Software Livre e o mito do voluntariado – Por Marcelo Soares Souza

Written by Alessandro Moura on novembro 4th, 2011

“Software Livre é uma questão de liberdade, não de preço” com estas palavras Richard Stallman costumava definir parte da ideia deste movimento que nos últimos anos encontrou seu espaço e se consolidou com uma alternativa real a um outro movimento, também com forte conotação ideológica e que também tem seus ditos messias e profetas, o do software proprietário. Modelos de negócios surgiram e se consolidaram em torno do Software Livre, este já faz parte do jogo de mercado e é um fato que dificilmente regredira. Software Livre também esta no mercado para competir, para oferecer a melhor solução pelo melhor preço.

Porém ainda existe muita confusão, ainda existe muita cobrança daquele quer de ideológico de toda esta história, desejo justo porém que precisam ser esclarecidos. Entenda que desenvolver Software não é, a todo tempo, algo mágico e misterioso, a arte esta nos detalhes mas nem todos são ou querem ser artistas. O querer dedicar a vida a construir algo relevante esta no imaginário de todos, porém esbarramos numa realidade dura qual concreto e no fato de que nem todos irão dar as mãos e abdicar de tudo mais.

Socialmente justo, economicamente viável e tecnologicamente sustentável são palavras de ordem, em per si o socialmente justo esta implícito na proposta do Software Livre, o tecnologicamente sustentável é uma realidade desde sempre na tecnologia da informação pois quem consome também pode, se assim o quiser, produzir suas próprias ferramentas tornando-se independente, porém o economicamente viável depende sim do jogo de mercado, da troca direta de algo imaterial por algo também imaterial (afinal a cédula de papel também é um simbolo, uma representação de algo) que se transforme em material para provê o sustento desta nosso invólucro material.

Não raramente exige-se um comprometimento hercúleo daqueles que se propõe a enfrentar este desafio de produzir algo que de imediato não tem valor de trocar, pois é dado de graça, livremente a qualquer um que queira usufruir. A aquele que consome, que usa e usufrui plenamente desta dádiva o único compromisso que é exigido é que mantenha as mesmas regalias que lhe foi dado, seja justo e compartilhe. Justo, se do seio da sociedade obtivemos nossos conhecimentos, se da troca constante crescemos e amadurecemos nossos frutos tem que ser compartilhados com todos.

A dinâmica de mercado é importante sim para o Software Livre, precisa-se sim da troca para complementar o trabalho, o esforço, as ideias expressas e quiça o suor. Não conheço um único profissional de TI que não se sentiria muito mais satisfeito e pleno trabalhando em uma iniciativa de Software Livre sendo bem remunerado do que em qualquer outro projeto no outro modelo proposto. Existe uma satisfação sem igual em contribuir e mostrar seu trabalho abertamente, além do sentimento caridoso esta a necessidade de reconhecimento entre os pares. Tão melhor se bem remunerado financeiramente para que se possa retroalimentar a própria existência material de maneira plena.

Nem todo trabalho de Software Livre é voluntário, caridoso, eu diria que muitos antes outros sentimentos afloram naqueles que embarcam nesta ideia. O desejo de construir algo relevante para ser reconhecido, a vontade de aprender e tantos mais. O reconhecimento é negado a aqueles que se fecham e trancam suas ideias com medo de que sejam tomadas de assalto. Eu sei quem é Linus Torvalds e o que ele fez, eu sei quem é Richard Stallman e o que ele fez, eu sei cada nome e louvo cada desenvolvedor de Software Livre, são heróis conhecidos, estes nomes estão escritos na história.

E você sabe quem fez aquele tão afamado Sistema Operacional ou apenas o nome de quem pagou por ele? “Herói” desconhecido, soldado (programador) sem nome, seus esforços são em vão, não irei chorar tua morte pois teu nome não me foi dito.

Nas supostas palavras de Bernard Shaw, “Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, se as trocarmos, cada um de nós continuará com apenas uma maçã. Mas eu tenho uma idéia, e você tem uma idéia. Se as trocarmos um com o outro, ambos teremos duas idéias”. O desenvolvedor de Software Livre além das tuas ideias precisam de algumas maças também, afinal são gente como a gente. Penso logo existo, mas se não como logo, logo não mais existo.

Peguemos os exemplos mais bem sucedidos no Software Livres tais como a Fundação Mozilla, nascido das entranhas da Netscape Communications Corporation, uma base solida de ideias, um ideal e sim investimentos de capitais consideráveis, neste ano lucro de mais de 120 milhões. LibreOffice, descendente direto do StarOffice, uma boa ferramenta que se tornou uma excelente alternativa quando aberta a novas ideias e que vem poupando tantos bolsos públicos e privados. Melhorias notáveis no simbolo maior do Software Livre o Kernel Linux se deram, nos últimos anos, com a entrada de investimentos diretos de recursos financeiros para seus mais proeminentes colaboradores. E é algo que aprendi é que grandes corporações não investem sem a certeza de ganhos futuros.

Querer a troca justa do trabalho pelo sustento não é imoral, não deturpa a ideia de Software Livre, não corrompe seus participantes e muito menos os aproxima do modelo do software proprietário. Entenda que para ser Socialmente justo e tecnologicamente sustentável é preciso ser economicamente viável para aqueles que trabalham por este, que gastam incontáveis horas além do expediente diário para construir soluções que sejam úteis a todos e que para isto apenas pedem que seja você também seja justo, compartilhe.

Agora imagine, se como voluntário, os desenvolvedores de Software Livre, produzem tantos frutos que beneficiam a tantos, como um trabalhador pleno o quanto mais poderia fazer por você, por todos nos?

FONTE: http://marcelo.juntadados.org/node/view/software-livre-e-o-mito-do-voluntariado

 

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