escolha. Me causa tristeza ver o especialista em segurança palestrar sobre proteção a privacidade usando Facebook. Me falta ar ao ver os um dia vanguardistas do Projeto Software Livre Brasil, se justificando por fomentar o uso das redes sociais devassas, sem perceber que estão na jaula de ouro.

Quero muito poder me reunir com meus iguais outra vez. Mesmo que sejamos poucos. Já fomos poucos antes. Eramos um “bando de irmãos” que acreditávamos que não havia desculpa possível para usar Software Proprietário. Nem comodidade, nem preço, nem liberdade de escolha: GNU e nada mais.

Urge que os defensores do modelo OSI de militância e modelo de produção mostrem suas caras e deixem de confundir as pessoas. Software Livre não é, por definição, tolerante com as transgressões a sua filosofia. Não gosta? Saia. É seu direito. Mas não se apresente mais como membro e defensor de algo no qual você não acredita. Isso só faz de você um sabotador. Seja honesto com você mesmo e saia. Reavalie seus conceitos e fique.

Eu não defendo os ideias do Código Aberto. Eu sou defensor do Software Livre. GNU mais que Linux, Stallman mais que Jobs, GPL mais do que qualquer licença OSI, Hacker mais que Cracker e privacidade acima de tudo.

Se não for suficiente o argumento, então serei seu pior pesadelo.

Saudações Livres!

FONTE: http://www.anahuac.eu/?p=371