julho, 2011

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Lançado o Oracle VM VirtualBox 4.1

quinta-feira, julho 28th, 2011

A Oracle acaba de anunciar o lançamento do VirtualBox 4.1 – o primeiro grande upgrade após a aquisição da SUN pela companhia. Com mais de 26 milhões de downloads até agora, o VirtualBox é sem dúvida alguma uma das ferramentas mais utilizadas para virtualização de hosts e sistemas operacionais guest. Você já pode fazer download desta nova versão do VirtualBox pré-compilada para sistemas hospedeiros Windows, Linux, MAC OS X e Solaris.

De acordo com a própria Oracle, os aprimoramentos do VM VirtualBox 4.1 incluem:

  • Novo recurso de clonagem de máquina virtual, com o qual os usuários podem criar clones das VMs atuais ou mesmo snapshots (instantâneos) específicos, com toda a facilidade. Para economizar espaço, os usuários também podem criar clones completos ou vinculados.
  • Suporte aprimorado e ampliado a sistemas, inclusive VMs hosts e guests, com até 1TB RAM e escalabilidade para mais de mil VMs em um único host.
  • Acesso remoto aperfeiçoado permitindo que as VMs acessadas a distância vejam e usem todos os monitores como se estivessem conectadas localmente.
  • Suporte ampliado a diferentes plataformas permitindo que hosts e guests ofereçam suporte para as mais recentes plataformas Windows, Linux, Oracle Solaris e Mac.
  • Suporte ao Windows Aero, permitindo que os guests do Windows 7 possam usar a transparência e outros efeitos da interface Aero.
  • Suporte ampliado ao script das VMs possibilitando que os administradores criem ações automatizadas para as VMs, como copiar arquivos e executar instalações e tarefas de configuração, entre outras.

FONTE

Ministro Aloizio Mercadante propõe que Brasil e Uruguai criem centro para produzir software livre

quarta-feira, julho 27th, 2011

Em encontro realizado na capital uruguaia, Montevidéu, o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, defendeu a criação de um centro binacional (Brasil-Uruguai) para produzir software livre e que forme recursos humanos na área. A iniciativa seria patrocinada com parte dos recursos do Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul), que tem a previsão de destinar US$ 1 bilhão para pesquisas e desenvolvimento, até 2016.

Também de acordo com notícia divulgada pelo próprio Ministério da Ciência e Tecnologia, Mercadante sugeriu o uso do Focem para expansão das redes de banda larga destinadas à transmissão de dados e estudos científicos e tecnológicos entre Brasil e Uruguai.

De acordo com o ministro, o Uruguai é considerado um parceiro estratégico na área de ciência e tecnologia por suas realizações. O país já concluiu a inclusão digital de todas as escolas públicas e distribuiu um computador portátil por aluno. Além disso, ele participa do projeto Mercosul Digital, voltado a criar protocolos e procedimentos para estimular o comércio eletrônico para pequenas e médias empresas.

O medo que não ousava dizer o nome

segunda-feira, julho 25th, 2011

Timothy Garton Ash – O Estado de S.Paulo

O drama da Grã-Bretanha penetrou até na carapaça de egocentrismo americano. O lendário repórter Carl Bernstein o compara a Watergate. Na TV, Hugh Grant conclama os americanos a acordarem para a influência perniciosa de Rupert Murdoch em sua mídia. O senador John D. Rockefeller pede uma investigação das atividades da companhia controladora de Murdoch, News Corp., preocupado com a possibilidade de grampo de telefones americanos. Se for verificado que parentes das vítimas do 11/9 foram visadas, como sugeriu o parlamentar britânico Tom Watson nos questionamentos dessa semana ao premiê na Câmara dos Comuns, esta não será mais apenas uma história estrangeira. Só na Fox News, que pertence a Murdoch, é como se nada disso houvesse realmente acontecido. Um clipe do Fox News Watch mostra os comentaristas brincando com a única história que eles não vão discutir. Vigilância da notícia, com certeza…

Mas o que isso tudo significa? “Uma espécie de primavera britânica está a caminho”, escreve o colunista de mídia David Carr no New York Times. “A democracia, ajudada pela luz do sol, brotou na Grã-Bretanha.” Hipérbole, é claro, mas ele tem alguma razão.

Eu colocaria a coisa da seguinte maneira: a debacle de Murdoch revela uma doença que vem obstruindo lentamente o coração do Estado britânico nos últimos 30 anos. É o enfarte que previne a pessoa que ela está doente, mas também lhe dá a chance de sair mais saudável do que estava. A causa fundamental dessa doença britânica tem sido o poder exacerbado, implacável e fora de controle da mídia; seu principal sintoma é o medo.

A conversa sobre uma primavera britânica por analogia com a árabe é obviamente uma licença poética. Comparada com a maioria dos outros lugares do mundo, a Grã-Bretanha é um país livre. De muitas maneiras, é um país melhor agora do que quando Murdoch comprou The Times (of London, como os jornais americanos sentem necessário acrescentar) em 1981. Mas no alto da vida pública britânica circulam homens e mulheres com pequenos pingentes de medo nos corações, e o medo é inimigo da liberdade.

Esse era um medo que não ousava dizer o seu nome; uma covardia autocomplacente que se ocultava em silêncio, eufemismo e desculpa. Intimamente, políticos, consultores de imagem, relações públicas, figuras públicas e, agora se sabe, até quadros superiores da polícia disseram a si mesmos: não ataque Murdoch. Jamais vá contra os tabloides. Murdoch & Co. usaram intromissões vergonhosas, inescrupulosas e ilegais na privacidade tanto para vender jornais, excitando um público faminto por celebridades com detalhes íntimos, como para angariar influência política.

Mesmo se os tabloides não fossem atrás de você, a ameaça estava sempre presente, contudo. Na Rússia, eles chamam isso de kompromat – material comprometedor, pronto para ser usado se a pessoa sair muito da linha. Agora sabemos que os grampos e os grampeadores não se detiveram diante de ninguém nem de nada. A família real, famílias de soldados britânicos mortos em ação, crianças sequestradas – todos foram alvo de intromissão e exposição.

O poder arrogante da mídia moldou a política britânica de maneiras importantes. Contemplando as ruínas da tentativa bem-intencionada de Tony Blair de resolver a crônica esquizofrenia da Grã-Bretanha sobre seu lugar na União Europeia, tentativa destruída pela imprensa eurocética do país, certa vez concluí que Rupert Murdoch era o segundo homem mais poderoso na Grã-Bretanha. Mas, se a medida final de poder relativo é “quem tem mais medo de quem”, então seria o caso de dizer que Murdoch foi – no sentido estrito, básico – mais poderoso que os últimos três premiês da Grã-Bretanha. Eles tinham mais medo dele do que ele deles.

Considerem as evidências. Blair vira seu antecessor no cargo, John Major, e um líder trabalhista, Neil Kinnock, serem destruídos por uma imprensa hostil. Ele aprendeu a lição. Cortejou o mais que pôde esses barões da imprensa. Só quando estava prestes a deixar o cargo, após dez anos, ousou denunciar a mídia britânica por se comportar “como uma besta feroz”.

Na semana retrasada, soubemos que o sucessor de Blair como primeiro-ministro, Gordon Brown, acredita que registros médicos, bancários e, talvez, fiscais de sua família foram invadidos. Brown conta que foi levado às lágrimas quando Rebekah Wade, então editora do Sun, outro tabloide de Murdoch, lhe telefonou para dizer que o jornal ia revelar que Fraser, filho de Brown de 4 anos, tinha fibrose cística. Apesar disso, alguns anos depois Brown foi ao casamento de Rebekah – que, no momento em que isto é escrito, é Rebekah Brooks, ex-braço direito de Murdoch na News International, o ramo britânico da News Corp. A Feiticeira Morgana do jornalismo britânico era simplesmente poderosa demais para um primeiro-ministro em busca de reeleição esnobar.

David Cameron superou Blair na paparicação aos barões da imprensa em geral e de Murdoch em particular. Pior, ele contratou Andy Coulson, ex-editor do News of the World, como seu assessor de comunicações. Não me lembro de ter encontrado algum jornalista britânico que acreditasse que o ex-editor fosse tão inocentemente desinformado, como alega, sobre o que seus repórteres estavam para fazer. Mas Cameron ignorou todas as advertências.

O mais chocante foi a polícia metropolitana de Londres ter engavetado uma investigação que devia ter feito com o maior empenho. Ela não contou a milhares de pessoas, cujos nomes apareceram nas anotações de um detetive particular usadas pelo News of the World, que seus telefones tinham sido grampeados. Somente uma tenaz reportagem investigativa do Guardian e do New York Times forçou a reabertura da investigação policial.

O primeiro-ministro Cameron agora promete um inquérito público, presidido por um juiz conceituado. Talvez a coisa mais importante que ele terá de determinar é por que a polícia agiu como agiu. De novo, a explicação mais provável se resume a medo. A polícia tinha medo de pôr em risco sua confortável relação com os jornais de Murdoch, que a ajudaram em seus inquéritos e a elogiavam pelos esforços de combate à criminalidade. Alguns policiais eram pagos pela imprensa de Murdoch. Autoridades de peso agora dizem que seus próprios telefones foram grampeados. Na falta de evidências fortes em contrário, a única conclusão razoável é que a polícia temia ser malhada, em vez de incensada, pela besta feroz. De modo que ela também dobrou os joelhos.

Só nos falta descobrir que um juiz conceituado foi espionado, vencido ou intimidado. Seguramente que não, gritamos. Isso não! Mas quantas vezes antes não acreditamos ter chegado ao fundo e depois ouvimos batidas vindas de baixo?

Entretanto, mesmo que surjam revelações ainda piores do passado, o futuro parece mais luminoso. O melhor do jornalismo britânico expôs o pior. No Parlamento, a maré virou. Líderes partidários e parlamentares comuns estão, enfim, reafirmando a supremacia de políticos eleitos sobre barões da mídia não eleitos. A barreira do medo foi vencida.

Desse atoleiro pútrido deveria surgir todo um novo arranjo: no equilíbrio entre política, mídia, polícia e lei; na autorregulação da imprensa; e na prática do jornalismo. O perigo é que, passada a indignação inicial, a Grã-Bretanha novamente se acomode com meias medidas, meio implementadas, como já ocorreu com o impulso de reforma constitucional que decorreu dos escândalo das despesas parlamentares. Por enquanto, porém, uma das crises mais importantes do sistema político britânico em 30 anos criou uma oportunidade. Neste outono, voltarei a uma Grã-Bretanha levemente mais livre. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

TIMOTHY GARTON ASH É PROFESSOR DE ESTUDOS EUROPEUS DA UNIVERSIDADE OXFORD, SÊNIOR FELLOW DA HOOVER INSTITUTION, DA UNIVERSIDADE STANFORD, E AUTOR DE FACTS ARE SUBVERSIVE: POLITICAL WRITING FROM A DECADE WITHOUT A NAME (YALE UNIVERSITY PRESS)

FONTE

Entrevista Marcos Mazoni Diretor-Presidente do Serpro

quarta-feira, julho 20th, 2011

Marcos Mazoni Diretor-Presidente do Serpro concede entrevista ao Bom Dia Paraíba falando do ENSOL e Software Live, no primeiro dia do ENSOL!

 

Ton Oliveira – Paraíba Jóia Rara

terça-feira, julho 19th, 2011


 

PARAÍBA JÓIA RARA
Composição: (Ton Oliveira)

AQUÍ O SOL NASCE PRIMEIRO
E TÃO DESINIBIDO
E A LUA EXIBE UM ESTRELATO
COM TANTA BELEZA
QUE ATÉ O ALGODÃO SE EMPOLGA
E JÁ VEM COLORIDO
EXIBIÇÕES INEXPLICÁVEIS
DA MÃE NATUREZA

AQUÍ ATÉ OS DINOSSAUROS
FIZERAM MORADA
E A GENTE PODE AO SOM
DE JACKSON PANDEIREAR
OUVIR A VOZ QUE NA BANDEIRA
FICOU ESTAMPADA
DAR FRUTOS
QUE O TEMPO E A HISTÓRIA
NÃO VÃO APAGAR

EU SOU DA PARAIBA É MEU ESSE LUGAR
A CARA DESSE POVO TEM A MINHA CARA
ENCANTO DE BELEZA QUE ME FAZ SONHAR
LUGAR TÃO LINDO ASSIM PRA MIM É JÓIA RARA

QUE BOM ESTAR NO PONTO MAIS ORIENTAL
ASTROLOGICAMENTE SER UM ARIANO
RIMAR COMO UM AUGUSTO TÃO ANGELICAL
EU SOU MUITO FELIZ, EU SOU PARAIBANO

Lula dá boas-vindas aos internautas

sexta-feira, julho 15th, 2011

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta o site do Instituto Cidadania e dá boas-vindas aos internautas.

http://www.icidadania.org

 

AI-5 Digital: 5 razões para não aprovar – Por Paulo Rená

quarta-feira, julho 13th, 2011

Há cinco aspectos problemáticos do projeto de lei de cibercrimes conhecido com AI-5 Digital (nº 84 de 1999 na Câmara e nº 89 de 2003 no Senado) que são fundamentais para o entendimento de que a aprovação dessa proposta é muito prejudicial para o Brasil:

  1. O projeto atende ao interesse da indústria cultural dos EUA
  2. O projeto contraria a política internacional e a Constituição do Brasil
  3. A maioria dos países não adota a norma internacional de cibercrimes
  4. A norma europeia para a guarda de dados viola direitos fundamentais
  5. A guarda de dados não ajuda o combate ao cibercrimes

1. O projeto atende ao interesse da indústria cultural dos EUA

O hoje deputado Eduardo Azeredo nega a ligação com a indústria do entretenimento. Mas a Aliança Internacional da Propriedade Intelectual, um conjunto de associações de empresas do Estados Unidos, recomendou expressamente em 2009 (e novamente em 2010) que o projeto de lei de cibercrime fosse aprovado no Brasil. O teor do documento de 2009 é explícito:

LEI DE DIREITOS AUTORAIS NO BRASIL
(…)
Legislação proposta relativa à aplicação efectiva
(…)
Projeto de lei de cibercrime (PLC 89/2003): A BSA noticia que o PLC 89/2003 avançou ano passado e foi aprovado pelo Senado, mas ainda está sob consideração pela Câmara, e este projeto de lei deverá passar em 2009. Esta lei altera o Código Penal para criar sanções penais para crimes na Internet, como pornografia infantil, invasão de privacidade, roubo de identidade, e assim por diante. Há também uma disposição que estabelece que os ISPs apenas prestarão informações sobre os usuários para as autoridades com um pedido judicial; MPA está fazendo lobby para ter esta proposta específica modificada, a fim de permitir que os ISPs forneçam as informações dos usuários através de uma ordem judicial e não apenas para a polícia autoridades e promotores.

2. O projeto contraria a política internacional e a Constituição do Brasil

O projeto assumidamente tenta alinhar a legislação brasileira à Convenção de Budapeste. Mas a adoção dessa norma internacional já foi rejeitada pelo Ministério da Relações Exteriores, porque o Brasil não apenas não foi convidado a participar de sua elaboração, mas nem mesmo recebeu um convite formal para assinar o tratado.

Além disso, para que o Brasil adote uma norma internacional em sua legislação interna, é necessário que a Presidenta o celebre e o Congresso Nacional o referende, conforme os artigos 49, I, e 84, VIII, da Constituição Federal.

Assim, o esforço do deputado Azeredo afronta a atual política internacional brasileira e, mais grave, desrespeita o procedimento formal previsto na Constituição Federal para adoção interna de normas internacionais.

3. A maioria dos países não adota a norma internacional de cibercrimes

Documento que serve de base para o atual projeto de lei, a Convenção de Budapeste sobre o cibercrime foi elaborada em 2001 pelo Conselho da Europa, formado por somente 47 países, um número muito pequeno perto dos 192 participantes da ONU, por exemplo. Ainda assim, até outubro de 2010, conforme a página oficial do Conselho, a Convenção está em vigor em apenas 30 países. Não por acaso, o único país externo ao Conselho são os EUA, que tiveram papel ativo na elaboração da norma.

Argentina, Chile e México, na América Latina, bem como a Rússia, na Europa, poderiam mas nem sequer assinaram o tratado, que também não está sendo aplicado (embora tenha sido assinado) por Polônia, Reino Unido, Suécia e Suíça.

Vale mencionar que a Fundação Fronteira Eletrônica, dos EUA, considera a Convenção de Budapeste “a pior lei do mundo“.

4. A norma europeia para a guarda de dados viola direitos fundamentais

Alemanha, Romênia e República Tcheca declararam judicialmente que Diretiva de Retenção de Dados da União Europeia é inconstitucional porque viola direitos fundamentais. A sensação de vigilância foi apontada como ameaça à liberdade de expressão e a ausência de procedimentos seguros como um risco à privacidade dos cidadãos. Além disso, a redação imprecisa e a formulação pouco clara foram atacadas.

Áustria, Bélgica, Grécia, Irlanda, Luxemburgo e Suécia nem chegaram a adotá-la. E a norma provavelmente será apreciada pelo Tribunal Europeu de Justiça em 2012.

5. A guarda de dados não ajuda o combate ao cibercrimes

Dados divulgados em 2011 pela Agência Federal de Crimes da Alemanha apontaram que guardar dados não repercutiu no sucesso das investigações de cibercrimes. Verificou-se que após o fim da retenção de dados de telecomunicações a polícia alemã solucionou 71% das infrações cometidas pela Internet, muito mais que os 55% de crimes sem nenhum uso da rede solucionados.

Assim, não existe no mundo nenhum indício de que monitorar as atividades dos Internautas e armazenar essa informações realmente auxilie o trabalho da polícia e do Poder Judiciário. Em verdade, apenas fica evidente o custo decorrente da preservação dessas informações em ambiente seguro e por longos períodos. O preço vai muito além dos gastos monetários com uma tecnologia de segurança, e inclui, como dito, a violação sistemática, pelo próprio Estado ou pelas empresas provedoras de serviços, de garantias fundamentais de todas as pessoas que usam a Internet.

Mega Não ao PL 84/99!

domingo, julho 10th, 2011

“Temo que a internet se torne uma TV a cabo”, diz sociólogo

domingo, julho 10th, 2011
1º de julho -   João Carlos Caribé e Paulo Rena discutiram o Marco Civil da Internet. Foto: Camila Cunha/indicefoto.com/DivulgaçãoJoão Carlos Caribé e Paulo Rena discutiram o Marco Civil da Internet
Foto: Camila Cunha/indicefoto.com/Divulgação

Pedro Faustini
Direto de Porto Alegre

O sociólogo Sérgio Amadeu afirmou nesta sexta-feira, após a palestra O cerco à internet – ACTA e ataques técnicos, no 12º Fórum Internacional Software Livre (fisl12), em Porto Alegre, temer que a internet se torne como uma TV a cabo, onde o fluxo de informações pode ser controlado. Ele afirmou ainda que a internet é um bem público e, como tal, deve estar acessível a todos.

Durante a palestra, ele citou o caso do projeto de lei conhecido como Lei Azeredo, de 1999, que, após passar pela Câmara, sofreu alterações no Senado e encontra-se novamente na Casa de origem. Da maneira como está, a lei permitiria que o ato “corriqueiro de passar adiante” uma música seja crime. “Eles querem intimidar todo mundo que compartilha”, afirmou.

“A lei quer acabar com a navegação anônima. É inadmissível o AI-5 digital”, afirmou. O apelido, de acordo com o professor, ocorre porque o projeto “transforma exceção em regra, e a regra deve ser liberdade, navegação sem vigilância”. “A internet não é culpada de nada, é uma rede usada por todos nós, como as ruas, utilizadas por gente do bem e de todo o tipo, e não é por isso que vamos proibir o uso das ruas”, disse.

ACTA
Outra palestrante, Fátima Conti, comentou o Acordo Comercial Antipirataria (ACTA, na sigla em inglês), tratado sobre propriedade intelectual que envolve os países-membros do G8. “Um tempo atrás, começaram rumores que estavam fazendo um movimento contra pirataria e procurávamos informações e não achávamos. Começou a ter gente com informações meio que vazadas e começaram a falar muito de falsificação e de pirataria. Na prática, parecia que eles estavam muito preocupados com downloads”, afirmou.

“As leis que o ACTA prevê não são só sobre direito autoral, mas de propriedade intelectual, que agrega também marca e patente”, afirmou. De acordo com Fátima, o copyright foi instituído para proteger quem vende a cópia de um determinando produto, não seu autor. “A editora quer fazer o menor trabalho possível e vender pelo máximo preço possível”. Ela exemplifica os perigos do tratado: se dois países que não assinaram o acordo realizarem uma transação de remédios, e durante o traslado o navio com a carga faz uma parada em um país signatário, este pode confiscar os medicamentos se julgar que eles violam alguma regra. “A população do outro país morre de aids”, disse.

Ataques a sites
Amadeu afirmou na palestra que os ataques de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês), em que invasores sobrecarregam um sistema para tirá-lo do ar e foram registrados nos últimos dias no País nos sites do governo, são “primários”. “Em 2009 e antes já sofremos ataques de DDoS muito mais poderosos. O grosso dos ataques, segundo o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), veio de computadores zumbis (aqueles controlados remotamente por invasores sem que o proprietário da máquina tenha conhecimento do fato) com Windows na Itália. Se a lei do Azeredo tivesse valendo, os donos desses zumbis estariam sendo processados judicialmente”, disse.

Marco Civil
Durante a palestra O futuro do Marco Civil da internet em debate, o publicitário João Caribé, também presente na exposição sobre a ACTA, afirmou que o Marco Civil da internet seria uma espécie de resposta à Lei Azeredo. “(O Marco Civil) é feito para garantir nossos direitos à liberdade e tem cláusulas muito bem pensadas para garantir neutralidade da rede. Quem ganha dinheiro com a internet não quer que ela seja neutra”, afirmou.

De acordo com o outro palestrante, Paulo Rena, militante do Partido Pirata brasileiro (que ainda se organiza no recolhimento de assinaturas para ter o registro deferido pela Justiça Eleitoral), o Marco Civil da Internet surgiu no próprio fisl há dois anos. O Ministério da Justiça abriu uma plataforma na qual foram colocadas perguntas sobre a regulação da internet, que se referiam a itens como liberdade, segurança e privacidade. Porém, segundo Rena, “com a mudança do governo, tudo teve que ser refeito”. “O Marco Civil vai ser o que a sociedade quiser que ele seja. Ele deve estabelecer que a internet seja direito fundamental do Brasil”, afirmou.

FONTE

Mega Não ao PL 84/99!

domingo, julho 10th, 2011