janeiro, 2013

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Hacker réu – Por Tatiana de Mello Dias

terça-feira, janeiro 15th, 2013

Aos 25 anos, ele é reverenciado por programadores e defende o acesso livre a documentos acadêmicos. Mas foi preso em 2011, acusado de roubar milhões de arquivos da biblioteca do MIT


EUA vs. Aaron Swartz. Documento do processo mostra as acusações contra ele.

SÃO PAULO – “Informação é poder”, escreveu o programador Aaron Swartz, então com 22 anos, no manifesto Guerilla Open Access. O texto, de 2008, defendia o acesso livre e gratuito aos textos de pesquisas científicas e de revistas acadêmicas, protegidos por sites que cobram caro pelo acesso.

“Nós precisamos pegar a informação, independentemente de onde esteja, fazer nossas cópias e compartilhá-las com o mundo. Precisamos comprar bases de dados secretas e colocá-las na web. Precisamos baixar publicações científicas e colocá-las em redes de compartilhamento.”

Quatro anos depois, Aaron não pode falar do assunto. O manifesto está fora do ar. Acesso livre virou tema proibido para ele. E o programador responde a um processo, acusado de baixar ilegalmente quatro milhões de documentos da biblioteca do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

 ”A indústria do entretenimento gasta muito dinheiro em lobby”, diz Aaron Swartz, programador e ativista. FOTO: Divulgação

Em entrevista ao Link por e-mail, ele prefere não responder às perguntas sobre o tema. Pudera: se condenado, sua pena pode chegar a 35 anos de prisão e a uma multa de US$ 1 milhão.

Aos 25 anos, Swartz tem um currículo invejável. Foi um dos criadores do Reddit, do protocolo de RSS 1.0, trabalhou com Tim Berners-Lee e Lawrence Lessig.

Swartz é respeitado tanto tecnicamente como politicamente. E agora está envolvido em um processo milionário. No ano passado, ele baixou quatro milhões de artigos do Jstor (sigla para Journal Storage – armazenamento de diários, em inglês), um arquivo de textos acadêmicos e revistas científicas que cobra US$ 19 mensais pelo acesso.

“Roubo é roubo, independentemente se você usa um comando no computador ou um pé-de-cabra. É igualmente danoso para a vítima”, disse a procuradora de Massachusetts, Carmen M. Ortiz.

Swartz é um dos responsáveis por criar a Open Library, biblioteca aberta que hoje está no Internet Archive, e no Watchdog.net, portal para fiscalizar os políticos dos Estados Unidos.

Tesouro nacional. Tecnologia e política, para ele, sempre andaram juntas. “Acho que as pessoas se tornam muito mais eficientes conforme a tecnologia se torna mais importante nas nossas vidas, proporcionando um entendimento básico de programação a todos”, disse ao Link. “Hoje muita gente não entende como a tecnologia funciona, então pensam que podem magicamente parar as coisas erradas. Se soubessem como programar, teriam sugestões mais razoáveis.”

Swartz vive em Boston. Solto depois de pagar uma fiança de US$ 100 mil, ele acorda cedo e tenta “pensar e escrever” antes de ligar o computador. Passa o dia conversando com pessoas e trabalhando em vários projetos. À noite, procura ler um livro. O New York Times o chamou de “grande negócio” do mundo da tecnologia. Já se referiram a ele também como “tesouro nacional” e “garoto dos sonhos”.

Autodidata em programação, era pré-adolescente quando trabalhou com Tim Berners-Lee, o pai da World Wide Web, em seu projeto de web semântica. Pouco depois, trabalhou no desenvolvimento do protocolo RSS 1.0, o que popularizou a leitura através de feeds (atualizações em tempo real).

Por ter mais tempo livre do que as demais pessoas da equipe do projeto, ele pegou para si a maior parte do trabalho. Foi reconhecido como coautor da especificação. Ele tinha 14 anos.

Foi nesta época que Swartz conheceu Lawrence Lessig. Ele leu uma notícia sobre a possível criação das licenças Creative Commons e ficou interessado. Entrou em contato com o advogado americano para tentar convencê-lo a usar as tecnologias que estava desenvolvendo com Tim Berners-Lee.

Swartz e Lawrence Lessig. FOTO: Arquivo Pessoal 

“Ele respondeu que era uma boa ideia e que eu devia implementá-la”, disse. Ele ajudou na arquitetura do sistema das licenças e na programação. “A maneira como Lessig encoraja as pessoas é inspiradora, assim como seu estilo único de se comunicar e seu foco intenso em problemas importantes”, diz Swartz sobre o antigo patrão.

Sua habilidade técnica o tornou conhecido entre programadores. Aaron Swartz criou mais tarde o Reddit, comunidade de compartilhamento de links.

Os códigos em Python que ele usou para escrever o site deram origem ao web.py, kit de desenvolvimento para aplicações web. Ele colocou tudo em domínio público. O web.py inspirou o desenvolvimento de elementos do FriendFeed, Google e Facebook – por aí, dá para se ter uma ideia da influência dele na web hoje.
Swartz escreveu seu manifesto logo que saiu do Reddit. Suas ações políticas confundiam-se com os trabalhos em que se envolvia. Em 2008, por exemplo, participou de uma pesquisa que consistia em analisar projetos acadêmicos para mostrar a influência de grandes corporações. Só precisava dos arquivos.
Este passado agora é um peso para Swartz. A acusação do governo dos EUA diz que ele baixou o repositório do Jstor para distribuir os arquivos ao público em redes de compartilhamento. É o que diz o manifesto escrito por ele. Mas não há provas de que Swartz realmente faria isso. No processo, ele responde por crimes de segurança – fraude de computadores e invasão de sistemas, por exemplo – e não por infração de copyright.

“Sinceramente espero que o Jstor seja capaz de recuperar os documentos”, escreveu a procuradora Carmen M. Ortiz, como se a cópia dos documentos apagasse os originais.

O Jstor é um serviço sem fins lucrativos financiado por instituições. A Capes, por exemplo, paga ao Jstor para que estudantes brasileiros tenham acesso aos artigos. O dinheiro não vai para os cientistas – mas para editoras que publicam os estudos.

A ação de Swartz foi descoberta pelos sistemas de monitoramento do Jstor, mas a própria instituição não quis dar sequência ao processo. Ela divulgou uma nota oficial para deixar clara a posição: “Nosso interesse era tornar o conteúdo seguro. Uma vez que isso tenha sido atingido, não temos interesse em levar adiante a questão ilegal”.

Lawrence Lessig saiu em defesa do pupilo. “Não acredito que Aaron fez isso para ganhos pessoais”, disse. Para Lessig, a legislação não é clara. Aaron, porém, pode ter “ultrapassado uma linha”. “Não é uma linha que eu considero legal, mesmo que seja uma que precise ser refeita por leis mais atuais.”
Swartz agora se dedica à Demand Progress, entidade que organiza as pessoas para pressionar o governo americano – e ajudar a fazer lobby. O grupo promove campanhas online e coloca os cidadãos em contato direto com os congressistas.

“Fiquei frustrado por não existir nenhum grande grupo político nos EUA unido a ativistas online, grandes e de base. Pensei em combinar os dois”, diz Swartz sobre o projeto, um dos únicos assuntos que comenta livremente.

Para ele, é preciso que a comunidade de tecnologia se reúna para pressionar o governo com mais eficiência. “Poderíamos ser mais efetivos se tivéssemos mais recursos. A indústria do entretenimento gasta montes ridículos de dinheiro em lobby. Como resultado, eles espalham mentiras sobre nós e a tecnologia, e é bem difícil corrigi-los.”

Trabalho duro. Aaron Swartz aprendeu a programar quando fez um curso online no site do MIT. Nesta mesma instituição ele trabalhou com Tim Berners-Lee na criação de protocolos para compartilhamento de dados. Aos 13 anos ele entrou para o grupo que desenvolvia o RSS 1.0, protocolo que popularizou a leitura de feeds, em 2000. Depois, ajudou Lawrence Lessig na programação e na arquitetura das licenças Creative Commons e foi um dos criadores do Reddit, rede social de notícias, em 2007. Ele criou o web.py, kit de desenvolvimento que facilita a criação de aplicações web na linguagem de programação Python. Ele inspirou o desenvolvimento da rede social FriendFeed e partes do Facebook e do Google App Engine, ferramenta do Google que permite a criação de aplicativos web.

FONTE

Como o Windows 8 ajuda o Linux

terça-feira, janeiro 15th, 2013

No início deste ano, o Windows 8 foi lançado com grandes expectativas. A Microsoft apostou nele para ser um divisor de águas tanto para o mundo tablet como para o mundo desktop. De acordo com Redmond, a mais recente versão do sistema operacional mais popular do mundo é uma ponte entre o tablet e o desktop. Com uma interface elegante, redesenhado e sensível ao toque, o Windows 8 estava pronto para se tornar outro marco para a Microsoft.

No entanto, as expectativas de Steve Ballmer foram esmagadas quando as primeiras análises não foram boas. O Windows 8, juntamente com sua interface Metro, foi criticado por sua falta de usabilidade e design confuso. Muitos usuários postaram vídeos de seus amigos e familiares em momentos difíceis para descobrir como usar o sistema.

Então, o que significa isto para os seus concorrentes de desktop como o Linux, Mac OS X, e talvez o Google Chrome OS? Será que eles têm uma chance de ouro contra o poderoso gigante? Nós não sabemos sobre o Mac OS X mas o Linux certamente sim. Na verdade, é uma grande oportunidade para o Linux mostrar a sua presença.

Mas o que há de errado com o Windows 8?

A razão mais popular para ficar com o Windows e não mudar para qualquer outro sistema operacional é a familiaridade. Durante anos, o botão Iniciar, os menus e a área de trabalho são sinônimos de computador. Algumas distribuições do Linux foram até projetadas de modo que seria mais fácil para os usuários do Windows migrarem para o lado do pinguim quando mostram a familiaridade do Windows-like para o usuário. Em suma, a interface tradicional do Windows, que durou e evoluiu a partir do Windows XP para o Windows 7 já está implantado em muitos usuários de desktop. Mas o Windows 8 acaba com essa familiaridade. A interface de azulejos, o toque amigável e a ausência do menu Iniciar no Windows 8 faz dele um produto completamente diferente. A Microsoft permite até que os usuários tenham o botão Iniciar, mas o foco principal do produto continua sendo a interface Metro. Isso tem irritado profundamente um monte de usuários. E estes são os mesmos usuários que ficaram com a Microsoft pela sua familiaridade.

win8linux

E onde entra o Linux?

Enquanto o Windows 8 continua sendo criticado pelos usuários, o Linux pode pegar essa oportunidade. Certamente não serão muitos usuários do Windows que vão estar à procura de alternativas. Alguns deles, de fato, muitos deles, não gostariam de gastar tanto dinheiro em um computador da Apple. Eles vão começar a procurar alternativas que se encaixam em seu orçamento e são confiáveis. E com o desastre do Windows 8, os amantes do Linux podem ter certeza que Redmond nivelou o campo de jogo. Se você comparar o Windows 8 com o Linux Mint ou o Ubuntu, você vai achar os últimos muito melhores. O Mint já está ganhando bastante reconhecimento e está ficando melhor e melhor a cada dia. A Microsoft tem um imenso império que não pode ser facilmente abalado pelo Linux ou pelo Mac OS X. No entanto, se você analisar bem, você vai perceber que hoje é muito mais fácil impactar o mercado do que era antes. O Windows 8 é um cruzamento entre tablets e desktops. O Ubuntu também. O Ubuntu pode ser usado no ambiente de trabalho, tablets e agora temos o Ubuntu para Android também. Então, não é assim tão fácil de descartar a possibilidade de o Ubuntu ou o Linux em geral preocupar a Microsoft.

Conclusão

O Windows 8 tornou o caminho mais fácil para o Linux provar aos usuários de desktop que existe um mundo maravilhoso lá fora, sem janelas. Se você não está convencido, é hora de experimentar o Windows 8 e depois compará-lo com distribuições Linux como o Ubuntu ou o Linux Mint, entre outras.

Por Helbert Rocha – FONTE

Morre o ativista, Criador do Reddit e Creative Commons Aaron Swartz

segunda-feira, janeiro 14th, 2013

O norte-americano Aaron Swartz, um dos proprietários da rede social Reddit, site de compartilhamento de informações disponíveis na internet, cometeu suicídio no último dia 11 de janeiro, em Nova York, nos Estados Unidos, de acordo com o site “Mashable”.

A informação foi divulgada por um tio de Swartz e confirmada pelo advogado do jovem empresário. Nascido em 1986, Swartz era um ativista on-line e fundador do site Demand Progress, criado para “obter mudanças progressivas nas políticas”.

Aluno da Universidade de Harvard, ficou conhecido após ser acusado em julho de 2011 de hackear os servidores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e roubar cerca de 5 milhões de artigos acadêmicos.

Ele foi um dos criadores do agregador RSS, que permite aos usuários receberem atualizações de sites regularmente, quando tinha 14 anos. Em 2009 veio ao Brasil para participar do Fórum Social Mundial em Belém, no Pará.

Ele teria invadido o Jstor, um serviço de pesquisa que oferece cópias digitais de mais de mil documentos acadêmicos e pesquisas, e roubado alguns destes arquivos datados do século 17.

A Justiça dos EUA afirmou que Swartz roubou 4,8 milhões de artigos de setembro de 2010 a janeiro de 2011 após invadir um computador que estava no campus da instituição.

Foram tantos arquivos baixados que os servidores não suportaram a carga de acessos, segundo a acusação, que afirma que Swartz pretendia distribuir os arquivos pela internet.

Há suspeita de que ele tinha depressão. Posts encontrados em blog de Swartz revelam experiências do norte-americano com a depressão, além de outros problemas de saúde.

(esta primeira parte da notícia foi compartilhada por Haldrin Figueiredo)

Carta da família de Aaron Swartz

Official Statement from the family and partner of Aaron Swartz

“Our beloved brother, son, friend, and partner Aaron Swartz hanged himself on Friday in his Brooklyn apartment. We are in shock, and have not yet come to terms with his passing”.

[…]

“Aaron’s death is not simply a personal tragedy. It is the product of a criminal justice system rife with intimidation and prosecutorial overreach. Decisions made by officials in the Massachusetts U.S. Attorney’s office and at MIT contributed to his death. The US Attorney’s office pursued an exceptionally harsh array of charges, carrying potentially over 30 years in prison, to punish an alleged crime that had no victims. Meanwhile, unlike JSTOR, MIT refused to stand up for Aaron and its own community’s most cherished principles.

Today, we grieve for the extraordinary and irreplaceable man that we have lost”.

[…]

Leia mais no memorial preparado pela família de Aaron Swartz em: http://rememberaaronsw.com

“Não foi em vão, Aaron Swartz”

Para quem se interessar mais, também recomendamos que leia o post da Tatiana de Mello Dias, do Estadão:

“[…] Eu fiquei o dia todo pensando. Foi uma das mortes distantes que mais me tocou nos últimos tempos. Eu li um monte de coisas sobre isso. Li um comentário de que pessoas como Aaron, inquietas e que vivem em luta para melhorar o mundo, não conseguem aguentar muito tempo no planeta. Li que Aaron nunca trabalhou para fazer dinheiro. Também li que agora as leis de crimes na internet precisariam ser revistas. Li que Aaron não gostava muito de conversar. Era um cara solitário que preferia ler os livros a conversar com os autores, embora tivesse acesso a eles. Li que Aaron foi libertário até o fim, assumindo as rédeas para controlar a hora da própria morte. […]”

Leia mais em http://blogs.estadao.com.br/tatiana-dias/nao-foi-em-vao-aaron-swartz/

FONTE