julho, 2011

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Lançada edição n.27 da Revista Espírito Livre!

domingo, julho 10th, 2011
Revista Espírito Livre - Ed. #027 - Junho 2011

Revista Espírito Livre - Ed. n #027 - Junho 2011
Revista Espírito Livre - Ed. n #027 - Junho 2011

Ainda recuperando do tombo do mês passado, cá estamos novamente. A edição deste mês apresenta um tema que por muitos é considerado polêmico por justamente ir contra a alguns conceitos enraizados em nossa sociedade, de que só é possível aprender diante de um professor e se transpormos essa ideia para o universo real significaria dizer que a educação, de um modo geral, só se dá através de alguém sentado, frente a um professor, real e físico. Mas o tutor a distância e o professor que estão a distância não são físicos e reais? E as aptidões? Eles as têm? E se não as têm como verificar estando a distância? Os alunos aprendem, ou fingem aprender só para alcançar a tão sonhada “nota”? Ele vai “colar”, já que o professor “não está vendo”? Como avaliar, medir e constatar se houve absorção e troca de conhecimento? As dúvidas e questionamentos continuam, já que a EAD, apesar de não ser tão nova assim (desde o século XIX já se praticavam metodologias neste sentido). O ensino por correspondência, tele-aula, vídeo-aula, manuais, ensino pelo rádio, e tantos outros métodos já foram utilizados (e em alguns lugares ainda continuam sendo), mas com a ressalva de que agora a tecnologia envolveu-os de novas possibilidades, além de diminuir os custos e as distâncias. O EAD proporciona, mesmo a distância, o que nem sempre conseguimos compreender presencialmente: a soma de nossas experiências pode resultar em uma terceira experiência, e o meio digital é propício para isso, dada a quantidade de novos recursos disponíveis, dentro e fora dos ambientes de estudo.

Mas que ferramentas utilizar? Já temos soluções maduras o suficiente para suprir o espaço ocupado por uma sala de concreto e um quadro branco com pincel? E os profissionais estão preparados para todas essas mudanças? Eles estão acompanhando? Estão interessados em acompanhar? O perfil do profissional de educação nesta (nova) era de certa forma muda, e os pré-requisitos enquanto conhecimentos também. Agora não basta dominar a matéria e saber manusear um livro, também deve-se dominar “o bicho de sete cabeças”, chamado computador. Claro que vários de nossos professores estão sabiamente preparados e dispostos a apontar nesta direção, entretanto diante de todas as políticas públicas que hoje percebemos a nossa volta, direcionadas ao ensino como um todo, ainda temos muito a caminhar. E mesmo diante das medidas atualmente tomadas pelos governos, sabemos que tal metodologia ainda atinge uma parcela relativamente pequena da população.

Entretanto, na iniciativa privada, nas empresas a realidade mostra-se diferente, e caminhando a passos largos. Cursos, treinamentos, reciclagens profissionais, seminários, e tantas outras medidas já são realidade em diversos nichos. O treinamento que antes demandava uma sala física em um local específico dentro da empresa, hoje demanda um servidor, softwares específicos e ambiente mudou, agora é virtual, como os ambientes virtuais de aprendizagem. E nesta edição tratamos de acompanhar vários, entre eles o Amadeus, um projeto brasileiro em meio a tantas soluções criadas originalmente fora de nosso país, como é o caso do popular Moodle, amplamente utilizados por universidades e empresas. Vários colaboradores, e entre eles, vários convidados, apresentaram de forma primorosa soluções em código aberto que podem ser utilizadas nas mais variadas situações.

Além do tema principal, a edição 27 está repleta de outras matérias igualmente importantes: Fabrício Araújo continua com o tema LTSP, bem como a coluna sobre LibreOffice. Birgitta Jonsdottir, ativista e membro do parlamento islandês também participa desta edição com uma reflexão bastante pertinente sobre o uso de nossas informações por diversas empresas.

As promoções continuam e se você ainda não participou, não perca tempo. O convite ainda está aberto: quer se juntar ao time e contribuir? Basta entrar em contato conosco.

Um forte abraço a todos, colaboradores e leitores!

FONTE

Ataque, não: protesto! – Por Richard Stallman

sábado, julho 9th, 2011
FOTO: Bill Ebbesen/Divulgação

Análise
Richard Stallman
Fundador da Free Software Foundation

Os protestos online feitos pelo grupo Anonymous são equivalentes a uma manifestação na internet. É um erro classificá-los como atividade de grupos hackers (uso da astúcia brincalhona) ou de crackers (invasão de sistemas de segurança).

O programa que os manifestantes usam, chamado LOIC, já vem pré-configurado, de modo que nenhuma astúcia é necessária para rodá-lo, e ele não invade o sistema de segurança de nenhum computador.

Os manifestantes do Anonymous não tentaram assumir o controle do site da Amazon e nem roubar dados da MasterCard. Eles entram pela porta da frente de uma página, que simplesmente não é capaz de suportar tantos visitantes ao mesmo tempo.

Chamar os protestos organizados por eles de “ataques de negação de serviço” (DDoS) também está errado. Um ataque DDoS propriamente dito é feito por meio de milhares de computadores zumbis. Alguém invade o sistema de segurança destes computadores (com frequência recorrendo a um vírus) e assume remotamente o controle sobre eles, programando-os para formar uma botnet (rede de zumbis, que é um sistema em que computadores aliciados desempenham automaticamente a mesma função) que atende em uníssono às suas ordens (neste caso, a ordem é sobrecarregar um servidor). A diferença é que os manifestantes do Anonymous em geral fizeram eles mesmos que seus próprios computadores participassem do protesto.

A comparação mais adequada seria com as multidões que foram, em dezembro de 2010, protestar diantes das lojas da Topshop (cadeia de varejo de moda no Reino Unido). Aquelas pessoas não invadiram as lojas e nem subtraíram dali nenhuma mercadoria, mas certamente provocaram um grande inconveniente.

Eu não gostaria nem um pouco se minha loja (supondo que eu tivesse uma) fosse alvo de um protesto de grandes proporções. A Amazon e a MasterCard tiveram uma reação parecida, e seus clientes ficaram irritados. As pessoas que tinham a intenção de fazer uma compra na Topshop naquele dia também devem ter ficado incomodadas.

A internet não pode funcionar se os sites forem constantemente bloqueados por multidões, assim como uma cidade não funciona se suas ruas estiverem sempre tomadas por protestos. Mas, antes de declarar seu apoio à repressão dos protestos na internet, pense no motivo de tais protestos: na internet, os usuários não têm direitos.

Como ficou claramente demonstrado no caso do WikiLeaks, devemos suportar sozinhos as consequências daquilo que fazemos na rede.

No mundo físico, temos o direito de publicar e vender livros. Quem quiser impedir a publicação do livro tem de levar o caso a um tribunal. Para criar um site na rede, porém, precisamos da cooperação de uma empresa de concessão de domínios, de um provedor de acesso à internet (ISP) e, com frequência, de uma empresa de hospedagem, e cada um desses elos pode ser individualmente pressionado a cortar o nosso acesso.

Nos Estados Unidos, nenhuma lei exige explicitamente tal precariedade. Em vez disso, ela está encarnada nos contratos que essas empresas estabeleceram como normais, com o nosso consentimento. É como se todos nós morássemos em quartos alugados e os senhorios pudessem despejar qualquer um sem notificação prévia.

A leitura também é feita apesar das consequências. No mundo físico, podemos comprar um livro de maneira anônima, usando dinheiro. Uma vez que ele nos pertença, temos a liberdade de oferecê-lo como presente, emprestá-lo ou vendê-lo a outra pessoa. Temos também a liberdade de guardá-lo. Entretanto, no mundo virtual, os e-readers têm algemas travas digitais que impedem o usuário de oferecer como presente, emprestar ou vender um livro, além das licenças que proíbem tal prática. Em 2009, a Amazon usou as portas dos fundos de seu e-reader para apagar remotamente milhares de cópias de 1984, de George Orwell, de aparelhos Kindle. O Ministério da Verdade foi privatizado.

No mundo físico, temos o direito de pagar em dinheiro e receber em dinheiro – mesmo de modo anônimo. Na internet, só podemos receber dinheiro com a aprovação de organizações como PayPal e MasterCard, e o Estado de vigilância rastreia os pagamentos a todo instante. Leis como a Ata da Economia Digital, que castigam os acusados antes de serem confirmadas as suspeitas, estendem esse padrão de precariedade à conectividade com a internet.

Por meio dos softwares não livres, aquilo que você faz em seu próprio computador também é controlado pelos outros.

Os sistemas da Microsoft e da Apple contam com algemas digitais – recursos projetados especificamente para restringir a liberdade de ação dos usuários. O uso contínuo de um programa ou recurso também é precário: a Apple manteve uma porta dos fundos no iPhone para poder apagar remotamente aplicativos instalados. Uma porta dos fundos observada no Windows permite que a Microsoft instale alterações no software sem pedir permissão.

Dei início ao movimento do software livre com o objetivo de substituir o software proprietário que controla o usuário por programas livres que respeitem a liberdade. Com o software livre, podemos ao menos controlar aquilo que os programas fazem em nossos próprios computadores. O programa LOIC, usado pelos manifestantes do Anonymous, é um software livre; em particular, os usuários podem ler seu código fonte e alterá-lo, impossibilitando assim que ele imponha recursos maliciosos como fazem Windows e MacOS.

O Estado americano atual é um nexo de poder para os interesses corporativos. Como ele precisa fingir que serve ao povo, este Estado teme que a verdade seja revelada. Daí decorrem suas campanhas paralelas contra o WikiLeaks: as tentativas de esmagá-lo por meio da precariedade da internet e limitar formalmente a liberdade da imprensa.

Desconectar o WikiLeaks equivale a sitiar manifestantes em uma praça. Ataques preventivos da polícia provocam uma reação; então eles usam os pequenos delitos das pessoas enfurecidas para afastar a atenção dos grandes delitos do Estado. Assim, a Grã-Bretanha deteve o manifestante que se pendurou de uma bandeira, mas não o homem (supostamente um policial) que rachou o crânio de um estudante. Da mesma maneira, os Estados tentam aprisionar os manifestantes do Anonymous, e não os torturadores e assassinos que trabalham para o poder.

No dia em que nossos governos processarem os criminosos de guerra e nos contarem a verdade, o controle das multidões na internet será o mais urgente dos problemas que nos restarão. Será um regozijo se eu testemunhar a chegada deste dia.

FONTE

Mega Não Brasília 2011: firmes contra o AI-5 Digital

sexta-feira, julho 8th, 2011

Dia 12 de julho de 2011, às 20h, véspera de mais uma audiência pública na Câmara dos Deputados, haverá mais um Mega Não ao AI-5 Digital, no Balaio Café, em Brasília, ativistas e parlamentares se manifestarão presencialmente apontando os diversos perigos do projeto de lei de cibercrimes defendido pelo hoje deputado Eduardo Azeredo.

Vista panorâmica da Praça dos Três Poderes: à esquerda (sul) o poder judiciário (Supremo Tribunal Federal), no centro o poder legislativo (Congresso Nacional) e à direita a sede do poder executivo (Palácio do Planalto).

MegaNão Brasília ao AI-5 Digital

12 de julho, terça-feira, 20h, no Balaio Café

– Debate com ativistas e parlamentares

– Música

O projeto de lei nº 84 de 1999 é chamado de AI-5 Digital em referência ao Ato Institucional que em 1968, em desrespeito à Constituição, concedeu poderes extraordinários a alguns agentes públicos e suspendeu várias garantias fundamentais.

O texto atual do projeto mantém diversas propostas que, para facilitar a investigação dos chamados cibercrimes, suspenderiam direitos fundamentais de todas as pessoas que usam a Internet. Além disso, há um conjunto de problemas ocultos pelo texto vago da proposta, mas que vão desde a criminalização de práticas cotidianas até a penalização de quem na verdade é também vítima de crimes praticados pela Internet.

Para deixar todo esse contexto bem claro, venha se juntar à mais essa manifestação a favor da liberdade e da privacidade no uso da Internet. E para manter a tradição candanga, o debate político sério será seguido de muita música alegre.

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Marcelo Branco cobra retomada do Marco Civil da Internet

quarta-feira, julho 6th, 2011
ImageA regulação da Internet navega por águas turvas. O ativista pela liberdade do conhecimento, Marcelo Branco, ex-dirigente da Associação Software Livre, denuncia que a discussão do PL 84 no Congresso, que criminaliza delitos cometidos na Internet, não pode anteceder a discussão do Marco Civil da Internet, construído de forma colaborativa, inclusive, por meio da própria Internet. Para ele, não faz sentido começar a regulação do ciberespaço pela punição dos crimes. A discussão foi invertida. Teria de começar pela garantia dos direitos digitais do cidadão.

“O Marco Civil da Internet foi elaborado por meio de uma consulta pública, reunindo milhares de contribuições encaminhadas ao site culturadigital.br/marcocivil”, lembra o especialista em software livre. Seu texto foi fechado em agosto passado e se encontra no Ministério do Planejamento. Ele aguarda ser encaminhado ao Congresso Nacional para ser apreciado pelo Legislativo. Nesse sentido, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) pediu o envio do projeto ao Congresso antes do recesso parlamentar este mês.

Destinado à proteção dos direitos civis na rede, o Marco Civil da Internet teve origem a partir da reivindicação dos movimentos sociais. Seu texto final define os direitos fundamentais de acesso à rede e as responsabilidades tanto do provedor, quanto do usuário. Propõe regular, ainda, questões relativas à privacidade e à publicidade de dados públicos e governamentais na Internet. Outro ponto tratado é a defesa da neutralidade na rede e a proibição de qualquer tipo de censura quanto ao conteúdo e ao fluxo de informações. “Em resumo, elas precisam circular de forma neutra, sem nenhum tipo de censura e não podem ser discriminadas”, conta Branco.

Riscos com a demora da votação

No entanto, se o processo online foi rico e amplo, na vida real, a demora da votação do Marco Civil quase comprometeu o seu destino em função da votação, na semana passada, do Projeto de Lei 84/99, do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na prática, ele reflete uma orientação bem diferente da colhida junto aos movimentos sociais. Conhecido na blogosfera como AI-5 digital, o PL 84/99, de Azeredo, que há anos tramita no Congresso, estipula um marco penal na rede e chega ao ponto de enquadrar e criminalizar usuários que façam download de músicas ou filmes, misturando delitos graves com atividades rotineiras na rede.

Felizmente, a votação do AI-5 digital foi adiada na Câmara, na semana passada. Para Branco, isso se deu com a atuação decisiva dos parlamentares Paulo Teixeira (PT-SP), Manoela D’Avila (PC do B) e Brizola Neto (PDT) – da base aliada na Casa. Na ocasião, os parlamentares apresentaram uma minuta com uma proposta de projeto de lei alternativo ao PL 84/1999.

O documento proposto está em construção e pode ser acessado no portal e-Democracia, na área interativa do site da Câmara dos Deputados. Ali, pode ser lido e receber sugestões de modificação. Com a proposta alternativa, seus autores pretendem ir à votação apenas depois de debatido e aprovado o Marco Civil da Internet.

“Nós defendemos não apenas o adiamento das discussões sobre o PL 84, mas que a votação do marco civil se dê em primeiro. Só depois, votaremos o marco penal”, afirma o ativista. Ele propõe que, assim como foi feito no Marco Civil, o projeto alternativo ao PL 84/99 também seja levado à consulta pública.

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10 Direitos e Princípios da Internet

quarta-feira, julho 6th, 2011

Segue a versão pt-br do documento elaborado pelo grupo internacional Internet Rights and Principles, lançado pela ONU em Estocolmo, no dia 31 de março de 2011, por ocasião do Segundo Encontro de Especialistas sobre Direitos Humanos e a Internet:

10 Direitos e Princípios da Internet10 DIREITOS E PRINCÍPIOS DA INTERNET

Este documento define dez direitos fundamentais e princípios base de governança da Internet. Eles foram compilados pela Coligação Dinâmica de Direitos e Princípios da Internet (IRP), uma rede aberta de indivíduos e organizações que trabalham para defender os direitos humanos no mundo da Internet.

Estes princípios estão enraizados nas normas internacionais de direitos humanos, e derivam da Carta de Direitos Humanos e Princípios Para a Internet em elaboração pela Coligação.

A Internet oferece oportunidades sem precedentes para a conscencialização dos direitos humanos, e desempenha um papel cada vez mais importante nas nossas vidas diárias. Por conseguinte, é essencial que todos os intervenientes, tanto públicos como privados, respeitem e protejam os direitos humanos na Internet. Devem também ser tomadas medidas para garantir que a Internet funciona e evolui de modo a que os direitos humanos sejam defendidos, na medida do possível. Para ajudar a concretizar esta visão de uma Internet baseada em direitos, os 10 princípios e direitos são:

1. Universalidade e Igualdade: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, que devem ser respeitados, protegidos e cumpridos no ambiente online.

2. Direitos e Justiça Social: A Internet é um espaço para a promoção, proteção e cumprimento dos direitos humanos e também da promoção de justiça social. Cada indivíduo tem o dever de respeitar os direitos humanos de todos os outros no ambiente online.

3. Acessibilidade: Todos os indivíduos têm igual direito de acesso e utilização a uma Internet segura e aberta.

4. Expressão e Associação: Todos os indivíduos têm o direito de procurar, receber e difundir informação livremente na Internet sem censura ou outras interferências. Todos os indivíduos têm também o direito de se associar livremente, seja para fins sociais, políticos, culturais ou outros, na e através da Internet.

5. Privacidade e Protecção de Dados: Todos os indivíduos têm o direito à privacidade online, incluindo a liberdade de vigilância, o direito de usar criptografia e o direito ao anonimato online. Todos os indivíduos têm também o direito à protecção de dados, incluindo o controle sobre colecção, retenção, transformação, eliminação e divulgação de dados pessoais.

6. A Vida, Liberdade e Segurança: O direito à vida, à liberdade e à segurança na Internet devem ser respeitados, protegidos e cumpridos. No ambiente online estes direitos não devem ser desrespeitados, ou utilizados para violar outros direitos.

7. Diversidade: A diversidade cultural e linguística na Internet deve ser promovida; técnicas e políticas inovadoras devem ser incentivadas para facilitar a pluralidade de expressão.

8. Rede de Igualdade: Todos os indivíduos devem ter acesso universal e aberto ao conteúdo da Internet, livre de priorização discriminatória, de filtragem ou controle de tráfego por motivos comerciais, políticos ou outros.

9. Normas e Regulamentos: A arquitetura da Internet, os sistemas de comunicação e o formato de documentos e dados devem ser baseados em padrões abertos que garantem a completa interoperabilidade, a inclusão e a igualdade de oportunidades para todos.

10. Governança: Os direitos humanos e a justiça social devem formar as bases legais e normativas sobre as quais a Internet funciona e é governada. Isto deve acontecer de forma transparente e multilateral, baseada nos princípios de abertura, participação inclusiva e de responsabilização.

Se você se interessou, saiba que você pode colaborar com a Coligação Direitos e Princípios da Internet (IRP) e participar do processo de elaboração da carta da organização. Além disso, siga-a no Twitter ou a adicione no Facebook.

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Palestra na íntegra do Ministro Aloizio Mercadante no FISL 12

domingo, julho 3rd, 2011
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O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, palestrou na manhã desta sexta-feira 01/07/2011, no fisl12. No auditório lotado de jovens desenvolvedores e entusiastas do software livre, Mercadante falou sobre as perspectivas e os desafios para o crescimento do mercado tecnológico no Brasil.

Segundo o ministro, a indústria da Tecnologia da Informação é a que mais fomenta o consumo no país. Contudo, praticamente 100% daquilo que se consome é importado. “Hoje, o Brasil cresce mais internamente. Isso é bom, mas precisamos desenvolver tecnologias para serem exportadas, já que somos o 3º país que mais atrai investimentos externos atualmente”, salientou.

“Grandes conquistas foram alcançadas com o crescimento do consumo de massa, por meio da consolidação do sistema público de crédito”, disse. Para ele, é necessário aproveitar ao máximo o momento em que vivemos o bônus demográfico – em que a população economicamente ativa é maior que a inativa.

Mercadante frisou a importância de desenvolver o potencial desses jovens que iniciam no mercado de trabalho, formando recursos humanos para a indústria de semicondutores que se forma no país. “O primeiro passo foi dado com a produção de tablets e celulares, que até setembro inicia no Brasil”, disse. A perspectiva é de que o país entre para o seleto grupo de produtores de telas de LCD sensíveis ao toque.

Ele citou a Ceitec S.A., empresa pública federal ligada ao Ministério que foi criada em Porto Alegre em 2008 que tem o objetivo de “desenvolver a indústria eletrônica brasileira através da implantação de uma base sólida no setor de semicondutores”.

Assista abaixo a palestra na íntegra:
 

Software proprietário nos espiona, diz Alexandre Oliva

sexta-feira, julho 1st, 2011

São Paulo – O ativista de software livre, desenvolvedor da RedHat e fundador da Free Software Foundation Latin America, Alexandre Oliva, afirmou, em palestra na FISL 12, que acontece até sábado em Porto Alegre, que vivemos tempos de espionagem aberta na web.

Durante debate sobre liberdade e democracia na internet, Oliva citou o que considera falhas gravíssimas de serviços da Microsoft, Apple e Google. Para o especialista, é óbvio que nossos dados nestes serviços são coletados pelas corporações e compartilhados com governos, como por exemplo, o americano.

“Há alguns anos descobriu-se que um sistema operacional muito conhecido (referência ao Windows) tinha uma porta traseira que permitia o envio de dados de seus usuários aos servidores da Microsoft e ao governo americano. Na época, disseram que a falha foi corrigida. Mas vemos isso ocorrer o tempo topo. Por exemplo, vocês sabem como a China invadiu o Gmail? Eles exploraram uma backdoor do webmail criada pelo Google justamente para obter dados de seus usuários”, afirmou Oliva.

O especialista usou ainda os exemplos de falhas de privacidade descobertas no iPhone e no Android, que gravavam dados de localização dos usuários. Oliva afirmou ainda que, após a compra do Skype pela Microsoft, nossas conversas pelo software de VoIP poderão ser monitoradas por terceiros. “Há muitos códigos da Microsoft que rodam nos PCs dos usuários sem que eles saibam. Eu chamo esses códigos de pirataria. Não sabemos o que eles fazem exatamente”, afirmou.

Oliva citou ainda o caso de uma escola americana que, após dar tablets com webcams a seus estudantes, ativou um recurso que permitia ao colégio monitorar as imagens da câmera sem a permissão do usuário. Era possível, por exemplo, acionar a câmera mesmo quando o estudante estava em sua casa, desde que conectado à web.

“Há alguns meses vimos que a Amazon deletou livros do Kindle de seus clientes sem sua permissão. É essa a tecnologia que nós queremos? É justo que usem nossas informações sem nosso consentimento, anotem nossas localizações, deletem conteúdos e coletem nossos dados e os compartilhem com empresas e governos?”, questionou.

Para o especialista, a única solução é a adoção de plataformas abertas. “Sem códigos fechados, o usuário e a sociedade podem descobrir o que os programas que eles utilizam fazem em seu PC”, defendeu.

Se no caso dos usuários as invasões de privacidade são graves, no caso de governos e empresas isto é ainda mais sério, opinou Oliva.  “Neste cenário, é correto que nossas empresas e governos usem soluções proprietárias, colocando sob risco dados estratégicos para seu desenvolvimento?”, perguntou.

Oliva insistiu na necessidade do poder público investir em software livre, mesmo quando as soluções abertas não atenderem plenamente suas necessidades. “Você pode contratar o que já existe e, depois, desenvolver as características especiais que precisar. Isto gera mais empregos e cria conhecimento nacional. É melhor que comprar uma solução proprietária criada em outro país e sobre a qual você não tem domínio.  Desenvolver localmente é a única alternativa para romper nossa dependência tecnológica”, disse.

FONTE