julho 1st, 2011

...now browsing by day

 

Software proprietário nos espiona, diz Alexandre Oliva

sexta-feira, julho 1st, 2011

São Paulo – O ativista de software livre, desenvolvedor da RedHat e fundador da Free Software Foundation Latin America, Alexandre Oliva, afirmou, em palestra na FISL 12, que acontece até sábado em Porto Alegre, que vivemos tempos de espionagem aberta na web.

Durante debate sobre liberdade e democracia na internet, Oliva citou o que considera falhas gravíssimas de serviços da Microsoft, Apple e Google. Para o especialista, é óbvio que nossos dados nestes serviços são coletados pelas corporações e compartilhados com governos, como por exemplo, o americano.

“Há alguns anos descobriu-se que um sistema operacional muito conhecido (referência ao Windows) tinha uma porta traseira que permitia o envio de dados de seus usuários aos servidores da Microsoft e ao governo americano. Na época, disseram que a falha foi corrigida. Mas vemos isso ocorrer o tempo topo. Por exemplo, vocês sabem como a China invadiu o Gmail? Eles exploraram uma backdoor do webmail criada pelo Google justamente para obter dados de seus usuários”, afirmou Oliva.

O especialista usou ainda os exemplos de falhas de privacidade descobertas no iPhone e no Android, que gravavam dados de localização dos usuários. Oliva afirmou ainda que, após a compra do Skype pela Microsoft, nossas conversas pelo software de VoIP poderão ser monitoradas por terceiros. “Há muitos códigos da Microsoft que rodam nos PCs dos usuários sem que eles saibam. Eu chamo esses códigos de pirataria. Não sabemos o que eles fazem exatamente”, afirmou.

Oliva citou ainda o caso de uma escola americana que, após dar tablets com webcams a seus estudantes, ativou um recurso que permitia ao colégio monitorar as imagens da câmera sem a permissão do usuário. Era possível, por exemplo, acionar a câmera mesmo quando o estudante estava em sua casa, desde que conectado à web.

“Há alguns meses vimos que a Amazon deletou livros do Kindle de seus clientes sem sua permissão. É essa a tecnologia que nós queremos? É justo que usem nossas informações sem nosso consentimento, anotem nossas localizações, deletem conteúdos e coletem nossos dados e os compartilhem com empresas e governos?”, questionou.

Para o especialista, a única solução é a adoção de plataformas abertas. “Sem códigos fechados, o usuário e a sociedade podem descobrir o que os programas que eles utilizam fazem em seu PC”, defendeu.

Se no caso dos usuários as invasões de privacidade são graves, no caso de governos e empresas isto é ainda mais sério, opinou Oliva.  “Neste cenário, é correto que nossas empresas e governos usem soluções proprietárias, colocando sob risco dados estratégicos para seu desenvolvimento?”, perguntou.

Oliva insistiu na necessidade do poder público investir em software livre, mesmo quando as soluções abertas não atenderem plenamente suas necessidades. “Você pode contratar o que já existe e, depois, desenvolver as características especiais que precisar. Isto gera mais empregos e cria conhecimento nacional. É melhor que comprar uma solução proprietária criada em outro país e sobre a qual você não tem domínio.  Desenvolver localmente é a única alternativa para romper nossa dependência tecnológica”, disse.

FONTE