A evolução do Linux

Written by Alessandro Moura on maio 28th, 2012

Linux é um sistema operacional de código aberto e gratuito. Seu núcleo (Kernel) foi lançado por Linus Torvalds em 1991. Atualmente, segundo o site DistroWatch, existem 321 distribuições do Linux.

Símbolo do Linux (Foto: Divulgação) (Foto: Símbolo do Linux (Foto: Divulgação))

No Brasil, diversos computadores já podem ser comprados com versões do Linux e seu uso cresce a cada dia. No entanto, esse sucesso teve um começo revolucionário. Nesse artigo,  o TechTudo apresenta a história do Linux e as pessoas que lutaram para trazer ao mundo um sistema operacional de qualidade e gratuito.

Em meados da década de 1980, os sistemas operacionais tinham uma origem comum: o UNIX (Uniplexed Information and Computing System), um sistema operacional criado, em 1970, por pesquisadores do Bell Labs, incluindo Ken Thompson, Dennis Ritchie, Brian Kernighan, Douglas McIlroy e Joe Ossanna. O UNIX foi usado como base para a criação dos sistemas operacionais da Microsoft e da Apple, por exemplo. As principais características desse sistema eram o suporte a multitarefa e multiusuários.

Ken Thompson e Dennis Ritchie (Foto: Reprodução / Wikipedia)

Diversas empresas licenciaram o UNIX para servir de base para seus sistemas operacionais. No entanto, em 1983, Richard Stallman começou o projeto GNU (acrônimo para “Gnu is Not Unix”), com o objetivo de construir um sistema operacional parecido com o UNIX e gratuito. Sua contribuição mais famosa é a licença GPL (GNU General Public License), a mais usada para a divulgação de software livre. A licença permite a distribuição, cópia e alteração do software, desde que os produtos derivados também sejam distribuídos com a licença GPL.

Em 1990, o projeto GNU já possuía praticamente todo o código fonte para um sistema operacional completo. No entanto, seu núcleo, chamado Hurd, não atraia a atenção dos desenvolvedores, deixando o desenvolvimento incompleto.

Richard Stallman (Foto: Reprodução / Wikipedia)

Em 1986, no entanto, Maurice J. Bach, do Bell Labs, publicou o livro intitulado The Design of the UNIX Operation System (O projeto do sistema operacional UNIX, em tradução livre). Esse livro foi a descrição definitiva do sistema UNIX na época e norteou a criação dos sistemas que o seguiram.

Em 1987, Andrew S. Tanembaum criou o MINIX, um sistema operacional baseado no UNIX e focado no uso acadêmico. Embora o código do MINIX estivesse disponível, modificações e redistribuições eram restritas. Além disso, a arquitetura de 16 bits do sistema operacional não se adaptava bem às características dos processadores da família 386 da Intel, que ficavam cada vez mais baratos e populares. Esses fatores e a falta de um kernel gratuito e largamente adotado fez com que o jovem Linus Torvalds começasse seu projeto. Segundo Torvalds, ele nunca teria feito seu kernel se outros estivessem disponíveis na época.

O início de tudo

Em 1991, na cidade finlandesa de Helsinki, Linus começou o projeto que se tornaria o núcleo do sistema Linux. Inicialmente, o projeto visava criar um emulador de terminal, que permitiria Linus acessar os servidores UNIX da universidade. Ele escreveu o programa especificamente para o seu computador e sem usar um sistema operacional específico, pois desejava usar todas as funções do seu novo computador, com processador 80386 da Intel.

O desenvolvimento se baseou no MINIX. Como Linus Torvalds escreveu em seu livro “Just For Fun: The Story of an Accidental Revolutionary” (Apenas por Diversão: A história de um Revolucionário Acidental, em tradução livre), ele eventualmente percebeu que tinha construído um sistema operacional. Em 25 de agosto de 1991, Linus anunciou seu sistema através de uma mensagem para o grupo de notícias “comp.os.minix”, da rede Usenet.

Instalação complexa

Diferentemente dos sistemas comerciais, que vinham nos computadores prontos para serem usados, a instalação do sistema operacional de Linus Torvalds era complexa. O sistema vinha em disquetes de 5,25 polegadas, usados para executar o Linux. Para instalá-lo em um disco rígido, o usuário precisava de um editor hexadecimal para inserir as primeiras instruções diretamente na MBR (Master Boot Record) do disco. Essa não era uma tarefa para qualquer programador e, por isso, começaram a surgir as primeiras instruções, feitas por Erik Ratcliffe, as quais chama-se, hoje, de tutoriais (HOWTO).

Linus Torvalds (Foto: Reprodução / Wikipedia)Linus Torvalds (Foto: Reprodução / Wikipedia)

Em 1992, Andrew S. Tanenbaum, cientista da computação reconhecido e autor do sistema Minix, escreveu um artigo para o mesmo grupo de notícias que Linux havia anunciado o Linux. Seu artigo, intitulado de “Linux is obsolete” (Linux está obsoleto), marcava o começo de um famoso debate sobre a estrutura do recente Linux.

As principais críticas envolviam a estrutura monolítica do kernel, que previa a inclusão de todos os drivers no próprio kernel e gerava baixa compatibilidade com hardwares diferentes. Essa característica foi modificada e, atualmente, o kernel do Linux é modular, permitindo a inclusão de drivers sob demanda, sem precisar reiniciar o sistema. A baixa compatibilidade era fruto, também, do código para as funcionalidades do processador Intel 386, que não eram genéricos, forçando o uso deste processador.

Outras críticas, no entanto, se mostraram equivocadas, sobretudo com relação ao sistema ser multitarefa e ao modelo de desenvolvimento livre do Linux. Observando hoje, as predições de Tanenbaum sobre o Linux ser abandonado em poucos anos e substituído pelo GNU Hurd provaram-se incorretas. Contudo, seus questionamentos foram importante, pois permitiram a evolução no sistema, fazendo com que fosse portado para todas as principais plataformas, bem como seu modelo de desenvolvimento aberto se tornasse um exemplo a ser seguido.

A primeira distribuição Linux

Em 1992, a primeira distribuição do Linux foi montada por Owen Le Blanc, do centro de computação de Manchester, e ficou conhecida como MCC Interim Linux. Era uma coleção de disquetes que, uma vez instalados no seu sistema, ofereciam um ambiente básico do UNIX, em terminal. Algum tempo depois, a primeira distribuição a possuir interface gráfica foi lançada pela universidade A&M do Texas. Chamada de TAMU-1.0A, o uso da interface gráfica era inicial e as configurações usadas faziam com que uma fumaça saísse do monitor, em alguns casos. Ambas essas distribuições foram desenvolvidas para uso interno das universidades.

A primeira distribuição comercial do Linux foi a Yggdrasil. Por comercial, entende-se que tinha o público em geral como seu usuário. Lançada em dezembro de 1992 por uma empresa de Berkeley, na Califórnia, a Yggdrasil foi a primeira distribuição a trazer o conceito de Live CD, o qual permite utilizar o sistema diretamente do CD-ROM distribuído, sem a necessidade de instalá-lo no disco rígido. A distribuição era anunciada como “Plug and Play” (conecte e jogue), uma vez que ela detectava o hardware do usuário e se configurava usá-lo automaticamente.

Em maio de 1992, a Softland Linux System (SLS) foi lançada por Peter Mac Donald. Essa foi a primeira distribuição Linux largamente reconhecida e usada. Foi o primeiro grande avanço para a adoção do Linux e chegou a dominar o mercado até que seus desenvolvedores tomaram a decisão de mudar o formato dos arquivos executáveis. Essa mudança não foi bem recebida pelos usuários e, na mesma época, Patrick Volkerding adaptou, modificou e ajustou a distribuição SLS, criando uma nova, que ele chamou de Slackware. Com as direções tomadas pela SLS, o Slackware rapidamente a substituiu e se tornou a distribuição dominante. Ainda hoje, o Slackware é usado.

A chegada do SuSE e outras distros famosas

Toda essa história da criação e crescimento do Linux ocorreu em apenas três anos. Nesses dias, a velocidade de mudanças foi inacreditável. Entre 1991 e 1995, diversas distribuições surgiram e se foram. Alguns nomes conhecidos atualmente, como Red Hat, Debian, TurboLinux e SuSE se tornavam populares. Com as novas interfaces gráficas desenvolvidas, como o Gnome e o KDE, as distribuições de Linux chegaram até mesmo a usuários comuns. Desde então, o Linux atrai mais e mais usuários oferecendo sistemas operacionais gratuitos, eficientes e completos.

Em 1996, Linus Torvalds anunciou que o Linux tinha um mascote, um pinguim. A escolha deu-se por uma menção de Linus ao pinguim da espécie Little Penguim, vista por Linus em uma visita ao National Zoo & Aquarium, em Camberra, na Austrália. Larry Ewing esboçou os primeiros rascunhos do mascote que conhecemos hoje. O nome do mascote foi sugerido por James Hughes, como uma derivação de Torvalds’ UniX (TUX).

O Linux hoje

Desde o começo da década de 1990, quando o Linux foi lançado e as primeiras distribuições começaram a ser construídas, muito trabalho foi feito para que chegássemos hoje às 321 distribuições monitoradas pelo DistroWatch.

Como vimos, o sistema é feito com mais do que marcas famosas como Mint, Ubuntu e Fedora, que hoje dominam o mercado de distribuições Linux. O Linux possui um fator psicológico e revolucionário que visa promover a liberdade e o compartilhamento de conhecimento entre as pessoas.

E você, nosso leitor? Conte-nos um pouco da sua experiência com o uso do sistema pensado por Richard Stallman, criado por Linus Torvalds e aprimorado por tantas outras pessoas no mundo ao longo desses mais de 20 anos.

FONTE: http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2012/05/a-evolucao-do-linux.html

 

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