novembro, 2012

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Internet Revelada (Internet Revealed A film about IXPs PT-BR) [HD]

sexta-feira, novembro 30th, 2012

“A Internet Revelada” — Uma explicação bem simples sobre o que é a internet e como ela funciona.

Richard Stallman no Brasil

quinta-feira, novembro 29th, 2012

Brasil, novembro de 2012 — Richard Stallman, fundador do movimento social e político pelo Software Livre, mais uma vez nos honra com sua presença na América Latina, desta vez no Brasil. O evento que o traz à nossa região é o CONSEGI, Congresso Internacional de Software Livre e Governo Eletrônico, que este ano ocorrerá em Belém, Pará, de 3 a 7 de dezembro. Graças ao apoio dos organizadores e patrocinadores do CONSEGI, pudemos programar, em Goiás, no Distrito Federal e em São Paulo, outras palestras do presidente de nossa organização irmã, a primeira Fundação para o Software Livre (FSF). As palestras são todas de cunho não-técnico e abertas ao público em geral; para algumas, inscrição prévia é necessária.

No Fórum Goiano de Software Livre, em Goiânia, Goiás, de 30 de novembro a 1º de dezembro, ele palestrará nos dois dias do evento, sobre a GPLv3 e sobre o Movimento Software Livre.
http://fgsl.aslgo.org.br/

Na Universidade de Brasília, no Distrito Federal, ele palestrará no dia 3 de dezembro sobre os perigos das patentes de software.
http://www.cic.unb.br/~pedro/trabs/stallman.html

Sua palestra no CONSEGI está programada para 6 de dezembro.
http://www.consegi.gov.br/

No dia 11, ele apresentará a palestra “Uma Sociedade Digital Livre” no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo.
http://ccsl.icmc.usp.br/pt-br/news/palestra-stallman-icmc

Em 12 de dezembro, ele palestrará sobre Software Livre no campus de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos.
http://www.fsfla.org/redir/20121212-rms-sorocaba

Agradecemos aos organizadores locais de cada um desses eventos e estendemos seu convite à participação nessas e outras palestras de Richard Stallman, sempre divulgadas na página de eventos da FSF.
http://www.fsf.org/events/

Sobre o Movimento Software Livre

O Movimento Software Livre promove a liberdade de software para usuários de computadores, para evitar o controle e subjugo de usuários através dos programas que utilizam. DRM (Gestão Digital de Restrições) e impedimentos artificiais ao uso, compartilhamento e modificação de programas são sintomas desse problema social, combatido através de campanhas informativas, ativismo político e promoção e desenvolvimento de Software Livre, como o sistema operacional GNU e o núcleo GNU Linux-libre.

Sobre a Fundação para o Software Livre

A Fundação para o Software Livre (FSF, de Free Software Foundation), fundada em 1985, se dedica a promover os direitos dos usuários de usar, estudar, copiar, modificar e redistribuir programas de computador. A FSF promove o desenvolvimento e o uso de Software Livre (no sentido de liberdade)—particularmente o sistema operacional GNU e suas variantes GNU/Linux—e documentação Livre para Software Livre. A FSF também ajuda a difundir a consciência das questões éticas e políticas de liberdade no uso de software, e seus sítios Web, localizados em fsf.org e gnu.org, são uma fonte importante de informação sobre GNU/Linux. Doações para apoiar o trabalho da FSF podem ser feitas em http://donate.fsf.org. Seu escritório central está localizado em Boston, MA, EUA.
http://www.fsf.org/

Sobre a FSFLA

A Fundação Software Livre América Latina se uniu em 2005 à rede internacional de FSFs, anteriormente formada pelas Free Software Foundations dos Estados Unidos, da Europa e da Índia. Essas organizações irmãs atuam em suas respectivas áreas geográficas no sentido de promover os mesmos ideais de Software Livre e defender as mesmas Liberdades para usuários e desenvolvedores de software, trabalhando localmente mas cooperando globalmente.
http://www.fsfla.org/

Sobre Software Livre e Código Aberto

O objetivo do Movimento Software Livre é a liberdade para os usuários de computadores. Alguns, especialmente corporações, promovem um ponto de vista diferente, conhecido como “código aberto,” que cita somente objetivos práticos como criar software poderoso e confiável, foca em modelos de desenvolvimento, e evita discussões sobre ética e liberdade. Esses pontos de vista são diferentes em seu nível mais profundo.
http://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html

Sobre o Sistema Operacional GNU e Linux

Richard Stallman anunciou em setembro de 1983 o plano de desenvolver como Software Livre o GNU, um sistema operacional similar ao Unix. GNU é o único sistema operacional desenvolvido especificamente por causa da liberdade dos usuários.
http://www.gnu.org/
http://www.gnu.org/gnu/the-gnu-project.html

Em 1992, os componentes essenciais do GNU estavam prontos, exceto um, o núcleo. Quando em 1992 o núcleo Linux foi relicenciado sob a GNU GPL, tornando-o Software Livre, a combinação de GNU com Linux formou um sistema operacional completamente Livre, o que tornou possível pela primeira vez usar um PC sem Software não-Livre. Essa combinação é o sistema GNU/Linux.
http://www.gnu.org/gnu/gnu-linux-faq.html

Sobre o GNU Linux-libre

GNU Linux-libre é um projeto mantido desde 2007 pela FSFLA para publicar versões Livres do núcleo Linux, que em 1996 deixou de ser inteiramente Livre. São adequadas para usuários que não queiram abrir mão de suas liberdades e para distribuições de software que não queiram induzir seus usuários a esse comportamento prejudicial.
http://linux-libre.fsfla.org/
http://www.gnu.org/distros/

Fonte: http://www.fsfla.org/anuncio/2012-11-RMS-Brasil

Computador de 61 anos é restaurado e volta à ativa na Inglaterra

quarta-feira, novembro 21st, 2012

Notícia motivacional para os leitores fãs de retrocomputação que começam na era dos micros domésticos de 8 bits ツ

Via g1.globo.com:

Um dos computadores mais antigos do mundo, o Harwell Dekatron, criado em 1951, voltou à ativa e está exposto no Museu Nacional da Computação, em Bletchley, na Inglaterra, informou o site Daily Mail.

A máquina, que pesa 2,5 toneladas – o equivalente a 15 mil iPads Mini ou 20 mil iPhones -, foi usada até 1958 em modelos matemáticos para o desenvolvimento dos primeiros reatores nucleares do Reino Unido, no Centro de Pesquisa de Energia Atômica, no vilarejo de Harwell, no sul da Inglaterra.

Criado com 10 mil componentes móveis, incluindo 828 válvulas Dekatron, o computador era capaz de realizar 80 horas por semana de cálculos ininterruptamente. Os resultados eram armazenados em fitas de papel.

O trabalho de restauração, realizado por voluntários britânicos que fazem parte da Sociedade de Conservação de Computadores (CCS, na sigla em inglês) teve início em 2009 quando o computador foi encontrado em um depósito, desmontado em 50 partes, e levado ao museu britânico, em Bletchey.

Sem o Marco Civil, a internet é vunerável

sexta-feira, novembro 9th, 2012

“Em vários países, a Internet é considerada um direito fundamental. No Brasil, estamos tornando um direito governamental. Tudo fica para decreto.”

“Hoje é o dia de se investir contra a internet. Peço a atenção dos partidos de oposição. Tratar com pressa não é boa coisa.”

“Há uma ofensiva do governo para controlar a internet. A internet não pertence ao Estado. A internet pertence aos cidadãos. É livre e foi criada para ser livre”, disse.

As frases,  proferidas pelo deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), ilustram bem o que aconteceu nesta quarta-feira, 7/11, no Plenário da Câmara dos Deputados, ao aprovar  dois projetos de lei que tipificam crimes cometidos pela Internet e adiar para a próxima semana a votação do Marco Civil da Internet, que trata dos direitos dos internautas e dos deveres dos provedores de acesso e de serviços/conteúdos.

Criminalizamos a rede, mas não conseguimos chegar a um consenso sobre as liberdades que queremos defender. Entre elas, o princípio da neutralidade de rede, que de fato merece um debate mais aprofundado no Congresso, especialmente diante das implicações que uma regulamentação posterior, mal conduzida, possa ter, vis-à-vis às últimas declarações do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, já que o novo texto do Marco Civil delega a regulamentação das exceções ao Poder Executivo.

Me desculpe mais uma vez o Ministro Paulo Bernardo, mas não consigo ver no que o princípio de neutralidade de rede _regulamentado ou não pela Anatel _  ajudará a definir “quem vai ganhar o quê” com o atual modelo de negócios da internet e nem a “separar os interesses das grandes corporações da internet dos interesses de usuários individuais”.

Certamente, ministro, a julgar por suas declarações, vai separar os interesses dos usuários individuais e das grandes corporações da internet dos interesses das operadoras. Basta ver como elas têm se portado até hoje em relação à iniciativa dos pontos de troca de tráfego, PPTMetro, do Nic.br…

Uma das principais vantagens do modelo de pontos de troca é a racionalização dos custos, uma vez que os balanços de tráfego são resolvidos direta e localmente e não através de redes de terceiros, muitas vezes fisicamente distantes. Outra grande vantagem é o maior controle que uma rede pode ter com relação a entrega de seu tráfego o mais próximo possível do seu destino, o que em geral resulta em melhor desempenho e qualidade para seus clientes e operação mais eficiente da Internet como um todo.

Acordos multi­laterais e bilaterais de troca de tráfego podem resultar em economia de recursos com a contratação de banda e a melhor qualidade de interconexão. Razão pela qual as operadoras brasileiras ignoram a iniciativa de uso dos PTTs geridos pelo PPTMetro.

De novo é fácil entender: hoje, no Brasil, quem solicita a troca de tráfego com determinada operadora tem que ir até ela para buscar o que deseja. Ou seja, tem que levar uma conexão direta até o ponto da troca (quase sempre o datacenter da operadora ou do provedor controlado por ela). Ora, quem cobra por essa conexão _ muitas vezes um valor maior que o custo de uma linha de comunicação de dados padrão para um provedor internet?  A operadora, claro.

Vou além? Lembram da Taxa Google, defendida pelo senador francês Philippe Marini e pelo presidente da Airtel, da Índia, Sunil Bharti Mittal?

Pois é… me lembrei dela quando li sua declaração, ministro Paulo Bernardo: “Nem tudo que parece ser de graça é de fato de graça e os grandes sites de busca hoje estão trilionários”.

Pois bem…  É uma prática corrente do Google a instalação do chamado Google cache, um conjunto de equipamentos colocados dentro da operadora para facilitar o acesso dos clientes dessa operadora aos seus conteúdos mais requisitados. Onde o cache inexiste, seja pela natureza do conteúdo acessado ou por interesse da operadora, o acesso precisa ser roteado através das redes de comunicação de dados que formam a malha da internet, muitas vezes usando diversas redes, de diferentes operadoras. A tal Taxa Google seria uma taxa paga pelo Google pela interconexão das redes, como a taxa cobrada hoje entre as redes fixas e as redes móveis.

Mais uma vez, a lógica das operadoras é a de ganhar sempre, dos dois lados: de quem quer ter acesso ao conteúdo e de quem provê o conteúdo. Não contentes apenas em vender o acesso para o usuário, querem que os provedores do conteúdo que esse usuário deseja acessar também paguem por fornecerem esse conteúdo, que na visão delas, operadoras,  sobrecarrega a rede. É como se elas dissesse: hei, você aí, que entope a minha rede, e ganha muito com isso; você também tem que me pagar um pedágio por eu ter construído a estrada que escoa a mercadoria que você vende, além daquilo que você já me paga por levar a rodovia até a sua porta.

Explico. Tradicionalmente, cada ponta da Internet contrata a banda de que precisa e isso deveria ser o bastante para a cadeia de infraestrutura. Sempre foi assim. Um grande consumidor de banda, como por exemplo um provedor de vídeos, contrata e paga por sua conexão à rede. O mesmo ocorre com o consumidor, que pode escolher entre os diferentes planos, de acordo com a banda contratada. Portanto, no caso do provedor de vídeos o pagamento pela banda já ocorre. Se houver pagamento adicional, haverá cobrança dupla.

No extremo, imagine se a companhia de eletricidade quisesse participação no lucro das indústrias que usam eletricidade!?!

Pois bem, nada disso deveria dizer respeito ao princípio básico da neutralidade de rede. Aquele que estabelece que todos os pacotes de determinada natureza devam ter tratamento isonômico, ou seja, sejam tratados da mesma forma, sem discriminações quanto ao conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicativo utilizado na comunicação. Que um provedor de serviços de Internet não poderá tratar diferentemente um serviço online de vídeo de uma empresa concorrente, em benefício de um serviço análogo por ele gerenciado, por exemplo.

Todas as declarações do atual ministro são argumentos das operadoras na briga para a mudança do  modelo de remuneração da Internet. O que remete a outra discussão que, ontem, acabou por provocar novo adiamento da votação do Marco Civil na Câmara.

Neutralidade não deveria dizer respeito a planos e tarifas relacionados a velocidades e volumes, argumento usado pelo deputado Ricardo Izar (PSD-SP),  ao comprar  a internet com uma estrada congestionada. “Se um usuário paga R$ 9,90 para ter só e-mail e outro paga R$ 200 para baixar filmes, quem paga caro tem de ter prioridade na hora do congestionamento ou as operadoras terão de aumentar o preço do pacote mais barato”, disse ele.

Não senhor… Isso é o que as operadoras gostariam que acontecesse. Hoje, na estrada congestionada da Internet, mesmo quem tem uma Ferrari anda na mesma velocidade de quem tem um Fusca, simplesmente porque os veículos não são discriminados por marca ou modelo. Misturam-se no bolo engarrafado.  Só aos veículos de emergência é dada prioridade para que andem em uma velocidade acima da média. Em condições normais de tráfego, a Ferrari dispara, observados os limites de velocidade estabelecidos, entrega seus pacotes mais rápido do que quem anda de Fusca. Imaginemos que a Ferrari seja um  pacote de VoIP e o Fusca o pacote de e-mail. É exatamente o que já acontece hoje na Internet. Por razões técnicas da natureza do serviços que prestam, o VoIP anda mais rápido, sem que isso pese no valor pago. O valor do pago está relacionado às condições da estrada onde Ferrari e Fusca andam, mais larga ou mais estreita.

Explico. A neutralidade de rede prevista no Marco Civil não proíbe cobrança por volume de tráfego de dados, mas apenas a diferenciação de tratamento do pacote. O que o Marco Civil proíbe é a diferença de qualidade, mas não a de quantidade. Hoje, de certa forma, a cobrança é feita indiretamente por volume de tráfego, com base na capacidade máxima do fluxo de dados da conexão. Para usuários domésticos, por exemplo, cobra-se proporcionalmente à “capacidade da estrada”, ou seja, quantas pistas ela tem. Se a estrada é mais larga (10-20Mbps), paga-se mais do que quando é mais estreita (1-2Mbps).  Como a neutralidade garante que  os pacotes são enviados de um ponto a outro da rede sem que se faça distinção entre eles, com uma estrada mais larga, mais pacotes podem ser enviados ao mesmo tempo.

É em função dessas diferenças no tráfego que Demi Getschko, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), costuma dizer que neutralidade da rede é um conceito bastante complicado de se discutir, já que ela deve ser exercida em cada camada da rede, com diferentes implicações para cada uma dessas camadas. Em geral, segundo ele, neutralidade deve ser uma equação que equilibre qualidade e quantidade, com diferentes níveis de serviços, mas sempre garantida a não-discriminação dos pacotes.

Antes de qualquer coisa, é necessário dividir os serviços entre aqueles que não podem sofrer atraso e os que, se houver algum atraso razoável, não estariam prejudicados. Voz sobre IP (VoIP), por exemplo, seria um exemplo da primeira categoria, e correio eletrônico seria um exemplo da segunda categoria. Portanto, seria necessário, a seu ver, razoabilidade na administração desses serviços, de modo a garantir melhores conexões para os serviços que são sensíveis ao atraso.

O Marco Civil faz isso. De acordo com o texto proposto, o tratamento diferenciado a vídeos em tempo real ou mesmo a VoIP, por exemplo, está assegurado. Eles podem ser  priorizados por motivos técnicos justificáveis, que garantem a qualidade da boa prestação do serviço, sem que haja, contudo, violação ao princípio da neutralidade.

Outro princípio importantíssimo é que a inteligência da Internet está nas pontas, nos computadores ou terminais dos usuários, e não no núcleo da rede – e qualquer terminal pode se comunicar com qualquer outro. Esse conjunto é que permite e garante a inovação. Permite a livre concorrência e o surgimento de novos atores no mercado. Qualquer pessoa pode inventar uma nova aplicação e disponibilizá-la na rede, sem solicitar permissão a ninguém, sem ter de pagar nada a mais por isso, além da contratação da banda necessária para a consecução de seus serviços com qualidade. Não há barreiras que impeçam que determinados produtos circulem pelas estradas que formam a malha de tráfego da Internet.

Modelos diferenciados de cobrança considerando a origem e o tratamento dos pacotes poderiam resultar no fim do modelo descentralizado da Internet e em maior controle do meio em si, impedindo que determinadas mercadorias trafeguem livremente. Empresas de telecomunicações não poderão tratar de forma discriminatória aplicações que permitam a realização de conversas por voz por intermédio da rede. Na estrada, a Ferrari paga o mesmo pedágio que o Fusca. Mas como o dono do Fusca não necessita andar em altíssima velocidade, ele pode optar por usar estradas secundárias, onde a quantidade de pedágios é menor, o que faz o custo total pelo uso da estrada ser menor também. Dentro da estrada que você escolheu, tudo tem que ser tratado da mesma forma.

Os objetivos do Marcos Civil, ao preservar os direitos de todos os cidadãos e as características básicas da Internet, são garantir a neutralidade da rede e promover a inovação, proteger a liberdade de expressão e a privacidade do usuário, além de impedir propostas autoritárias que venham a desfigurar a natureza aberta, não proprietária e distribuída da Internet. É preciso que seja aprovado na Câmara, para que as discussões a respeito continuem no Senado, até mesmo para balizar a aplicação dos dois projetos de lei sobre crimes cibernéticos já aprovados, especialmente nos artigos 10 e 15, que tratam dos logs e da remoção de conteúdos. Dois pontos, aliás, tão polêmicos no novo texto do Marco Civil quanto a neutralidade.

É o Marco Civil que, em linhas gerais, definirá os limites da mão pesada do governo sobre a Internet. Estabelece os direitos, as garantias e as responsabilidades dos usuários e provedores de serviços de internet, além de padronizar diversos conceitos e estabelecer princípios e diretrizes para o uso da Internet no Brasil.

“A aprovação do projeto é de extrema urgência. Será muito importante para evitar contradições e inconsistências na regulação de outros temas relacionados à internet e há muito tempo têm sido cobrados pela sociedade – como a proteção de dados pessoais, os cibercrimes e o comércio eletrônico”, ressalta o  secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira.

Não discuti-lo e aprová-lo, considerando todas essas questões, aproveitando-se de manobras políticas, é dar razão ao deputado Miro Teixeira.

FONTE

Stallman: Vamos limitar os efeitos das patentes de software, uma vez que não podemos eliminá-las

quarta-feira, novembro 7th, 2012

Autor: Richard Stallman
Traduzido Livremente de: http://www.wired.com/opinion/2012/11/richard-stallman-software-patents

As patentes ameaçam a todos os desenvolvedores de software, e a guerra de patentes que temíamos afinal eclodiu. Desenvolvedores e usuários de Software – que em nossa sociedade, são a maioria das pessoas – necessita que o software seja livre de patentes.
As patentes que nos ameaçam são frequentemente chamadas de “patentes de software”, porém este termo não é o mais correto. Essas patentes não são sobre um programa específico. Cada patente descreve alguma ideia prática, e diz que qualquer pessoa usando esta ideia pode ser processada. Então é melhor chamá-las de “patente de ideias computacionais.”
O sistema de patentes americano não rotula as patentes dizendo que uma determinada patente é uma “patente de software” e outra não é. Os desenvolvedores de software são os que fazem esta distinção, entre as patentes que nos ameaçam – aquelas que cobrem ideais que podem ser implementada em software – e as demais. Por exemplo: Se uma ideia patenteada é a forma de uma estrutura física ou uma reação química, nenhum programa pode implementar tais ideias; estas patentes não ameaçam a área de software. Porém se a ideia patenteada é uma computação, esta patente atrapalha os usuários e desenvolvedores.
Isto não quer dizer que uma ideia computacional patenteada atrapalha apenas o software. Estas ideias também podem ser implementada no hardware… e muitas delas tem sido feitas. Cada patente tipicamente cobre a implementações em hardware e/ou software destas ideias.

A magnitude do problema do Software 

Ainda assim, é no software onde as patentes de ideias computacionais causam um problema especial. No software, é fácil implementar milhares de ideias em conjunto em apenas um programa: Se 10 por centos das ideias, forem patenteadas isso significa que centenas de patentes podem ameaçar este software.
Quando Dan Ravicher da Fundação Pública de Patente estudou um grande programa (o Linux, que é o kernel do sistema operacional GNU/Linux) em 2004, ele encontrou 283 patentes registradas nos Estados Unidos que cobriam ideias computacionais implementada no código fonte deste programa. No mesmo ano, foi estimado que o Linux representava 25 por centos de todo o sistema GNU/Linux. Multiplicando 300 por 400 nos teremos a ordem de grandeza deste problema, estima-se que todo o sistema é ameaçado por cerca de 100,000 patentes.
Se metade destas patentes forem eliminadas como patentes “de qualidade inferior” – ou seja, erros no sistema de patentes – não iria mudar muita coisa. Se são 100,000 patentes ou 50,000, é o mesmo desastre. É por isso que é um erro limitar nossa crítica as patentes de software a apenas aos “trolls das patentes” ou patentes “de qualidade inferior”. Nesse sentido a Apple, que não é um “troll” pela definição habitual, é o mais perigoso agressor de patentes hoje em dia. Eu não sei se as patentes da Apple são de “boa qualidade”, porém quanto melhor a “qualidade” da patente, maior é o perigo que esta representa.

Precisamos corrigir todo o problema, não apenas uma parte. 

As sugestões usuais para corrigir o problema legislativamente envolve a alteração dos critérios de concessão de patentes – por exemplo, proibir a concessão de patentes sobre práticas computacionais e de sistema que as realizem. Mas esta abordagem tem duas desvantagens.
Primeiro, os advogados de patentes são hábeis em reformular patentes para que esta se encaixem às regras do sistema de patentes; eles transformam qualquer tentativa de limitar o conteúdo das patentes em uma exigência sobre a forma apenas.
Por exemplo, muitas patentes de ideias computacionais, nos Estados Unidos, descrevem um sistema computacional incluindo uma unidade aritmética, um sequenciador de instrução, uma memória, mais controles que realizam uma computação em particular. Isto é um jeito peculiar de descrever um computador rodando um programa que realiza uma computação qualquer; esta forma foi pensada para fazer com que a aplicação de patente satisfaça os critérios que acreditava-se eram solicitado pelo sistema de patentes americano.
Segundo, os Estados Unidos já tem milhares de patentes de ideias computacionais, e alterar o critério para evitar a emissão de novas patentes não faria desaparecer as patentes existentes. Nós teríamos que esperar quase 20 anos para que o problema seja corrigido através da expiração das patentes existentes. E legislar a abolição destas patentes, é provavelmente inconstitucional. (Perversamente, a Suprema Corte insiste que o congresso pode estender os privilégios privados as custas dos direitos públicos, porém não pode ir na direção contrária.)

Uma abordagem diferente: Limitar o efeito, não a patenteabilidade 

Minha sugestão é mudar os efeitos das patentes. Deveríamos legislar para que o desenvolvimento, a distribuição ou execução de um programa, em geral, usando computadores não constitui violação de patente. Esta abordagem tem várias vantagens:
– Não exige a classificação de patentes ou a aplicação de patentes como de “software” ou “não de software.”
– Esta fornece proteção aos desenvolvedores e usuários das atuais e potencias patentes de ideias computacionais.
– Advogados de patentes não podem derrotar os efeitos pretendidos ao escrever aplicações de patentes de forma diferente.
Esta abordagem não invalida completamente as patentes de ideias computacionais, porque estas continuam sendo aplicada as implementações usando computadores com finalidade especial.

Esta é uma vantagem porque elimina o argumento contra a validade jurídica deste plano. Os Estados Unidos aprovaram uma lei, a alguns anos atrás, blindando os cirurgiões de processos de patentes, de modo que mesmo que procedimentos cirúrgicos estejam patenteados, os cirurgiões estão seguros. Isto provê um precedente para esta solução.
Desenvolvedores e usuários precisam de proteção contras as patentes. Esta é a única solução legislativa que provê proteção completa.
Poderíamos, então, voltar a competir ou cooperar… sem medo que algum estranho levara o nosso trabalho.

Fonte: Blog do Marcelo Soares Souza