Todo criminoso digital é hacker? – Por Ronald Sanson Stresser Junior

Written by Alessandro Moura on setembro 7th, 2011

Fazendo minha leitura diária na coluna de tecnologia de um grande jornal, vi uma notícia que me chamou a atenção. Falava de um hacker norte-americano que foi condenado pela justiça daquele país a seis anos de prisão por “extorsão sexual”. Segundo a notícia, o criminoso enviava, anexados a arquivos com músicas e imagens, scripts maliciosos para suas vítimas. As desavisadas abriam os arquivos e acabavam instalando um cavalo de Troia no computador. Depois disso, o meliante conseguia total acesso aos arquivos, e-mail e até webcam de mais de 100 computadores.

Tudo bem, o pervertido pegou seis anos de cadeia. Rezemos para que saia recuperado após pagar por seus crimes. Tudo justo e claro, penso eu, exceto denominar o marginal como hacker. Pelo que consta na Wikipédia, “originalmente, e para certos programadores, hackers (singular: hacker) são indivíduos que elaboram e modificam software e hardware de computadores, seja desenvolvendo funcionalidades novas, seja adaptando as antigas”. Ainda, segundo a Wikipédia, “a verdadeira expressão para invasores de computadores é denominada cracker e o termo designa programadores maliciosos e ciberpiratas que agem com o intuito de violar ilegal ou imoralmente sistemas cibernéticos”.

Todos sabem que hackers têm sido contratados por bancos, empresas de telecomunicações, fabricantes de telefone celular, computadores e diversos outros setores, para trabalhar em segurança digital. Então, acho perigoso que sempre que peguem um marginal que comete crimes pela internet rotulem hacker o praticante de toda e qualquer transgressão acontecida no espaço cibernético.

Hacker é um especialista em tecnologia

Pervertido sexual e chantagista mudou de nome? Acho que não, continua, dentro ou fora do universo virtual, sendo qualificado pelo mesmo crime que seria se o tivesse cometido nas ruas. Meu raciocínio é que se uma pessoa invade a casa da outra, seja pela porta ou pela conexão de internet, está invadindo. E pronto, pego como invasor, vai cumprir pena como tal. Se é um pervertido sexual, não é porque usa a internet que vira hacker. Dentro e fora da rede é pervertido sexual da mesma forma e deve pagar igual. Qualquer crime cometido na rede mundial de computadores encontra paralelo no universo material.

Desde que inventaram o correio, junto surgiram às fraudes e abusos com o serviço postal e destinatários. Quem não se lembra da caixa de correio lotada de propaganda é porque já teve seu nascimento divulgado por e-mail. E aquela propaganda de publicação que vinha dizendo “você foi escolhido para ganhar nosso grande prêmio”. Da mesma forma, o advento da telefonia trouxe consigo o trote e os crimes cometidos por telefone, como falsa denúncia, tentativas de extorsão, grampos ilegais etc.

Por que com os computadores é diferente? Se todo criminoso digital é hacker, então a pena deveria ser igual. Não vejo aí qual a vantagem para sociedade em rotular quem comete crimes pela internet como hacker. O criminoso e o crime são os mesmos, se foram oriundos do espaço virtual, ou não, pouco importa.

Todas as contravenções e crimes estão previstos em lei, se forem cometidos na rua, ou onde quer que seja, devem ser punidos da mesma forma. Invasão de computador é invasão de domicílio; afinal, entram no seu computador, que está dentro da sua casa. Um hacker é apenas um especialista em tecnologia; se ele vai usar esta tecnologia para o bem ou para o mal, é outra questão. Se alguém comete um crime, acho que o fato de ter sido praticado conectado, ou desconectado, pouco importa: a justiça é igual para todos. A lei é dura, mas é a lei.

[Ronald Sanson Stresser Junior é radialista e arquiteto da informação]

FONTE

 

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