junho 19th, 2011

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Liberdade vigiada no mundo virtual

domingo, junho 19th, 2011

Perfis em comunidades têm hoje tanta utilidade para os empregadores quanto currículos.

Ferramentas de comunicação rápida, vitrines profissionais, espaços para relacionamento. Para que servem as redes sociais? Muitos ainda têm dúvidas e evitam se conectar. Mas se a ideia é fazer uso dessa tecnologia, é importante levar em conta que, na vida pessoal ou na carreira, podem haver ganhos ou prejuízos. Diretora geral do iDigo — Núcleo de Inteligência Digital, Joyce Jane observa que, atualmente, um perfil virtual tem tanta utilidade quanto o clássico currículo na avaliação de candidatos.

“Entre os motivos apontados por empregadores para não contratar profissionais em função do que viram nas redes, estão vazamento de informações relacionadas a empregos anteriores, comentários negativos sobre chefes e colegas, relatos de situações ilícitas ou de má conduta, fotos comprometedoras, como usando drogas, além de excesso de erros de gramática”, relaciona Joyce.

Para ela, opiniões bem consolidadas, ponderadas, mesmo que contrárias à do leitor, ajudam a formar imagem positiva. Por outro lado, a falta de cuidado nas redes — como emprego de expressões grosseiras e pontos de vista que demonstrem falta de caráter, ética e comprometimento — pesa negativamente, defende. Assim como analisam a qualificação técnica, diz a executiva, as empresas estão cada vez mais interessadas em traços pessoais.

Coordenadora de Gestão de Carreiras da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Janete Teixeira Dias ressalta o fato de as redes sociais serem campo muito novo. “A rapidez desse recurso, porém, leva o usuário a postar em perfis do twitter e do Facebook, por exemplo, sem pesar os desdobramentos”, constata Janete.

Ela lembra que há softwares que rastreiam tudo relacionado ao nome de uma pessoa e que tenha sido publicado em comunidades: “Hoje, busca-se liberdade nas relações de trabalho, mas é ingênuo achar que exposição não impacta a vida profissional”.

Uma nova área profissional

Estudante de Publicidade e Propaganda da UFRJ, Gabriel Sampaio, 21 anos, trabalha em área que surgiu por consequência da expansão das comunidades. Ele foi contratado para cuidar de mídias sociais na casa de entretenimento Lapa 40 Graus, no Centro Histórico do Rio, e elabora as promoções. Usuário de twitter, Facebook e Orkut, ele conta que não tinha critérios e passou a ser mais discreto após receber toques de amigos: “Hoje, procuro me policiar”.

Mas Gabriel separa o que diz ser vida social e vida pessoal, o que abre discussão para a confusão em relação à exposição pública. Na verdade, uma vida não está dissociada da outra. Relacionamento nas redes diz respeito ao universo social, mas também pessoal, porque enseja posturas e interação, a não ser que o dono do perfil seja mero observador.

“Tento ser o mais natural possível. Tem gente que desabafa, dá conta do que está fazendo e para onde vai viajar. Fala de sentimentos. Há um limite”, diz ele, explicando que só fala sobre sua vida em um contexto em que só as pessoas que o conhecem vão entender. Será?

Joyce Jane, do iDigo, tem dicas para quem não quer escorregar: “Todo mundo tem direito de brincar, se soltar, ter uma vida além do profissional. Só é preciso tem bom senso sobre o risco de se expor”.

DICAS DO IDIGO

  • VALORES
    Não é difícil ver pessoas falando mal do chefe ou da empresa em que trabalham nas redes. Isso é muito ruim. Cada vez mais, as empresas estão interessadas em características pessoais dos profissionais, valorizando caráter, comprometimento, espírito de equipe, liderança e outras.
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  • AFINIDADE
    Se o objetivo é uso profissional, o ideal é a pessoa seguir quem recomenda ou produz informações relevantes; participar de comunidades da área de interesse; fazer conexões no linkedin com usuários que tenham propostas afins; trocar ideias no Facebook com amigos que tenham as mesmas afinidades.
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  • ETIQUETA
    Valem todas as regras de educação em comunidades, aliadas a boas doses de bom senso. Há casos de pessoas demitidas porque falaram mal de cliente, empresa em que trabalham, chefe ou fizeram brincadeiras de mau gosto.
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  • NÃO SEJA CHATO
    Muitos passam o dia gerando conteúdo, às vezes, sem importância. Além de se tornar chatos, passam impressão de desocupados.
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  • CONFIGURE
    Redes podem ajudar muito profissionalmente. São espaços para compartilhar ideias, informar-se. É importante também se reservar, optando pelas configurações de privacidade.

Fonte: O Dia – http: // odia terra com br